Blog da Márcia Guimarães

Uma alternativa ao espírito de manada

Publicado em Internet por Marcia Guimaraes em 19/04/2008

“Os jornalistas são formados principalmente nos aspectos técnicos da profissão, a bagagem cultural e os aspectos teóricos são desprezados. Os cursos de Jornalismo formam ‘pequenos soldados conformistas’ prontos a reproduzirem a técnica que aprenderam, sem (quase) nenhum espírito crítico.”

A segunda afirmação poderia ter sido escrita sobre os cursos de Comunicação da maioria das universidades brasileiras. Mas são de um crítico de um dos principais e mais antigos cursos de Jornalismo da França – o Centre de Formation de Journalistes (CFJ), de Paris.

“O único critério é o resultado, a audiência, as vendas”, diz François Ruffin, autor do livro Les Petits Soldats du Journalisme (editora Les Arènes, Paris), lançado em 2003. Nele, Ruffin critica sem piedade a formação atual dos jornalistas no CFJ, uma das 11 escolas francesas de jornalismo, a mais conhecida entre as três únicas que formam jornalistas em Paris. O CFJ foi criado logo depois da guerra por intelectuais que haviam participado da Resistência. De 1947 até hoje, a instituição formou apenas 2 mil alunos – e a maioria trabalha nos principais jornais, revistas, rádios e estações de TV do país.

O implacável crítico estudou no CFJ, onde se formou em 2002, e percorreu todo o curso sempre com olho crítico. Logo que saiu, lançou seu livro-panfleto sobre os jornalistas, “técnicos dóceis ou pequenos soldados”, formados para reproduzir fatos, frases e relatar coletivas sem nenhum espírito crítico. Esse inquisitorial de Ruffin foi imediatamente contestado por manifesto publicado no jornal Libération, assinado por alunos do CFJ, fundado em 1946, dentro dos ideais de Hubert Beuve-Méry, fundador do jornal Le Monde.

Na visão de Ruffin, no CFJ o jornalista seria treinado não para criticar, pôr em dúvida, analisar, mas para reproduzir, fazer aquele famoso jornalismo factual tido como “objetivo”, como se este existisse e não estivesse, ele próprio, a serviço de algum interesse, na maioria das vezes o da manutenção do status quo. Muito longe da escola dos sonhos de Ruffin, que ensinaria a pensar. No CFJ, segundo o desiludido jornalista, o “cérebro é um órgão inútil e até mesmo prejudicial”. O atual diretor, Luc Lemaire, reconhece que existe hoje nas escolas de Jornalismo uma tendência a privilegiar a técnica em detrimento da cultura e da formação intelectual.

Jornalismo com selo

Pois agora o panorama parisiense vai mudar. A partir do ano letivo de 2004 (setembro) uma nova escola de Jornalismo abrirá as portas em Paris no prestigioso Institut d’Études Politiques, conhecido pela forma abreviada de Sciences Po. Esse curso não pretende ser apenas mais um na França, país onde não é obrigatório o diploma para exercer o métier de jornalista e onde apenas 25% dos 35 mil jornalistas em atividade passaram por uma universidade especializada. Na Itália, 90% dos jornalistas são formados nas faculdades de Jornalismo. Nos Estados Unidos, essa proporção é de 60%.

O aluno da Sciences Po vai cursar um primeiro ciclo de três anos de formação fundamental e um segundo ciclo de dois anos, orientado para o lado prático da profissão. Os primeiros três anos pretendem dar a indispensável formação teórica para formar bons jornalistas. Por ter laços estreitos com a Graduate School of Columbia, de Nova York, e a Medill School of Journalism, de Chicago, a Sciences Po oferecerá a seus estudantes – mais de 30% são estrangeiros e todos os alunos franceses fazem estágio de um ano no exterior – muitas oportunidades de intercâmbio.

“A formidável grade de matérias da Sciences Po, seja em política, em economia ou em relações sociais, dará ao aluno de Jornalismo uma grande bagagem intelectual, preparando-o para compreender melhor o mundo”, assinala Michèle Cotta, jornalista encarregada pela direção da escola de elaborar um projeto pedagógico para o curso. Para auxiliá-la a jornalista já convidou grandes nomes da imprensa – como Robert Graham, editor do Financial Times.

Richard Descoings, diretor da Sciences Po, não pretende apenas abrir mais uma escola de Jornalismo. Ele quer iniciar uma reflexão sobre o jornalismo e sua evolução para os próximos 10 anos. Segundo ele, o quarto poder ganha cada vez mais importância e os jornalistas tornaram-se um dos pilares para a compreensão do mundo.

“Partimos de algumas constatações, seja a evolução do papel do jornalista como vetor de regulação da nossa sociedade, seja o lugar cada vez mais importante da televisão, a transformação industrial dos grupos de mídia em escala nacional ou internacional e a questão da deontologia ligada ao poder de impacto que têm os jornalistas”, assinala Descoings.

Antes mesmo de formar jornalistas, já era grande o número de alunos da Sciences Po anualmente recrutados para órgãos de comunicação, graças à excelente formação intelectual. O curso de Jornalismo da Sciences Po também vai preparar jornalistas para dirigirem veículos de comunicação do futuro.

( Tema pertinente a minha profissão : são considerações feitas por Leneide Duarte-Plon, de Paris )

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“Velho-novo” jornalismo

Publicado em Internet por Marcia Guimaraes em 12/04/2008

Nova Internet será 10 mil vezes mais veloz que a atual

Publicado em Internet por Marcia Guimaraes em 09/04/2008

Depois de trazer ao mundo a world wide web, em 1989, o centro físico CERN agora pretende lançar uma nova Internet, 10 mil vezes mais rápida. A novidade, que já está sendo chamada de the grid (a grade) pode estar disponível aos consumidores dentro de um ou dois anos.

O CERN, que tem sede em Genebra, não usou a Internet tradicional no desenvolvimento dessa nova rede, pois a enorme quantidade de dados carregados e transmitidos poderia gerar um colapso na web.

A nova Internet, por outro lado, usa principalmente fibras óticas, e sua velocidade não será diminuída por componentes desatualizados. Segundo o site DailyTech, esta nova rede já conta com 55 mil servidores, número que deve chegar a 200 mil em dois anos.

Ainda não se sabe se a grid será usada também domesticamente, nem se empresas optarão por construir suas próprias redes, similares a esta.

Segundo o DailyTech, algumas empresas e provedores de telecomunicações já estão começando a implementar um dos recursos mais poderosos da grid, conhecido como troca dinâmica. Mas, por enquanto, o uso da nova rede ficará restrito a estudantes e pesquisadores, como astrônomos e biólogos.

( Publicado no BYTEBLOG :–> http://www.byteblog.net )
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Ambientalistas criticam conceito de desenvolvimento sustentado

Publicado em Sem categoria por Marcia Guimaraes em 06/04/2008

A professora de sociologia e antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Andréa Zhouri, disse hoje que “não se pode falar em desenvolvimento sustentado apenas do ponto de vista do crescimento econômico, sem a respectiva preocupação com a proteção ambiental e com a igualdade social”. Segundo ela, o que se pratica hoje é o conceito de “desenvolvimento a qualquer custo”, por imposição da força econômica.

Andréa Zhouri coordenou nesta semana, em Belo Horizonte, o 1º Seminário Nacional sobre Desenvolvimento e Conflitos Ambientais. Segundo ela, durante o encontro, pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento humano debateram, “de forma crítica e inovadora”, o conceito de desenvolvimento sustentável.

Em entrevista Agência Brasil, ela afirmou que a exploração econômica, como se dá atualmente, “não tem favorecido as populações mais fragilizadas, que não têm sequer o direito de decidir seus próprios destinos”. Citou, principalmente, as comunidades rurais, indígenas, ribeirinhas e quilombolas, que são as mais afetadas nos conflitos ambientais e “pagam custo social muito alto”.

Como exemplos de desrespeito ao meio ambiente, a professora enumerou a criação de camarão em cativeiro (carcinocultura), que prejudica seriamente os manguezais do Nordeste e tira o sustento das comunidades que vivem da pesca de caranguejo; a política agroenergética do governo, que estimula monoculturas de cana-de-açúcar e eucalipto; bem como a construção de grandes represas para produção de energia elétrica, que obriga o deslocamento de comunidades inteiras do seu habitat natural.

Andréa Zhouri lembrou, entre os debates feitos atualmente nesse sentido, a transposição das águas do Rio São Francisco para perenizar rios do Nordeste. Para ela, a transposição vai atender projetos do agronegócio, e “as populações mais pobres não serão beneficiadas”.

Durante o seminário na capital mineira, foram discutidas ainda questões como poluição industrial e uso de agrotóxicos que, na opinião da professora, têm se constituído em graves problemas de saúde para as populações. Outro tema foi o das usinas de produção de álcool no interior de São Paulo, que provocam nuvens de fuligem, decorrentes da queima de cana-de-açúcar, e dão exemplo de desenvolvimento econômico predatório.

Andréa Zhouri disse que o próximo seminário nacional para dar sequência a essas discussões será realizado em Fortaleza, em 2010.

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Basta de espetacularização do sofrimento alheio!

Publicado em Internet por Marcia Guimaraes em 06/04/2008

Chega uma hora que assusta! Chega uma hora que dá vontade de dar uma surra em certas pessoas… e desta vez não estou falando dos causadores da violência, mas sim naqueles que a transformam em espetáculo com o único intuito de aumentar a audiência. Sim, porque não me venham com a balela de que a preocupação desses jornalistas, que transformaram o caso Isabela na mais nova telenovela (pastiche melodramático!) é a verdade, porque eu não engulo.

Afinal, no que vai ajudar nas investigações, ou na diminuição do sofrimento dos familiares, que as redes de TV exibam à exaustão imagens da menina dançando em Portugal? Ou ainda, seus desenhos do colégio? A Nadja levantou esta bola aqui e eu somente me juntei à causa porque, realmente chega horas em que há que se dizer basta!

Sim, eu sei que vão me dizer que vivemos numa sociedade midiática… que tudo é notícia e que a mídia está incorporada de tal forma em nosso cotidiano que seria impossível viver sem ela… e eu nem estou negando isso. Aliás, acho que esse é um processo irreversível e que, por esta mesma razão, é necessário construir-se um arcabouço “ético” para o circo que aí está.

O que a mídia não está levando em conta (ou provavelmente está, mas parece não intuir o resultado final disso) é que a sua ação acaba por vezes sendo instrutiva, no mal sentido. Ou será uma incrível coincidência que, em várias ocasiões, certas situações começam a pipocar pelo país ou pelo mundo com ações que parecem ter sido copiadas, passo a passo?

Em alguns momentos são as “ondas” de se colocar fogo em pessoas, noutros os adolescentes que matam os pais, agora são crianças de 8 a 10 anos que armam um plano para se vingar da professora… e tudo na TV vai virando novela… pastiche… absorvido pela população como algo que causa terror, mas faz parte da vida cotidiana.

A espetacularização da violência, o julgamento em praça pública, os desvarios de uma mídia que faz tudo pela audiência têm que acabar. Temos que entender que a mídia influi na consciência da população e que isso, em minha opinião, até agora tem sido feito de uma maneira bastante equivocada!

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