Blog da Márcia Guimarães

MEC quer mudar português já em 2009

Publicado em Sem categoria por Marcia Guimaraes em 29/03/2008

Uma comissão do MEC elaborou uma proposta para que a reforma ortográfica da língua portuguesa comece a ser implantada no Brasil a partir do dia 1º de janeiro de 2009.

A reforma prevê, entre outros pontos, o fim do trema e de acentos em palavras como vôo, herói, idéia e assembléia do vocabulário dos países de língua portuguesa.

A proposta da Colip (Comissão para Definição da Política de Ensino-Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa) ainda tem que ser submetida ao ministro Fernando Haddad (Educação), aos ministérios da Cultura e das Relações Exteriores e à Presidência.

Ela prevê um prazo de três anos para a transição entre a ortografia atual e a prevista pela reforma. Nesse intervalo, as duas normas vigorariam.

Segundo Godofredo de Oliveira Neto, presidente da comissão, a partir do dia 31 de dezembro de 2011, todos os livros didáticos, provas para concurso e vestibulares teriam que estar submetidos às novas regras.

Em comunicado enviado no começo do mês à editoras de livros didáticos, o MEC já exigiu que as obras enviadas às escolas públicas estejam adequadas às mudanças em 2010.

O projeto da comissão prevê ainda a elaboração de um vocabulário da língua portuguesa no Brasil de acordo com as novas regras. Ele seria produzido pela Academia Brasileira de Letras, em conjunto com especialistas dos outros países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).

O acordo ortográfico foi firmado em 1991 e aprovado pelo Congresso no Brasil em 1995. Em tese, ele já está em vigor, uma vez que tem, como previsto, a assinatura de três países da CPLP -além do Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

A implementação da reforma, porém, era adiada pelo governo brasileiro devido à não-ratificação por Portugal.

A situação mudou quando, no início do mês, o conselho de ministros do país anunciou o desejo de aderir à reforma -a decisão, porém, ainda tem que ser aprovada pelo Legislativo.

( Publico aqui no meu Blog mas a matéria é da Folha de S.Paulo )


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Empresas apostam em anúncios inteligentes

Publicado em Sem categoria por Marcia Guimaraes em 20/03/2008


Empresas ficam mais próximas do consumidor apostando em anúncios móveis mais inteligentes.

Você está andando pelo shopping quando seu celular te informa: na loja mais próxima, há uma promoção imperdível. Mais alguns passos e um novo aviso: o restaurante do outro lado do corredor renovou o cardápio e espera sua visita.Pode parecer estranho, mas os anúncios para celulares que levam em consideração a localização do usuário são a nova aposta da CBS Mobile, braço da empresa americana CBS. De olho nesse mercado, a companhia se juntou à rede social Loopt, que permite que assinantes saibam, pelo celular, onde estão seus amigos e familiares que também usam o serviço.

Usando a tecnologia do Loopt, a CBS Mobile quer facilitar o acesso dos anunciantes aos consumidores, permitindo, por exemplo, que eles avisem os potenciais clientes sobre ofertas e serviços que são oferecidos em locais próximos ao que ele está.

Segundo o The New York Times, um número cada vez maior de anunciantes e publicitários acredita que os norte-americanos vão abraçar a novidade, desde que ela seja útil e não incomode.

“Os consumidores aceitam a propaganda quando ela é relevante”, opinou Angela Steele, diretora da agência Starcom USA. “Se eles receberem algo que os interessa, ótimo.”

Sam Altman, presidente-executivo da Loopt, disse que já está em negociações com as operadoras americanas, e que espera contar com a adesão de todas elas quando colocar o sistema para funcionar, o que deve ocorrer ainda em 2008.

Segundo Altman, até o final do ano, 50 milhões de telefones celulares dos Estados Unidos poderão estar equipados para receberem anúncios baseados na localização do consumidor. “Conversamos sobre essa tecnologia há algum tempo e finalmente tudo está encaminhado”, garantiu.

Para o presidente da CBS Mobile, Cyriac Roeding, a iniciativa tem tudo para dar certo. “A chave é agregar valor”, disse ele, reconhecendo que o parecer final é sempre do público. “No fim, se o consumidor não quiser vencer nesse jogo, não haverá jogo nenhum.”

( Matéria publicada aqui mas são informações divulgadas no Jornal ” The New York Times ” )

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Às vésperas de comemorar 10 anos de renascimento, a Apple é acusada de plagiar produtos alemães dos anos 1960

Publicado em Sem categoria por Marcia Guimaraes em 15/03/2008

Mera coincidência?

Às vésperas de comemorar 10 anos de renascimento, a Apple é acusada de plagiar produtos alemães dos anos 1960

Para muitos, a Apple é uma empresa como qualquer outra, fabricante dos estilosos computadores Mac, do onipresente iPod e do supercelular iPhone. Mas no universo paralelo dos geeks, a empresa de Steve Jobs invariavelmente desperta amor ou ódio. Os que têm a segunda reação agora ganharam mais argumentos. Estão bombando na internet comparações entre o design da californiana Apple e os da alemã Braun, que era vanguarda industrial nos anos 1950 e 1960. A semelhança, que você pode conferir aí embaixo, jogou água no chope das comemorações dos dez anos do iMac, computador de cores cítricas que tirou a Apple do buraco em 1998.

Jonathan Ive, designer do iMac e de todos os sucessos que o sucederam, admite publicamente ser um discípulo de Dieter Rams, a lenda por trás das famosas criações da Braun – muitas delas presentes no Museu de Arte Moderna de Nova York. Além da estética, abraçou a filosofia de Dieter, um obcecado por sutileza, simplicidade e funcionalidade. Verdade seja dita: é comum designers usarem como referência o trabalho dos seus antecessores. O problema é que para a Apple, que posa sempre como se estivesse duas curvas à frente, pega mal se inspirar em modelos de rádio, toca-discos e alto-falantes de tanto tempo atrás.

Antes fossem só as acusações de plágio. Devido às vendas abaixo do esperado, a empresa foi forçada a reduzir o preço do iPhone (de U$ 599 para U$ 399). O novo sistema operacional do Mac, o Leopard, vem sendo criticado, e as ações tiveram queda de 16% no final de janeiro. Em compensação, seu novo notebook, MacBook Air, finíssimo e levíssimo, deixou todo mundo babando. Até agora, sem comparações.

( Publicado aqui no meu Blog, mas a matéria é de Emiliano Urbim da Revista Galileu )

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Universidade Mackenzie faz campanha polêmica sobre uso de drogas

Publicado em Sem categoria por Marcia Guimaraes em 09/03/2008
Lata de lixo representa a cabeça do jovem que se droga.
Campus do Mackenzie, em São Paulo, é palco dos debates sobre o assunto.

Uma campanha polêmica contra o uso de drogas e abuso de álcool ganhou os corredores e espaços de convivência da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, logo no início do ano letivo. Dentre outras peças publicitárias, chamam atenção latas de lixo revestidas com fotografias do rosto de jovens. Uma placa sobre o lixo explica: “É isso que existe na cabeça de quem usa drogas”.

Para F. R. G. da C., 20 anos, calouro do curso de administração, a campanha foi criativa. “Isso chamou a atenção e me fez ficar pensando no assunto”, conta.

Suas colegas M. J., 17 anos, e C.M.O., 19 anos, concordam: “Foi uma sacada legal. Eu não pensaria nisso e esse foi um bom lugar para implantar, porque universidade tem muito usuário de drogas. Acho que a mensagem é justa”, diz C. .

Já a estudante R. Q. 19 anos, pondera: “Concordo com a prevenção às drogas. Só que tem várias formas de dizer isso e achei um pouco grosseiro. Dá pra ver que o sentido era impactar”, afirma. “Acho que precisava ser mais informativo. Dar uma solução para quem está nas drogas”, opinou G. M., 17 anos.

A criação das peças da campanha ficou a cargo da Publicis, empresa que cuida da publicidade do Mackenzie. Para o vice-presidente de criação, G. J., o objetivo de ser polêmico foi atingido. “Assim como as drogas são fortes, uma propaganda que fala sobre o assunto também tem de ser. Usei esse argumento para vender a campanha”, revela.
Instalação de latas de lixo no chão do Mackenzie diz que drogas são o fim da linha.

“Achei a idéia uma pouco mórbida. É um incentivo para quem está em cima do muro não virar usuário. Mas quem já usa, vira as costas e vai embora”, diz A. Z., 21 anos, aluno de desenho industrial. Seu amigo F. A., 20 anos, no segundo ano de economia levantou um aspecto positivo: “Eu acho legal, porque a galera passa, comenta, gera discussão. Isso incentiva a comentar o assunto”.

Se você acha que foi um universitário que colocou o rostinho na lata de lixo, está enganado. A empresa de publicidade contratou modelos que “emprestaram” a cabeça para uma sessão de fotos.

Além das latas de lixo há outras peças que foram implantadas para alertar contra o uso de drogas e o abuso de álcool. Entre elas, estão cartazes que dizem que o abuso da bebida separa as pessoas ou um cartaz no chão simulando um buraco no solo, que diz que as drogas são o fim da linha.

Outras instalações ainda estão em fase de implantação, como um espelho que distorce a imagem e tem a mensagem alertando que quem usa drogas fica irreconhecível.

( Matéria publicada aqui no no meu blog, escrita por Simone Harnik, do portal G1 de Notícias .)

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Mulheres invadem ‘mercado dos homens’ e relatam preconceito

Publicado em Sem categoria por Marcia Guimaraes em 08/03/2008
Delegada e motorista de ônibus relatam experiências à frente de ‘carreiras masculinas’.
Economia impulsiona criação de vagas para homens, diz Dieese.

Passageiro se recusou a entrar no ônibus da motorista Adriana Silva

Ao se tornar delegada de polícia, há 19 anos, Elisabete Sato, de 51 anos, jurou ser “o melhor delegado que pudesse ser”. O nome da carreira, assim mesmo, no masculino, deixa claro o perfil da profissão. Ao longo dos últimos anos, a única delegada seccional da capital diz que, até hoje, percebe a existência de “preconceito velado” por ser policial. A discriminação surge tanto de colegas quanto de criminosos.

“Em reuniões com delegados percebo que alguns são muito profissionais, mas em outros noto um desconforto por estarem subordinados a uma mulher”, afirma ela, que já ouviu até de um traficante que era humilhante ser preso por uma mulher.

Driblando os preconceitos, a delegada da 4ª Seccional Norte abre caminhos para mais mulheres – atualmente 500 delas são “delegados” no estado. No Dia Internacional da Mulher, comemorado neste sábado (8), relatamos experiências daquelas que exercem profissões em mercados dominados por homens.

As mulheres começam a entrar em “segmentos masculinos”, mas suas chances ainda são pequenas. Segundo dados do  Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese , a taxa de desemprego caiu mais entre os homens em 2007.

Ana Groto é taxista há sete meses em SP

Isso porque as vagas criadas, na indústria e na construção civil, foram ocupadas por homens. Dos 198 mil postos gerados na região metropolitana de São Paulo no ano passado, apenas 32% (63 mil) foram para as mulheres.

Longe dos números, sindicatos de motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo percebem na prática esse desequilíbrio. Elas reclamam de falta de oportunidade na hora da contratação. Adriana Silva, de 36 anos, é uma das trabalhadoras que conseguiu romper essa barreira – na empresa onde trabalha há apenas quatro mulheres motoristas entre os 527 condutores.

Ao longo de 11 horas de jornada de trabalho, na linha Terminal Capelinha-Jabaquara (Zona Sul), ela provoca surpresa, recebe elogios e também é alvo de preconceito. “Teve um passageiro que me disse que mulher tem de pilotar fogão e um colega falou que eu estava tomando emprego dos homens.” Houve até quem se recusasse a entrar em seu ônibus.

“A gente está tentando ocupar espaço. Os direitos são iguais”, defendeu a cobradora de ônibus Viviani Ferreira, de 21 anos, que concilia o trabalho com a criação de três filhos.

Por outro lado, essas paulistanas são reconhecidas pela ousadia. “Tem gente que pára no semáforo e me diz: ‘Parabéns! Você é uma guerreira’”, conta a “motogirl” Ana Nobre, de 40 anos, há 15 fazendo serviços de frete. Recentemente, ela adotou um capacete rosa para não ser mais confundida com um motoqueiro.

Para a taxista Ana Maria Groto, de 44 anos, a surpresa é maior entre as próprias mulheres. “Elas dizem: ‘Ah, que bom que é uma mulher’. As passageiras ficam mais tranqüilas.” Por sua vez, os colegas de profissão lançam desafios. “Eles me perguntam: ‘E se o pneu furar? Você troca?’ Tenho de conseguir. É a minha profissão.”

‘Os direitos são iguais’, diz a cobradora Viviani Ferreira

Assim como a taxista, a diretora-executiva da área de asset management do Banco Real, Luciane Ribeiro, de 44 anos, que conquistou seu espaço em um mercado financeiro dominado por homens, sugere perseverança às mulheres. “A área exige muita dedicação e persistência. Em vários momentos, você pensa em desistir.”

Para ela, as mulheres ainda se vêem obrigadas a provar sua capacidade frente aos homens. Ironicamente, foi uma atitude discriminatória de um colega da polícia que impulsionou a delegada Elisabete Sato. “Aquilo foi bom, porque mostrei minha capacidade. Aí o delegado passou a me respeitar e minha carreira foi deslanchando.”

( Publicado no meu Blog, mas o crédito da matéria é de Silvia Ribeiro do Portal Globo de Notícias )

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A linguagem do preconceito no jornalismo brasileiro

Publicado em Sem categoria por Marcia Guimaraes em 02/03/2008

Virou moda dizer que “Lula não entende das coisas”. Ou “confundiu isso com aquilo”. É a linguagem do preconceito, adotada até mesmo por jornalistas ilustres e escritores consagrados. Um dia encontrei Lula, ainda no Instituto Cidadania, empolgado por um livro de Câmara Cascudo sobre os hábitos alimentares dos nordestinos. Lula saboreava cada prato mencionado, cada fruta, cada ingrediente. Lembrei-me desse episódio ao ler a coluna recente do João Ubaldo Ribeiro, “De caju em caju”, em que ele goza o presidente por falar do caju, “sem conhecer bem o caju.” Dias antes, Lula havia feito um elogio apaixonado ao caju, no lançamento do Projeto Caju, que procura valorizar o uso da fruta na dieta do brasileiro.“É uma pena que o presidente Lula não seja nordestino, portanto não conheça bem a farta presença sócio cultural do caju naquela remota região do país…”, escreveu João Ubaldo. Alegou que Lula não era nordestino porque tinha vindo ainda pequeno para São Paulo. E em seguida esparramou-se em citações sobre o caju, para mostrar sua própria erudição. Estou falando de João Ubaldo porque além de escritor notável, ele já foi um grande jornalista. Outro jornalista ilustre, o querido Mino Carta,escreveu que Lula “confunde ” parlamentarismo com presidencialismo. “Seria bom”, disse Mino, ” que alguém se dispusesse a explicar ao nosso presidente que no parlamentarismo o partido vencedor das eleições assume a chefia dogoverno por meio de seu líder…” Essa do Mino me fez lembrar outra ocasião, no Instituto Cidadania, em que Lula defendeu o parlamentarismo. Parlamentarista convicto, Lula diz que partidos são os instrumentos principais de ação política numa democracia. Pelo mesmo motivo Lula é a favor da lista partidária única e da tese de que o mandato pertence ao partido. Em outubro de 2001, o Instituto Cidadania iniciou uma série de seminários para o Projeto Reforma Política, que Lula fazia questão de assistir do começo ao fim. Desses seminários resultou o livro de 18 ensaios, ” Reforma Política e Cidadania, organizado por Maria Victória Benevides e Fábio Kerche e prefaciados por Lula. Se pessoas com a formação de um Mino Carta ou João Ubaldo sucumbiram á linguagem do preconceito, temos mais é que perdoar as dezenas de jornalistas de menos prestígio que também dizem o tempo todo que “Lula não sabe nada disso, nada daquilo”. Acabou virando o que em teoria do jornalismo chamamos de “clichê.” É muito mais fácil escrever usando um clichê porque elesintetiza idéias com a quais o leitor já está familiarizado, de tanto que foi repetido. O clichê estabelece de imediato uma identidade entre o que o jornalista quer dizer e o que o leitor quer compreender. Por isso, o clichê do preconceito “Lula não entende” realimenta o próprio preconceito. Alguns jornalistas sabem que Lula não é nem um pouco ignorante mas propagam essa tese por malandragem política. Nesse caso, pode-se dizer que é uma postura contrária à ética jornalística, mas não que seja preconceituosa. Aproveitam qualquer exclamação ou uso de linguagem figurada de Lula, paradizer que ele é ignorante. “Por que Lula não se informa antes de falar ?, escreveu Ricardo Noblat, quando Lula disse que o caso da menina presa junto com homens no Pará “parecia coisa de ficção” . Quando Lula disse, até com originalidade, que ainda faltava à política externa brasileira achar ” o ponto G”, William Waack escreveu : “Ficou claro que o presidente brasileironão sabe o que é o ponto G”. Outra expressão preconceituosa que pegou é ” Lula confunde”. A tal ponto que jornalistas passam a usar essa expressão para fazer seus próprios jogos de palavras. “Lula confunde agitação com trabalho”, escreveu Lúcia Hipólito. Ou usam o confunde para desqualificar uma posição programática do presidente com a qual não concordam. “O presidente confunde choque de gestão com aumento de contratações”, diz José Pastore . Confunde coisa alguma. Os neo liberais querem reduzir o tamanho do Estado, o presidente quer aumentar. Quer contratar mais médicos, professores, biológos para o Ibama. É uma divergência programática. Carlos Alberto Sardenberg diz que Lula confundiu a Vale com uma estatal. ” Trata-a como se fosse a Petrobrás,empresa que segundo o presidente não pode pensar só em lucro, mas em, digamos, ajudar o Brasil.” Esse caso é curioso porque no parágrafo seguinte o próprio Sardenberg pode ser acusado de confundir as coisas, ao reclamar da Petrobrás contratar a construção de petroleiros no país pela, apesar de custar mais. Não tem confusão nenhuma, assim como Lula também não fez confusão. Lula acha que tanto a Vale quanto a Petrobrás tem que atender interesses nacionais. Sardenberg acha que ambas devem pensar primeiro na remuneração dos acionistas. A linguagem do preconceito contra Lula sofisticou-se a tal ponto que adquiriu novas dimensões entre elas a de que Lula tem até problemas de aprendizagem ou compreensão da realidade. Ora, justamente por ter tido pouca educação formal, Lula só chegou onde chegou por captar rapidamente novos conhecimentos, além de ter memória de elefante e intuição. Mas na linguagem do preconceito, ” Lula já não consegue mais encadear frases com alguma consequência lógica”, como escreveu o Paulo Ghiraldelli , apresentado como filósofo na página de comentários importantes do Estadão. Ou, como escreveuRolf Kunz, jornalista especializado em economia e também professor de filosofia: “Lula não se conforma com o fato de , mesmo sendo presidente, não entender o que ocorre à sua volta.”
Como nasceu a linguagem do preconceito? As investidas vem de longe. Mas o predomínio dessa linguagem na crônica política só se deu depois de Lula ser eleito presidente, e a partir de falas de políticos do PSDB e dosque hoje se auto denominam Democratas. : “O presidente Lula não sabe o que é pacto federativo, disse Serra, no ano passado. “ E continuam a falar: ” O presidente Lula não sabe distinguir a ordem das prioridades””, escreveu Gilberto de Mello. ” O presidente Lula em cinco anos não aprendeu lições básicas de gestão”, escreveu Everardo Maciel na Gazeta Mercantil. A tese de que Lula confunde presidencialismo com parlamentarismo foi enunciada primeiro por Rodrigo Maia, logo depois por César Maia, e só então repetido pelos jornalistas. Um deles, dias depois dessas falas, escreveu que “só mesmo Lula, que não sabe a diferença entre presidencialismo e parlamentarismo, pode achar que um governante ter a aprovação da maioria é o mesmo que ser uma democracia no seu sentido exato.” …” O pré-conceito é juízo de valor que se faz sem conhecer os fatos. Em geral é fruto de uma generalização ou de um senso comum rebaixado. O preconceito contra Lula tem pelo menos duas raízes: a visão de classe, de que todo operário é ignorante, e a super-valorização do saber erudito, em detrimento de outras formas de saber, tais como o saber popular ou o que advém da experiência ou do exercício da liderança. Também não aceitam a possibilidade das pessoas transitarem por formas diferentes de saber. A isso tudo se soma o outro preconceito, o de que Lula não trabalha. Todo jornalista que cobre o Palácio do Planalto sabe que é mentira, que Lula trabalha 12 a 14 horas por dia Lula, mas ele é descrito com frequência por jornalistas como uma pessoa indolente. Não atino com o sentido dessa mentira, exceto se o objetivo é difamar uma liderança operária, o que é, convenhamos, uma explicação pobre. Talvez as elites e com elas os jornalistas, não consigam aceitar que o presidente ao estudar um problema com seus ministros esteja trabalhando, já que ele é ” incapaz de entender” o tal problema. Ou achem que ao representar o Estado ou o país, esteja apenas passeando, porque onde já se viu um operario, além do mais ignorante, representar um país ?
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Texto publicado aqui no meu Blog mas escrito por Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é colaborador da Carta Maior e autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998″ (2000).
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