DIPLOMA DE JORNALISMO
Estrabismo insistente estreita a razão
Uma confusão tem sido recorrente no debate que cerca a obrigatoriedade do diploma para jornalistas: tomar por sinônimas as expressões “liberdade de expressão” e “exercício profissional”. Entretanto, existe um abismo entre as duas coisas.
Em resposta ao post que criticava a ideologização da discussão, o jornalista Mauricio Tuffani afirma que o que está em jogo no Supremo Tribunal Federal é…
“…uma concepção do direito de liberdade de expressão que tem um significado muito maior que aquele insistentemente repetido por muitos sindicalistas e professores de jornalismo. Trata-se de um direito que não pertence apenas à categoria dos jornalistas, mas a toda a sociedade”.
Mas é evidente que o direito à livre expressão não é e não pode ser um privilégio de jornalistas. Este direito é extensivo a todas as pessoas, na medida em que garante a elas a troca de idéias, a manifestação do pensamento, a formulação de opiniões e juízos. É um direito previsto na legislação e em protocolos consagrados internacionalmente, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, como já citou Tuffani. O artigo 19, em especial, merece uma leitura mais atenta que a realizada pelo autor:
“Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.”
Note-se que o artigo não menciona “produzir” ou “elaborar” informações. Isto é, o direito vige numa esfera ampla, generalista, e não restritiva ao mundo do trabalho. Jornalistas também são cidadãos, e também gozam do direito da livre expressão. Mas em sua condição profissional, produzem, elaboram, difundem informações com o propósito de abastecer a sociedade com dados que permitam uma compreensão melhor da realidade.
Habilitação legalNão se pode esquecer também que o conjunto das atividades jornalísticas não se resume apenas à livre expressão. Há colunistas, articulistas, editorialistas que, sim, ocupam-se da formulação de idéias e da sua disseminação em escala massiva. Mas os demais profissionais do jornalismo não se expressam em suas lidas diárias. O que fazem é tentar oferecer ao público relatos dos acontecimentos que, porventura, foram alçados à condição de noticiáveis. Para alcançar essa situação, os fatos devem conter elementos que dialoguem com valores de noticiabilidade, elaborados no mundo do jornalismo e que, cotidianamente, ajudam a organizar essa atividade. Esses valores compõem um rol de saberes específicos da profissão, conhecimentos a que se tem acesso nas escolas de jornalismo.
Mas voltando à Declaração Universal, encontramos o inciso 2 do artigo 29 que é esclarecedor na tensão entre direito e lei.
“No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.”
Isto é, o direito à livre expressão se estende até a fronteira que inicia a demarcação de uma atribuição profissional, a regulamentação do exercício jornalístico, por exemplo. Note-se que não há contradição entre os artigos, mas complementaridade já que são contemplados o direito do cidadão comum a manifestar sua opinião e o direito do jornalista a exercer sua profissão (conforme o artigo 23).
Se recorrermos à Constituição Federal e ao próprio Tuffani, veremos que os dois direitos são também atendidos.
“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (inciso IX do artigo 5º).
“É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer” (inciso XIII do artigo 5º).
Desta forma, insisto que não se deve tomar por idênticos o direito à livre expressão e o exercício profissional do jornalismo. Se assim o fizermos, poderíamos por extensão confundir o direito à justiça com o exercício da advocacia, ou o direito à saúde com a prática da medicina. Em todos esses casos, o direito mais geral não colide com a atribuição profissional, que depende de qualificação técnica, de habilitação legal e de competências e habilidades específicas. Misturar as coisas é fazer prevalecer um estrabismo que prejudica nossa visão e compreensão. Embaçar as fronteiras entre ambos provoca, isso sim, o estreitamento da razão.
Justificativa socialSe o que está em discussão no STF no imbróglio sobre o diploma é a concepção de direito à liberdade de expressão, esse debate não pode desconsiderar o lugar estratégico que a mídia (seus veículos, sistemas e profissionais) ocupa na vida social atualmente. Cada vez mais central na existência contemporânea, a dimensão da comunicação social precisa dispor de profissionais altamente capacitados para fazer as mediações necessárias entre os fatos e os públicos, contribuindo para o entendimento e o desenvolvimento humano e social.
O jornalista e professor Eugenio Bucci formulou uma definição de jornalismo que é, ao mesmo tempo, ampla e precisa: o jornalismo é uma atividade que existe para satisfazer um direito do cidadão comum, o direito à informação. Neste sentido, essa atividade profissional – exercida por pessoas capacitadas e habilitadas – encontra justificativa social, utilidade pública e dimensão coletiva para a sua existência.
Dito dessa forma, o estrabismo insistente se dissolve e o campo de visão de abre para uma compreensão melhor do que temos adiante.
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Publico aqui no meu Blog, matéria de Rogério Christofoletti, Professor do curso de Comunicação Social – Jornalismo e de Mestrado em Educação da Universidade do Vale do Itajaí; responsável pelo projeto Monitor de Mídia e integrante da Rede Nacional dos Observatórios de Imprensa.
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Reproduzido do blog Monitorando, e o título original da matéria é ”Um estrabismo insistente estreita mais a razão”.
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Comunicação corporativa – que novidade é essa?
Não se assuste, comunicação corporativa não é uma nova ciência ou nova modalidade de comunicação. Na verdade, para nós, relações-públicas, o que tem de mais novo é mesmo o nome. Quem já ouviu falar ou já aprendeu alguma coisa sobre comunicação organizacional ou comunicação empresarial, não está longe da comunicação corporativa.
O que ocorre é que a expressão “corporativa” entrou na moda. Enquanto até uns anos atrás se usava organização ou empresa para nos referirmos ao conjunto de todas as divisões de uma instituição, hoje, em função da ascendência inexorável das multinacionais, que geralmente são de origem estrangeira e que têm cada vez mais filiais espalhadas pelo mundo, passou-se a dizer corporação. Em termos de Brasil, nada mais natural. Afinal, não é necessário sermos grandes analistas antropológicos e lingüísticos para sabermos que as expressões americanas, ou, pior, americanizadas, são uma verdadeira febre nacional. Em inglês, corporation nada mais é do que “uma empresa de negócios”, conforme o velho e bom dicionário Oxford (5th edition, p. 260).
Então, vamos deixar claro, desde já, que comunicação corporativa, comunicação organizacional e comunicação empresarial são sinônimos e que assim serão utilizados neste artigo.
Os princípios da comunicação organizacional não mudaram muito ao longo do tempo. Trata-se da gestão da comunicação estratégica da organização, ou seja, o planejamento e a administração dos relacionamentos da empresa pela utilização dos princípios da comunicação social, com o objetivo de construir e manter a identidade, imagem e reputação empresariais perante todos os seus públicos. Dessa forma, considera-se a empresa como um todo, um corpo único, que, embora formado de diferentes partes, segue (ou deveria seguir) os parâmetros determinados pelo caráter e personalidade que a caracterizam e orientam todas as suas ações e reações.
A comunicação corporativa, portanto, segue ocupando-se da análise do ambiente em que a empresa se insere, identificando e conhecendo as especificidades dos diversos públicos com os quais se relaciona. Desenvolve estratégias de comunicação adequadas para atingirem esses públicos e possam deles auferir resultados alinhados aos objetivos organizacionais, sem perder de vista o movimento cada vez mais veloz de constante mudança no mundo globalizado. A diferença, entretanto, da antiga para a nova comunicação empresarial, encontra-se na evolução e revolução constante das necessidades e expectativas dos públicos, que deixaram de ter o posicionamento passivo e condescendente do início do século vinte, para assumir, demonstrar e manifestar suas vontades, exigências ou mesmo carências e demandar atenção cada vez mais individualizada.
As principais funções da comunicação corporativa são reconhecidas (ARGENTI, 2006) como sendo as de 1) gerenciamento da reputação, 2) propaganda corporativa e ações que beneficiem a sociedade, 3) relações com a mídia, 4) comunicação de marketing, 5) comunicação interna, 6) relações com os investidores, 7) responsabilidade social, relações com o governo e 9) gerenciamento de crise. Embora estejam, assim, categorizadas, facilmente se observa que há uma estreita inter-relação entre esses conceitos, uma vez que são interdependentes apesar de conservarem suas características específicas.
Em cada uma das situações citadas pode-se verificar algumas mudanças de foco. Quando se fala em gerenciamento da reputação, o que fica mais claro é que, embora a imagem organizacional ainda seja a menina dos olhos da comunicação empresarial, – e, portanto, das relações públicas, o conceito ampliou-se muito. Enquanto a imagem é baseada principalmente na percepção dos públicos em relação a uma organização, e que, portanto, pode ser “maquiada” para garantir maior aceitação, a reputação baseia-se na credibilidade da empresa no mercado, no correr de uma linha de tempo que remonta às suas origens. Hoje, dá-se muito mais relevância a questões como caráter, personalidade, coerência, honestidade, valores morais, do que à simples “aparência” externa, embora esta precise estar em harmonia com aqueles, em nome da consistência do conjunto de informações. Estranho seria, por exemplo, se um executivo de uma empresa, que se propõe a comprometer-se com a defesa do meio ambiente, fosse fotografado numa festa calçando um sapato de couro de jacaré.
Quanto à função propaganda corporativa e ações que beneficiem a sociedade, vê-se que cada vez mais as organizações apercebem-se da necessidade de desenvolver ações voltadas para a sociedade, sem cunho comercial, comprometendo-se com a cidadania num sentido amplo, como parceiros dos gestores da área pública. A realidade menos favorecida de muitos países nos quais as multinacionais mantêm filiais ou sucursais torna-se um estímulo à conscientização das grandes corporações em relação ao seu papel de apoio às políticas e projetos governamentais, especialmente aqueles voltados para a saúde, saneamento básico, educação e cultura. Dessa forma, é cada vez mais comum ver-se propagandas de diferentes empresas em diversos meios de comunicação, apoiando campanhas de vacinação, de controle de pragas, incentivo à leitura e atenção à qualidade de vida, por exemplo.
Ao se falar de relações com a mídia, a primeira idéia que nos vem à mente é a das assessorias de imprensa, muitas vezes terceirizadas, com a propagação quase indiscriminada de releases
Imagine quão satisfeito você ficaria se as empresas enviassem mensagens para sua casa e depois ficassem telefonando para saber se você as recebeu. Pois é. Jornalistas também não gostam disso!
E aí que encontramos o foco do relacionamento com a mídia, que bem além da assessoria de imprensa, que tem um cunho mais comercial e impositivo. Pretende estabelecer relações mutuamente positivas, em que a empresa se posicionará como uma fonte de informações confiáveis e de expertise na sua área de atuação para a mídia, e a mídia como uma parceira, capaz de ampliar e diversificar o alcance das informações sobre a empresa que auxiliarão na formação de opinião do público quanto à sua imagem e reputação.
Todos sabemos que quem tem a incumbência de trabalhar a concepção, demanda, determinação de preços, promoção e distribuição de produtos e serviços é o profissional de marketing – que em inglês é a “teoria e prática de apresentação, publicidade e venda de bens” – (OXFORD, p. 718). Entretanto, comunicação de marketing, é a orientação e acompanhamento das ações de marketing, de maneira que estejam alinhadas com as políticas e diretrizes estratégicas de comunicação organizacional, evitando distorções que poderiam confundir a opinião pública em relação à identidade, imagem e reputação da empresa. Trata-se de um trabalho interno de parceria para manter a harmonia e congruência da comunicação com o objetivo comum de alcançar resultados organizacionais positivos, tanto financeiros quanto institucionais.
Em tempos de globalização, de acesso quase ilimitado à informação, de maior nível de formação e especialização dos trabalhadores nas organizações, o chamado “público interno” é hoje muito mais consciente do próprio valor enquanto ativo humano e principal agente das atividades da organização, e, portanto, diretamente relacionado à capacidade da empresa gerar lucro e difundir sua imagem e reputação no mercado. Por isso, a comunicação interna encontra-se num novo patamar em que as ações voltadas a esse público precisam estar ancoradas num mesmo núcleo estratégico de comunicação, considerando não só o corpo funcional como um todo, mas também os diferentes segmentos e individualidades. Mais uma vez, a coerência na comunicação é imprescindível, de maneira que os funcionários tenham, na prática, as mesmas possibilidades de receber, enviar e buscar informações da organização, e que sejam reconhecidos e tratados como viabilizadores do sucesso e da continuidade da empresa.
As relações com os investidores também não são novidade. Todavia, o perfil dos investidores mudou muito nos últimos anos e têm-se desde grandes instituições financeiras até pessoas físicas dentro desse segmento de público. Em conseqüência, surgiu a necessidade de diversificar a linguagem e as formas de relacionamento, de maneira mais direcionada, adaptando-se o modo e os meios de divulgação das informações de acordo com as características e expectativas de cada tipo de investidor. Isso implica em monitorar e atender permanentemente as necessidades e interesses dos investidores, de maneira a, além dos resultados financeiros, proporcionar-lhes também um ambiente de confiança que dê estabilidade à organização em casos de eventuais crises.
Sabe-se que uma das palavras de ordem dos nossos tempos é a responsabilidade social. A crise econômica que assola uma grande parte dos governos de vários países trouxe à tona a sua incapacidade de gerir com exclusividade as necessidades das populações, especialmente as de menor poder aquisitivo. Com isso, as organizações passaram a assumir parte dessa responsabilidade, através de políticas, projetos e ações sociais nas mais variadas áreas, inclusive a ambiental, como forma de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população, evitar um colapso ecológico de proporções globais e garantir a própria sobrevivência. Essa é mais uma função da comunicação corporativa, uma vez que planos de responsabilidade social devem invariavelmente estar de acordo com as políticas e diretrizes estratégicas da organização e têm influência direta na formação e manutenção da identidade, imagem e reputação empresariais.
As relações com o governo sempre tiveram importância estratégica nas organizações. Uma simples alteração numa lei que tenha impacto sobre as atividades da empresa pode gerar uma crise e até dificultar a continuidade das operações. Dessa forma, estabelecer e manter boas relações com as entidades governamentais e seus representantes, colaborando com os mesmos em termos de informações, pesquisas, opiniões de especialistas, relatórios, são atribuições inerentes à comunicação corporativa, ao lado do permanente e transparente cumprimento das obrigações legais da organização, que garantem-lhe a boa vontade mínima por parte do governo para incrementar o relacionamento.
A cada dia observa-se que catástrofes, incidentes, acidentes e outros acontecimentos inesperados ocorrem com maior freqüência e com amplitude de impacto cada vez maior, muito por causa da mundialização da economia e da agilidade com que as informações perpassam os continentes. Qualquer que seja o evento desafortunado, os riscos de uma crise se desencadear são enormes, e, dependendo da forma como for administrada, pode levar a empresa ao seu fim. O gerenciamento de crise, ou gerenciamento da comunicação de crise, tem papel fundamental na administração da crise. O planejamento com antecedência de como, quando e com quem agir em situações extremas é prioritário, pois no momento em que acontecem, a improvisação é o pior caminho. O raciocínio precisa ser muito rápido e há excesso de informações e preocupações das mais diversas origens circulando, o que dificulta a clareza para a tomada de decisões e cujos efeitos podem ser prejudiciais e até fatais para imagem e reputação organizacionais.
Todas essas funções da comunicação corporativa, como pode ser visto acima, têm influência umas sobre as outras e precisam ser regidas como se fossem diferentes instrumentos de uma mesma orquestra. E justamente por isso precisam estar reunidas sob a batuta de um mesmo regente, que, nas grandes corporações costuma ser conhecido como Assessoria de Comunicação Corporativa. Certamente, se você for ouvir um concerto, notará que alguma coisa está errada se um ou mais instrumentos estiverem tocando em outro tom, ou às vezes até uma outra música. A dissonância ou estridência machucará o seu ouvido e o seu conceito sobre aquela orquestra – ou banda – será afetado. Provavelmente você nunca mais gastará um centavo para comprar uma entrada para apresentações dela. E ainda aconselhará familiares e amigos a fazerem o mesmo. Você já pensou que com isso poderá estar decretando o fim de carreira do conjunto? Não é à toa que existem bandas que surgem meteoricamente num mês e desaparecem antes de o ano acabar. O mesmo se aplica às corporações!
Então, só para lembrar o título, comunicação corporativa não é novidade nenhuma. É apenas o aprimoramento dos nossos conhecimentos e da prática da comunicação empresarial de acordo com os novos tempos e com as novas nomenclaturas em voga. Relações Públicas na cabeça!
tirado do http://www2.metodista.br/agenciarp/Artigo116.htm
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Considerações de Ana Beatriz Benites Manssour que acredito serem de importante análise e reflexão para os futuros jornalistas, aqueles que pretendem exercer a Assessoria de Imprensa, a tão valorizada hoje ” Comunicação Corporativa ” mas anteriomente conhecida por ” Relações Públicas “.
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Publico aqui porque são de extrema importância para mim como acadêmica de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo.
O dia-a-dia das Assessorias de Comunicação
O que pensam os estudantes de jornalismo ?
Vasculhar a mentalidade dos futuros jornalistas foi a pauta de Marcos Zibordi de Caros Amigos. Ele foi ao 9º Congresso Brasileiro de Estudantes de Comunicação Social que reuniu o Brasil inteiro. E ouviu frases interessantes.
“Imparcialidade não existe, apesar de você ter pessoas mais sensatas que as outras”.
“A maioria entra e sai do curso querendo ser âncora da Globo. A idéia de ser âncora da Globo ultrapassa aquela idéia de ser um jornalista bem-sucedido”.
“Para mim, conhecer a comunicação acabou materializando muito mais a vontade de atuar e interferir na realidade. Comecei a entender a comunicação como forma de disputa de hegemonia, espaço”.
“Os alunos não são pesquisadores, são jovens empresários”.
“Para os colegas, falta um pouco mais de conhecimento de vida, andar pela cidade, conhecer bairros, pessoas. Na hora de fazer uma reportagem, é um olhar mais humano, mais crítico sobre aquela situação. Se o cara não teve vida, não vai saber expressar de maneira correta. Falta sair da coisa certinha dos pais, da escola para casa. Falta vivência, conhecimento livresco eles têm”.
Além de colher estes depoimentos o repórter conversou com Rodolfo Viana, formando pela USP. Difícil de engolir são os convênios com instituições que ministram disciplinas optativas. A Folha de S. Paulo é responsável por uma. A Editora Abril por outra. Semanalmente, seus profissionais contam experiências, relatam casos e distribuem brindes.
“É uma propaganda, uma louvação, é quase um treinamento”, observou.
Material experimental produzido por alunos da Universidade Federal de Minas Gerais não pode ser publicado. Um texto metafórico sobre o reinado de Aécio Neves, “O Império do Pó” de Leonardo Fortes foi censurado. O mesmo aconteceu em Maranhão quando um aluno questionou a aplicação de recursos destinados à instituição, que resultou inclusive em afastamento de uma professora.
A aluna Juliana Oshima Franco, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) teve seu texto cortado porque ela simplesmente questionou o ensino público. O pior é que ela viu os colegas divididos e foi “aconselhada” a se comportar de outra forma, não questionando mais, pois nem formada era. Um professor disse que ela sonhava com um modelo impraticável de jornalismo. Assim caminha a humanidade, ou melhor, os estudantes de jornalismo.
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Este texto nos obriga a refletir sobre nossa situação atual como estudantes de Jornalismo, incluo meus colegas também.
Este texto pertence a Rivaldo Chinem, e foi extraído do Blog desenvolvido pela XPress Assessoria em Comunicação.
Lixo mental
Não sei se a expressão é minha; como se escuta e lê tanto, de repente alguém já a havia dito e minha memória registrou. Como tenho muito medo de plagiar, não garanto, embora sempre a tenha usado em aula: lixo mental. O acúmulo em nossa mente de elementos tão pequenos, medíocres, mesquinhos e que tanto nos atormentam dificultando a entrada de novas idéias, a captação do belo, da arte, das belezas da vida, dos gestos lindos de pessoas iluminadas ou, pelo menos, de boa vontade, em nossos quadros mentais, do que falei aqui na sexta, ao definir o processo de adaptação. Passei a pedir às pessoas que eliminassem o mais rápido possível o tal lixo mental acumulado, ao perceber o quanto certos fantasmas ocorridos no cotidiano, mesmo sem grande peso, deixam imagens negativas em seu processo afetivo-nervoso, levando-as ao psiquismo. E o quanto isso pesa e pressiona! Ficar remoendo atitudes grosseiras que tiveram conosco, ainda mais quando se é absolutamente avesso a qualquer forma de grossura; dar uma importância maior às fofocas e maledicências que fazem a nosso respeito, por mais que beirem a infâmia e a calúnia. Para que ficar lembrando disso, magoandosse, se elas são consequências naturais dos projetos e fazem parte do conjunto de intenções, de vontades de realizar ? Só não se frustra quem não tem projeto, idéia, proposta inédita e se conforma em viver o já descoberto, em se manter naquela postura tão incolor do ‘’sempre se fez assim”. Para que pensamentos criadores se façam, para que desejos não embotem a vontade e o querer, para que se mantenha a luz dessa benfazeja inquietação, que torna as pessoas vibráteis, amplas, vivazes e com aquele brilho de realização no olhar — conjunto esse que as faz interessantes — é preciso eliminar de vez qualquer ranço de lembrança magoada, de ânsia de vingança, de dar o troco ou de ficar cevando uma censura (nada a ver com a saudável crítica), que permaneceu por descuido ou vitimidade em nossa mente. Se possível, abandone também aquelas preocupações inúteis do tipo ”como há de ser?” antes do momento de agir. Libere a alma e o coração. Mantenha na consciência a frase esotérica ”quando o pequeno se afasta, o grande se aproxima”. É na libertação desse lixo mental que encontramos o caminho para a transcendência, através da leveza e do amor.
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Reproduzo aqui no meu espaço um texto do Colunista Luiz Alca de Sant´Anna , do jornal “A Tribuna de Santos”.
O continuismo e a mesmice nas prefeituras
Quero tecer aqui alguns comentários sobre as eleições municipais. Temos acompanhado nos jornais que o continuísmo e a mesmice pareciam ser a tônica destas eleições, quando lí, não levei isso muito a sério. Mas percebí, apurando aqui com meus botões, que algumas cidades conseguiram se sair bem, então comecei a pensar melhor sobre o assunto.
Juliano Machado, na sua coluna comentou que :
o Jornal A Folha de São Paulo informa que, dos 20 prefeitos de capitais candidatos à reeleição, 12 venceram no primeiro turno e os outros oito foram para a segunda fase da disputa. Ninguém ficou no meio do caminho. O uso da máquina administrativa e o fortalecimento do caixa das prefeituras em relação a 2004 são apontados pelo jornal como possíveis causas dessa supremacia. No mês de Setembro, a mídia em geral já havia noticiando que o cenário positivo na economia brasileira deveria refletir o bom fôlego dos eleitores nos municípios, e pela lógica em time que está ganhando não se mexe.
Em São Paulo, onde moro e voto desde 1996, Gilberto Kassab conseguiu não só passar para segundo turno quanto estar à frente da petista Marta Suplicy o 2º turno inteiro. Todas as pesquisas mostram esta tendência evidente. Depois daquele comentário infeliz no auge da crise aérea (quem consegue esquecer aquilo ? ) e de episódios como a taxa do lixo e as famosas escolas de lata de sua gestão anterior como prefeita de São Paulo, é uma imensa vitória e mostra a força da sua imagem bem construída. Nas coletivas da Marta as quais ela falava mais como sexóloga (apesar de ser também deputada federal, se não me engano) e confesso que, na maioria das vezes sempre gostei de seu discurso. Ao vivo ela parece elegante, altiva e sua postura sempre com aquele discurso inteligente e sem preconceitos agradava a maioria. Mas era outra época, o PT não tinha chegado ao poder (estávamos no primeiro mandato governo de FHC) e não vivíamos este risco iminente de uma hegemonia que nos force a uma falsa democracia. Hoje chego à conclusão que votar em político inexpressivo como Kassab – que foi homem de planejamento de Celso Pitta, alguém que não se esforça ao menos em ser popular nem na vida pessoal nem nas propostas políticas – é uma forma de expressarmos que queremos apenas um político que realize algo de concreto em favor da sociedade. Será que vamos conseguir o que esperamos ?
Nas próximas eleições, o TSE deveria proibir TODO e QUALQUER tipo de propaganda eleitoral externa para vereadores em cidades com menos de 100 mil habitantes. O cara teria que entregar santinho batendo de porta em porta e falar aberto e sinceramente com o seu futuro eleitor. Isso pouparia os meus e os seus, os nossos ouvidos de tantas promessas mirabolantes e ainda e obrigaria o político a conhecer as dificuldades e os pontos vulneráveis de sua cidade, pisando em esgôtos, entrando com o carro em ruas esburacadas e sentindo o sufôco de andar numa rua esburacada por falta de asfalto. Ele seria obrigado a constatar as filas nos postos de saúde, as condições das creches e a falta de cadeiras, mesas, cadernos, uniformes, computadores e de merendas nas escolas. Ele se preocuparia em ouvir diretamente os eleitores, saber quais são suas reclamações e teria condições de decidir o que pretende fazer quando for efetivamente eleito, longe das idéias incríveis de seus homens de marketing, pagos a peso de ouro, que colocam no papel planos absurdos que não vingam. E quem sabe, mesmo os desonestos (que infelizmente são a maioria dentre os candidatos) aprendessem com essa lição a ter um pouco de respeito pelas pessoas, trabalhando o mínimo que fosse em respeito e confiança ao voto por elas depositado a seu favor.
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