Blog da Márcia Guimarães

A Mídia e a Modernidade

A Internet em especial, cujo crescimento comparativo é muito maior em relação aos outros meios de comunicação, tanto em número de usuários, como de iniciativas no setor da comunicação. As mudanças na economia política resultaram em quatro tendências, de acordo com Thompson (1995): a concentração, a diversificação, a globalização e a desregulamentação.

A primeira delas, concentração, se refere ao fenômeno em que as indústrias midiáticas passaram a ser concentradas nas mãos de poucas corporações. Isso tanto no âmbito regional quanto mundial. Caparelli (1982) analisa a concentração das indústrias de informação sobre o ponto de vista horizontal – quando a empresa tem vários empreendimentos dentro de um mesmo tipo de produção; e diagonal – quando uma empresa controla outros ramos industriais. Além disso, explica que: Falamos em concentração horizontal de propriedade dos meios de comunicação. Mas, à semelhança de outros países da América Latina, existe também uma concentração vertical de propriedade, sendo que a um mesmo proprietário pertencem, além do canal de televisão, emissoras de rádio, jornais e revistas. E mais ainda: alguns deles poderiam receber a classificação de Arndt, que fala na concentração diagonal, que se aproximaria do conglomerado: além dos negócios na comunicação, participam também de grandes empreendimentos no setor
primário, secundário e terciário (1982, p.100).

Dênis de Moraes (1998) explica também que a concentração pode ser de propriedade cruzada, quando os conglomerados possuem diferentes meios de comunicação e monopólio em cruz, quando a reprodução das mensagens é emitida pelos diversos veículos em níveis local e regional. Moraes explica que, no caso brasileiro, os dispositivos legais não são cumpridos. Essa observação também foi feita por Anamaria Fadul que chama a atenção para o grande poder de concentração dos grupos descumprindo o parágrafo 5º do artigo 220 da atual Constituição que proíbe o monopólio e oligopólio e o Código Brasileiro de Telecomunicações (1962) que determina que o grupo ou pessoa não pode ter participação em mais de 10 emissoras de TV no país, sendo cinco, no máximo, em VHF.

Uma das principais características dos grupos brasileiros é sua dimensão multimídia e o grande poder de concentração. Esse fato é resultante da não existência na legislação brasileira de formas que impeçam a concentração e a propriedade cruzada dos grupos de mídia. A Constituição de 1988 simplesmente condena os monopólios, mas sem apresentar instrumentos de uma ação efetiva nessa área (1998b, p.83).

A segunda tendência é a diversificação. “Processo pelo qual as companhias expandem suas atividades para diferentes campos ou linhas de produção, tanto adquirindo companhias que já operam nesses campos, como investindo capital em novos desenvolvimentos” (Thompson, 1995, p.257).

De acordo com Thompson, graças às duas primeiras tendências foram formados conglomerados de comunicação. “A concentração e diversificação das indústrias da mídia levou à formação de conglomerados de comunicação que possuem grandes interesses numa variedade de indústrias ligadas à informação e comunicação” (1995, p.258). Para Gisela Taschner (1992), o conglomerado é um conjunto de empresas que atua em diversos campos, podendo seu crescimento ser interno ou externo, ou então, dependendo do caso, nas duas direções.

Com as mudanças ocorridas na mídia, de acordo com Dênis de Moraes, os conglomerados tomaram como parâmetros a produtividade, competitividade, lucratividade e racionalidade gerencial. Para tanto, buscam conferir escala a seus produtos, por intermédio de alianças e parcerias entre si con os grupos regionais; absorvem firmas menores ou concorrentes, diversificam investimentos em áreas conexas. O resultado não
poderia ser outro: uma brutal concentração de atividades nas mãos de poucas companhias (quase todas baseadas nos Estados Unidos da América) e uma aglomeração de patrimônios e ativos sem precedentes. Nem a Internet – por concepção, refratária a comandos e hierarquias – escapa dos tentáculos lançados pelas superempresas, ávidas por comércio eletrônico e serviços on line, engenhosas soluções propiciadas pelo caráter descentralizado e multipontual da rede (1998, p.11).

Na visão de Thompson (1995), a terceira tendência é a globalização com a transnacionalização (facilitada pelo desenvolvimento das tecnologias), exportação e produção de bens da mídia para o mercado internacional. Assim, o que parecia distante tornou-se perto. Isso pode ser percebido na facilidade oferecida, por exemplo, por uma TV a cabo ou via satélite que transmite programas nacionais e estrangeiros, seduzindo só no Brasil, conforme o Anuário de Mídia 98/99, 2,5 milhões de assinantes da TV fechada, sendo que hoje, verifica-se que está em crise, como é o caso da Globo Cabo. Além disso, já é possível ler revistas e jornais estrangeiros em português, graças ao contrato de vários veículos com as proprietárias das edições. Bem que, para Thompson (1998), a globalização da comunicação tem sua origem no século XIX, quando o fluxo internacional de informação assumiu uma forma organizada. Foi somente no século XIX, porém, que as redes de comunicação foram organizadas sistematicamente em escala global. Foi no século XIX, portanto, que a globalização se firmou. Isto se deveu em parte ao desenvolvimento de novas tecnologias destinadas a dissociar a comunicação do transporte físico das mensagens. Mas foi também ligado diretamente a considerações econômicas, políticas e militares (1998, p.137).

Apesar da globalização da comunicação ter surgido no século XIX, torna-se, de acordo com Thompson (1998), um fenômeno típico do século XX, pois os conglomerados passam a atuar em grande escala, as novas tecnologias desenvolvem- se bruscamente, os produtos da mídia passam a circular num mercado internacional tendo diversas reações na captação do material transmitido pelas redes globais.

A globalização da comunicação no século XX é um processo dirigido principalmente por atividades de conglomerados de comunicação em grande escala. (…) Conglomerados de comunicação expandiram suas operações para outras regiões fora de seus países originais; e parte dos interesses financeiros e industriais, dentro de explícitas políticas globais de expansão e diversificação, foi canalizado para a aquisição substancial de ações nos setores de informação e de comunicação. Através de fusões, compras ou outras formas de crescimento corporativo, os grandes conglomerados assumiram uma presença sempre maior na arena global do comércio de informação e comunicação (1998, p.143 e 144).

Já a quarta tendência, segundo Thompson (1995), é a desregulamentação, onde a legislação dos meios de comunicação foi suspensa em vários países para facilitar o desenvolvimento da mídia e atender os interesses de seus empresários. De acordo com Dênis de Moraes (1998), com a desregulamentação, os países passaram a ser vistos pelos grupos de mídia como lugares sem fronteiras, possibilitando o crescimento dos conglomerados na América Latina. Coincidindo com o início da desregulamentação e da desestatização, as novas tecnologias impulsionaram o crescimento das comunicações na América Latina, particularmente entre 1987 e 1991. Os impactos sucederam-se, em gradações diversas, de país para país: aumento considerável do número de emissoras de televisão; lançamentos de satélites domésticos; disseminação das antenas parabólicas; funcionamento de emissoras de TV em UHF; implantação e inserção nas redes mundiais de transmissão de dados; introdução da televisão por assinatura (a cabo, por satélite e microondas); formação de redes regionais de TV; e importação de equipamentos de telecomunicações e de radiodifusão. O barateamento do uso de satélites e o aumento de demanda por parte das cadeias de TV alargaram o mercado para os centros de produção norte- americanos (…). (1998, p.65).

Estudos de Comunicação Social.


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Primeira Conferência Nacional de Comunicação : pela universalização da comunicação


Se o espectro do rádio e da TV são públicos, por que pouco temos voz dentro deles? E por que não nos escutam quando pretendemos debater o teor do conteúdo veiculado? Há anos, questões éticas e de direitos humanos estão necessitando de um debate no que diz respeito à comunicação no Brasil e suscitam um retorno do governo federal. Durante o Fórum Social Mundial deste ano, essa resposta finalmente veio: o presidente Lula anunciou que convocaria para 2009 a primeira Conferência Nacional de Comunicação.

Em entrevista recente, Carolina Ribeiro, fala sobre as discussões em andamento que devem pautar essa primeira conferência e os objetivos desse encontro. Segundo Carolina, as conferências foram uma grande bandeira deste governo para “conversar” com a sociedade, porém a de Comunicação só saiu por pressão, pois diversos setores do governo estão vinculados a algum veículo de comunicação. “O que defendemos é um controle social sobre o uso das concessões. Achamos necessário e fundamental que a sociedade participe de alguma forma do uso dessas concessões”, afirma.

Como estão as negociações para a realização da I Conferência Nacional de Comunicação?

Carolina Ribeiro – No dia 28 de janeiro, o presidente Lula anunciou, numa coletiva de imprensa que aconteceu depois do encontro dos presidentes que ocorreu no Fórum Social Mundial, que realizará neste ano o Fórum Nacional de Comunicação. Já havia uma articulação da sociedade e dos movimentos sociais desde 2007 para reunir em Brasília uma comissão para a conferência. Nós comemoramos muito o fato de esse anúncio ter acontecido e ter sido feito durante o Fórum Social Mundial. Inclusive, foi lá que fizemos a primeira plenária da comissão, depois do anúncio de que a conferência seria mesmo realizada. Depois do FSM, tivemos uma audiência com quatro assessores do Executivo Nacional: Marcelo Bechara, do Ministério das Comunicações; Diogo Santana, chefe de gabinete de Gilberto Carvalho (que, por sua vez, é chefe de gabinete de Lula); Gerson de Almeida, da Secretaria Geral da Presidência; e Sylvio Kelsen Coelho, da Secretaria de Comunicação Social.

Além disso, participaram outros dez representantes da sociedade e, assim, iniciamos o debate para construir a conferência. Nessa primeira reunião, ficamos de apresentar para o Executivo uma proposta de temário de objetivos e calendário e de grupo de trabalho. Enfim, a proposta da sociedade para compor o grupo de trabalho que vai detalhar todos os aspectos da conferência. O governo recebeu nossa proposta e ainda tivemos um retorno de quando irá sair o decreto de convocação e o quanto da nossa proposta foi aceita. Esperamos que, na próxima semana, já tenhamos esse retorno e, com isso, possamos começar a organizar a conferência, mobilizar as comissões estaduais etc. É nesse ponto em que, atualmente, estamos em relação à Conferência Nacional de Comunicação.

Por que o governo Lula resistiu tanto em convocar a Conferência?

Carolina Ribeiro – Foi uma grande bandeira desse governo a participação popular por meio de conferências. Cerca de 50 conferências já foram realizadas. Só que a comunicação é um tema um tanto “espinhoso”. O Ministro das Comunicações é um representante declarado dos interesses dos radiodifusores comerciais, que têm uma influência muito grande no Congresso e no próprio Executivo. Além disso, envolve interesses políticos dos próprios políticos, que são, muitas vezes, donos de rádios e TVs grandes, o que dificulta qualquer debate mais profundo de democratização, de construir diretrizes políticas públicas para essa área. Então, por esse motivo, o governo resistiu por tanto tempo, mas por pressão da sociedade, a partir dos vários encontros que fizemos para mostrar a vontade da população em discutir esse tema, conseguimos inclusive que alguns empresários se posicionassem em favor da conferência. O clima de “todo mundo quer a conferência” foi uma pressão demais para que o presidente continuasse se omitindo em relação a esse processo. E aí, finalmente, esse anúncio da convocação saiu agora em janeiro.

Os movimentos sociais tratam o direito da comunicação como um direito humano, porém, via de regra, compreende-se os direitos humanos como aqueles direitos básicos de saúde, educação, alimentação. A senhora poderia explicitar essa tese?

Carolina Ribeiro – Não existe uma visão geral de compreensão de todos os movimentos sociais defendendo o direito à comunicação de uma forma única. Para o Intervozes, o direito à comunicação abarca a garantia a pluralidade e a diversidade de vozes em todos os níveis, desde a difusão até o acesso. Essa bandeira máxima passa por diversos debates, como a democratização do espectro da radiodifusão, pois hoje você tem uma mídia extremamente concentrada na TV. Essa é uma parte do direito à comunicação. Outra parte vai em outra direção: a universalização da banda larga. Com esse direito, todas as pessoas terão acesso à informação de uma forma geral. Então, temos uma série de bandeiras para se garantir acesso, produção e difusão de comunicação para a população como um todo e, desta forma, construiremos um regime de comunicação democrático e plural.

Qual é o marco regulatório básico que os movimentos sociais defendem para a área da comunicação?

Carolina Ribeiro – Assim como o próprio direito à comunicação é complexo, não existe um marco regulatório básico. Existe a necessidade de ter esse marco regulatório que dê conta da convergência e a digitalização que vem por aí, que dê conta do fato de o Brasil ter 99% das residências com televisão, mas apenas 20% têm acesso à internet. Esse marco precisa abarcar, de alguma forma, todas essas frentes que a comunicação trabalha. Temos uma série de reivindicações, que estão concentradas num plano nacional de direitos humanos, mas são vários setores reivindicando coisas específicas, marcos e diretrizes gerais.

Está na pauta dos movimentos o pedido de cassação de concessão de canais de TV?

Carolina Ribeiro – O que defendemos é um controle social sobre o uso das concessões. Achamos necessário e fundamental que a sociedade participe de alguma forma do uso dessas concessões. Em novembro, houve duas audiências públicas grandes sobre o uso das concessões da Globo, Record e da Rede TV. Essa é uma forma de exercermos esse controle social. A partir disso, apresentamos um dossiê com denúncias de que essas e outras emissoras veicularam conteúdos que violaram direitos humanos, a porcentagem de publicidade, entre outros. É importante que haja debate nesse sentido, para que a população possa dar sua opinião.

No Brasil, quais as mídias, em sua avaliação são mais perniciosas para a formação do povo brasileiro?

Carolina Ribeiro – A tendência da mídia comercial, como um todo, é mostrar um lado da vida, das coisas. A história do MST é clássica: quando ele ocupa uma fazenda improdutiva, a mídia o criminaliza e diz que ele invadiu a terra. A mulher, quando retratada na televisão, é apenas bunda, peito e burra. O negro é sempre o bandido, o motorista ou empregado. No geral, o conteúdo tende a ser numa direção única, sem distinções entre canais. Isso prejudica a pluralidade, não dá conta da diversidade da cultura brasileira, o que acaba prejudicando a democracia e a formação de um povo como um todo.

A I Conferência Nacional de Comunicação pode significar mudanças reais na política de comunicação do país?

Carolina Ribeiro – As conferências têm, cada uma, um processo diferente. A nossa é a primeira. Nós vamos enfrentar uma conferência um pouco diferente, porque ela vai ter a presença de empresários da comunicação e o próprio ministério das Comunicações alinhado com esse empresariado. Quem executa
as políticas, deliberações e resoluções das conferências é o Executivo. Não podemos ser ingênuos a ponto de achar que a conferência vai fazer a revolução da comunicação. De qualquer forma, será um processo muito importante porque vai pautar a comunicação na sociedade, mobilizá-la para discutir a comunicação e pensar esse setor como um direito. Só esse processo de construção e discussão da pauta já é um grande avanço, porque não conseguimos ver um debate sobre comunicação na mídia, porque a ela não interessa esse debate. É possível que algumas das deliberações e diretrizes apontadas sejam implementadas, mas isso irá depender muito do Executivo.


Carolina Ribeiro é jornalista e coordenadora do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

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Seja mais eficiente online : organize seus e-mails

Todos que me conhecem, sabem que e-mail é a minha principal ocupação na internet. Procuro utilizar outras feramentas mas o e-mail domina boa parte do meu tempo online.

Uma das funções menos utilizadas pelos usuários de e-mail é o campo cc (carbon copy), que envia uma cópia da mensagem aos usuários deste campo. Seria complicado tentar educar todos que se comunicam comigo a utilizar este campo de maneira correta, já que mais de 70% dos e-mails que envio são de pessoas com quem me comunico frequentemente, como : pessoas do meu trabalho, colegas de estudos, professores, família, amigos, enfim.

Como pedir a colaboração destas pessoas para ser mais eficiente ? Simples, foi só criar : uma expectativa de uso do campo, e uma regra no meu e-mail que marque as mensagens em cc.

A expectativa: mande um único e-mail para seus contatos mais frequentes explicando o seguinte: para assuntos em que voce tenha que agir (responder, tarefas a cumprir, etc), seu endereço vai no campo “para”. Para outros assuntos, em que você tenha somente que se inteirar, seu endereço vai no campo “cc”.

Crie uma regra no seu cliente de e-mail favorito (no meu caso o Gmail), que classifique as mensagens em que seu endereço está no campo “cc”, e faça algo para diferenciá-las das demais (uma determinada cor, por exemplo).

Ao implementar esta opção, passei a ter mais controle sobre as mensagens que chegam na minha caixa de entrada e tornei-me mais produtiva quando estou online. Grande parte dos e-mails que recebo são somente “cc”, que, portanto leio rapidamente e não preciso fazer nada senão arquivar.


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Jornalismo é mais que 140 caracteres

Em tempos de catástrofe – Santa Catarina, Mumbai – a utilização maciça da internet para alertar, informar e mobilizar, influindo no curso dos acontecimentos a ponto de salvar vidas, dá a impressão de que, comparada com os novos recursos da comunicação instantânea, suscinta, de livre acesso e infinitas mãos de direção, a chamada imprensa convencional é uma anciã entrevada.

O problema é que essa comparação peca pela base. Em papel ou na tela, o jornalismo de fato não dá para a saída em matéria dos atributos que fizeram do Twitter, por exemplo, a mais recente sensação das redes sociais virtuais, explorando a plataforma que já passou à frente do computador: o celular.

Nos atentados em Mumbai, mensagens via Twitter – de até 140 caracteres cada – seguiam à razão de uma por segundo [segundo uma reportagem do New York Times, que no entanto não esclarece como se chegou a esse número].

Mas o jornalismo não pode ser avaliado por sua capacidade de enviar mensagens urgentes de 140 caracteres. Se, nessas horas, diz ou não diz a que vem, será por ter estado, ou não, à altura do que dele é justo esperar.

Quando se fala em jornalismo, aqui, fala-se ainda, em primeiro lugar, do jornalismo escrito, alcance ele o público pelo meio que for.

Isso porque, embora a TV possa mostrar as coisas “como as coisas são”, enquanto ocorrem – com todo o seu inseparável componente de espetáculo, quando não de espetáculo pelo espetáculo -, a imprensa escrita continua imbatível como sistema de produção e transmissão de informações articuladas, a partir das quais o leitor pode ter uma noção, caso a caso, de como funciona o mundo.

Não em 140 caracteres, naturalmente.

Dito de outro modo, trata-se de dois serviços distintos de utilidade pública. Um, prestado por legiões de pessoas agindo por iniciativa própria ou reagindo espontaneamente a iniciativas alheias. Outro, prestado por organizações criadas para vender notícias – e, infelizmente, cada vez mais, para vender essa lavagem chamada entretenimento de massa.

O Twitter, ou coisa do gênero, é uma forma escandalosamente superior de fazer circular aos quatro ventos, entre outras coisas, fatos que os emissores e receptores (cujos papéis são intercambiáveis) consideram essenciais em dada circunstância.

Por exemplo, no caso dos atentados terroristas em Mumbai, os endereços de hospitais para doação de sangue. É o que faz o bom e velho rádio, mas deixando o registro por escrito em alguns centímetros quadrados na palma da mão das pessoas.

Quanto mais esse tipo de recurso se propagar, levando a patamares inimagináveis há poucos anos o fluxo e a amplitude da informação tópica, pontual – de varejo, em suma, por importante que seja para os interessados – mais a imprensa terá de oferecer o que está além do alcance dos Twitters deste mundo: a informação no atacado.

Com isso se quer repetir, com sintonia ainda mais fina, o que se passou a cobrar do jornalismo impresso quando a televisão se instalou como o meio por excelência de difusão de notícias em escala global: perspectiva, ou, com perdão da má palavra, contextualização.

E com isso se quer dizer informações não apenas certificadas – o calcanhares de Aquiles do reportariado amador, também conhecido como jornalista-cidadão – mas articuladas entre si e, eventualmente, com as que digam respeito a situações, processos e protagonistas, presentes e passados, de esferas diferentes daquelas que são o objeto direto de cada cobertura.

Certa vez, Cláudio Abramo, um dos maiores jornalistas de sua geração, mesmo pelos padrões internacionais mais exigentes, dizia, brincando, que o jornal de seus sonhos seria aquele que traria uma única notícia. Ou seja, o produto de um jornalismo capaz de integrar todas as matérias de que se ocupasse a cada dia.

Quanto menos distante dessa fantasia ficar um jornal ou uma revista – aliás, os semanários nasceram com uma preocupação aparentada a essa: além de resumir a semana, articular os eventos que se prestassem a isso de forma a “separar aquilo que é notícia daquilo que só é barulho”, como dizia um anúncio da Time [em inglês soa melhor: "what makes news from what just makes noise"].

Vai sem dizer que isso não pode se dar às custas ou à desconsideração de tudo mais que o periódico deve entregar ao leitor em troca do seu dinheiro: clareza, leveza (não confundir, pelo amor do que se queira, com ligeireza), brevidade, diversidade de focos e pontos de vista, atratividade – e “humanidade”.

É secundário, a rigor, se a mídia convencional ficou ou não a reboque de uma legião de não-jornalistas com seus celulares, informando o mundo do que se passava ali onde os repórteres profissionais não conseguiam chegar, ou não chegaram a tempo, em Mumbai ou em Blumenau.

A pergunta é: as organizações jornalísticas foram ou não capazes, lá e cá, de dar uma visão dos fatos (ou mais de uma) que fizesse sentido, porque escorada em apurações exaustivas e não restrita ao imediatismo das situações?

Escreveu-se no parágrafo anterior “organizações” de propósito. Pois é esse sistema – o modo de produção da notícia, a partir de redações estruturadas e de procedimentos padronizados – que dá a um jornal ou revista as condições necessárias, ainda que não suficientes, para que faça o que se propõe.

E é o que os diferencia de tantas quantas redes informais de coletores de informação surjam quando algo motiva os seus membros – com os quais, diga-se desde logo, os jornalistas terão de interagir cada vez mais e sem preconceitos.

Quando o jornalismo organizado não funciona, a culpa não é de ser organizado, mas da mutilação das redações – que representam a encarnação desse conceito – perpetrado pelos mãos-de-tesoura das empresas jornalísticas.

E aí se cai no pior dos mundos possíveis – em que a imprensa perde em agilidade para os twitteiros e blogueiros, e ao mesmo tempo, por falta de estrutura, recursos e qualidade de suas equipes, perde em aptidão para fazer o que não está ao alcance daqueles: montar o quebra-cabeça dos acontecimentos do dia-a-dia.


Por Luiz Weis.


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Marx, Marx & Marx

Publicado em Cidadania & Educação, Generalidades, Informação por Marcia Guimaraes em 10/12/2008

O arcebispo católico de Munique, Reinhard Marx, lançou há pouco um livro intitulado “O Capital”. A capa contém as mesmas cores e fontes gráficas da primeira edição de “O Capital”, de Karl Marx, publicada em Hamburgo, em 1867.

“Marx não está morto e é preciso levá-lo a sério”, disse o prelado por ocasião do lançamento da obra. “Há que se confrontar com a obra de Karl Marx, que nos ajuda a entender as teorias da acumulação capitalista e o mercantilismo. Isso não significa deixar-se atrair pelas aberrações e atrocidades cometidas em seu nome no século XX”.

O autor do novo “O Capital” qualifica de “sociais-éticos” os princípios defendidos em seu livro, critica o capitalismo neoliberal, qualifica a especulação de “selvagem” e “pecado”, e advoga que a economia precisa ser redesenhada segundo normas éticas de uma nova ordem econômica e política.

“As regras do jogo devem ter qualidade ética. Nesse sentido, a doutrina social da Igreja é crítica frente ao capitalismo”, afirma o arcebispo. E acrescenta: “Um capitalismo sem marco regulatório é hostil às pessoas”.

O religioso reflete bem a posição oficial da Igreja Católica perante o capitalismo: criticam-se seus “abusos”, como se esses não fizessem parte de sua própria essência, baseada na acumulação privada da riqueza.

E quem haverá de pôr o guizo no pescoço do gato? O Estado capitalista é capaz de exercer a função de “marco regulatório” e impor limites à especulação e à exploração? Se um governo democrático-popular o faz, como ocorre hoje em países da América do Sul, desencadeia-se a grita geral de que é “populista” e “totalitário”.

O livro se inicia com uma carta de Reinhard Marx a Karl Marx, a quem chama de “querido homônimo”, falecido em 1883. Roga-lhe reconhecer agora seu equívoco quanto à inexistência de Deus. O que sugere, nas entrelinhas, que o religioso admite que o autor do “Manifesto Comunista” se encontra entre os que, do outro lado da vida, desfrutam da visão beatífica de Deus.

O lançamento da obra coincide com a turbulência financeira que, de certa forma, confirma as teorias de Karl Marx quanto às crises cíclicas do capitalismo. Contudo, o arcebispo ressalta que seu homônimo acertou muito pouco em suas previsões revolucionárias, como o surgimento do socialismo em países de avançado desenvolvimento capitalista. O que se viu foi o contrário, o socialismo florescer primeiro num país semi-feudal como a Rússia.

Falta ao livro explicar por que a Igreja Católica da Alemanha jamais excomungou Hitler, que se dizia católico, e também se equivocou ao aplicar boa parte de seus fundos no banco Lehman Brothers, cuja falência confirma, sim, as previsões do velho Marx.

Tudo indica que a obra de monsenhor Reinhard fomentará um novo interesse pelas do seu homônimo, assim como nas décadas de 1960 e 1970 muitos jovens, encantados em abraçar o marxismo, foram aprendê-lo no livro “O pensamento de Karl Marx”, escrito, para refutá-lo, pelo jesuíta Jean-Yves Calvez. Sua edição portuguesa, em dois tomos, era disputadíssima em meus tempos de prisão sob a ditadura militar.

Entre um Marx e outro convém não esquecer de um terceiro que figura entre os dois: Groucho Marx. Em matéria de concepções materialistas o humorista estadunidense não merece reparos: “Há coisas mais importantes que o dinheiro, mas… custam tanto!”

Que o digam aqueles que, ao ocuparem funções de poder, abandonaram suas antigas concepções socialistas e, hoje, liberam R$ 8 bilhões (metade a União, metade o governo de São Paulo) para salvar da crise a indústria automobilística instalada no Brasil. Por que não destinar tais recursos à ampliação do metrô, que favorece a coletividade?
Só mesmo Groucho Marx para explicar: “Estes são meus princípios; se você não gosta deles, eu tenho outros”.


Escrito por Frei Betto  -  escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.

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Que Google, que nada !

Publicado em Cidadania & Educação, Generalidades, Informação, Internet, Notícias por Marcia Guimaraes em 16/11/2008

Novo mecanismo de busca, fuça nas entranhas da Internet

Quem nunca ouviu boatos de que uma nova ferramenta de busca irá desbancar a hegemonia do Google ? Calma ! Este post não irá te surpreender, embora esta deveria ser a minha intenção. Temos agora o DeepDyve, suposto concorrente só que com o lastro da Mountain View, e com ele estão alguns dos geniais cientistas da atualidade : mentes brilhantes que fazem parte do Projeto Genoma Humano.

A iniciativa aproveita técnicas utilizadas para fazer o mapa genético dos seres humanos e, permite que o usuário encontre páginas não relacionadas nos outros buscadores. Como a maioria do serviços mostram o resultado da pesquisa baseando-se no trafégo dos sites mais populares, há muito conteúdo que acaba ficando esquecido. Conforme recente estudo realizado na Universidade de Berkeley, existem cerca de aproximadamente 91000 TB “ocultos” nas partes mais profundas da web e é esta faixa que o serviço pretende trazer aos usuários. A possibilidade de fuçar nas profundezas da rede.

A principal inovação do DeepDyve é a de possibilitar a utilização deste motor de buscas com sentenças inteiras (se desejar, com até 25 mil caracteres) a qual o Google se limita apenas a encontrar até 32 palavras.

Considerando-se que este novo site está mantendo sua principal convergência em assuntos específicos como : saúde, física e ciências de um modo geral, e mesmo sendo de uso ainda limitado, fica evidente que ele não pretende destronar o maior mecanismo utilizado em todo o mundo, mas não deixa de ser mais uma importante iniciativa a caminho favorecendo a todos nós, usuários de pesquisas
na internet.

Pesquise nos sites :

| http://www.deepdyve.com |

| http://www.genome.gov |

| http://www2.sims.berkeley.edu/research/projects/how-much-info-2003 |

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DIPLOMA DE JORNALISMO

Publicado em Cidadania & Educação, Generalidades, Informação, Internet, Meio ambiente, Notícias, Saúde por Marcia Guimaraes em 30/10/2008

Estrabismo insistente estreita a razão

Uma confusão tem sido recorrente no debate que cerca a obrigatoriedade do diploma para jornalistas: tomar por sinônimas as expressões “liberdade de expressão” e “exercício profissional”. Entretanto, existe um abismo entre as duas coisas.

Em resposta ao post que criticava a ideologização da discussão, o jornalista Mauricio Tuffani afirma que o que está em jogo no Supremo Tribunal Federal é…

“…uma concepção do direito de liberdade de expressão que tem um significado muito maior que aquele insistentemente repetido por muitos sindicalistas e professores de jornalismo. Trata-se de um direito que não pertence apenas à categoria dos jornalistas, mas a toda a sociedade”.

Mas é evidente que o direito à livre expressão não é e não pode ser um privilégio de jornalistas. Este direito é extensivo a todas as pessoas, na medida em que garante a elas a troca de idéias, a manifestação do pensamento, a formulação de opiniões e juízos. É um direito previsto na legislação e em protocolos consagrados internacionalmente, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, como já citou Tuffani. O artigo 19, em especial, merece uma leitura mais atenta que a realizada pelo autor:

“Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.”

Note-se que o artigo não menciona “produzir” ou “elaborar” informações. Isto é, o direito vige numa esfera ampla, generalista, e não restritiva ao mundo do trabalho. Jornalistas também são cidadãos, e também gozam do direito da livre expressão. Mas em sua condição profissional, produzem, elaboram, difundem informações com o propósito de abastecer a sociedade com dados que permitam uma compreensão melhor da realidade.

Habilitação legalNão se pode esquecer também que o conjunto das atividades jornalísticas não se resume apenas à livre expressão. Há colunistas, articulistas, editorialistas que, sim, ocupam-se da formulação de idéias e da sua disseminação em escala massiva. Mas os demais profissionais do jornalismo não se expressam em suas lidas diárias. O que fazem é tentar oferecer ao público relatos dos acontecimentos que, porventura, foram alçados à condição de noticiáveis. Para alcançar essa situação, os fatos devem conter elementos que dialoguem com valores de noticiabilidade, elaborados no mundo do jornalismo e que, cotidianamente, ajudam a organizar essa atividade. Esses valores compõem um rol de saberes específicos da profissão, conhecimentos a que se tem acesso nas escolas de jornalismo.

Mas voltando à Declaração Universal, encontramos o inciso 2 do artigo 29 que é esclarecedor na tensão entre direito e lei.

“No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.”

Isto é, o direito à livre expressão se estende até a fronteira que inicia a demarcação de uma atribuição profissional, a regulamentação do exercício jornalístico, por exemplo. Note-se que não há contradição entre os artigos, mas complementaridade já que são contemplados o direito do cidadão comum a manifestar sua opinião e o direito do jornalista a exercer sua profissão (conforme o artigo 23).

Se recorrermos à Constituição Federal e ao próprio Tuffani, veremos que os dois direitos são também atendidos.

“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (inciso IX do artigo 5º).

“É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer” (inciso XIII do artigo 5º).

Desta forma, insisto que não se deve tomar por idênticos o direito à livre expressão e o exercício profissional do jornalismo. Se assim o fizermos, poderíamos por extensão confundir o direito à justiça com o exercício da advocacia, ou o direito à saúde com a prática da medicina. Em todos esses casos, o direito mais geral não colide com a atribuição profissional, que depende de qualificação técnica, de habilitação legal e de competências e habilidades específicas. Misturar as coisas é fazer prevalecer um estrabismo que prejudica nossa visão e compreensão. Embaçar as fronteiras entre ambos provoca, isso sim, o estreitamento da razão.

Justificativa socialSe o que está em discussão no STF no imbróglio sobre o diploma é a concepção de direito à liberdade de expressão, esse debate não pode desconsiderar o lugar estratégico que a mídia (seus veículos, sistemas e profissionais) ocupa na vida social atualmente. Cada vez mais central na existência contemporânea, a dimensão da comunicação social precisa dispor de profissionais altamente capacitados para fazer as mediações necessárias entre os fatos e os públicos, contribuindo para o entendimento e o desenvolvimento humano e social.

O jornalista e professor Eugenio Bucci formulou uma definição de jornalismo que é, ao mesmo tempo, ampla e precisa: o jornalismo é uma atividade que existe para satisfazer um direito do cidadão comum, o direito à informação. Neste sentido, essa atividade profissional – exercida por pessoas capacitadas e habilitadas – encontra justificativa social, utilidade pública e dimensão coletiva para a sua existência.

Dito dessa forma, o estrabismo insistente se dissolve e o campo de visão de abre para uma compreensão melhor do que temos adiante.


Publico aqui no meu Blog, matéria de Rogério Christofoletti, Professor do curso de Comunicação Social – Jornalismo e de Mestrado em Educação da Universidade do Vale do Itajaí; responsável pelo projeto Monitor de Mídia e integrante da Rede Nacional dos Observatórios de Imprensa.

Reproduzido do blog Monitorando, e o título original da matéria é ”Um estrabismo insistente estreita mais a razão”.

O Livro tem Futuro ?

Publicado em Generalidades por Marcia Guimaraes em 28/01/2008

“Ninguém vai se sentar e ler um romance em uma telinha flexível. Nunca.” A escritora Annie Proulx, vencedora do prêmio Pulitzer, escreveu essas palavras no jornal “The New York Times” há mais de uma década. Talvez ela tivesse uma opinião diferente se conhecesse o Kindle (pronúncia: “quíndol”), aparelho para leitura de livros eletrônicos lançado em novembro pela livraria virtual Amazon. Para convencer mesmo os mais relutantes, o Kindle usa e-ink, uma tinta eletrônica que não cansa os olhos e o download direto de um acervo gigante de livros – sempre mais baratos que na versão em papel.