Blog da Márcia Guimarães

A Mídia e a Modernidade

A Internet em especial, cujo crescimento comparativo é muito maior em relação aos outros meios de comunicação, tanto em número de usuários, como de iniciativas no setor da comunicação. As mudanças na economia política resultaram em quatro tendências, de acordo com Thompson (1995): a concentração, a diversificação, a globalização e a desregulamentação.

A primeira delas, concentração, se refere ao fenômeno em que as indústrias midiáticas passaram a ser concentradas nas mãos de poucas corporações. Isso tanto no âmbito regional quanto mundial. Caparelli (1982) analisa a concentração das indústrias de informação sobre o ponto de vista horizontal – quando a empresa tem vários empreendimentos dentro de um mesmo tipo de produção; e diagonal – quando uma empresa controla outros ramos industriais. Além disso, explica que: Falamos em concentração horizontal de propriedade dos meios de comunicação. Mas, à semelhança de outros países da América Latina, existe também uma concentração vertical de propriedade, sendo que a um mesmo proprietário pertencem, além do canal de televisão, emissoras de rádio, jornais e revistas. E mais ainda: alguns deles poderiam receber a classificação de Arndt, que fala na concentração diagonal, que se aproximaria do conglomerado: além dos negócios na comunicação, participam também de grandes empreendimentos no setor
primário, secundário e terciário (1982, p.100).

Dênis de Moraes (1998) explica também que a concentração pode ser de propriedade cruzada, quando os conglomerados possuem diferentes meios de comunicação e monopólio em cruz, quando a reprodução das mensagens é emitida pelos diversos veículos em níveis local e regional. Moraes explica que, no caso brasileiro, os dispositivos legais não são cumpridos. Essa observação também foi feita por Anamaria Fadul que chama a atenção para o grande poder de concentração dos grupos descumprindo o parágrafo 5º do artigo 220 da atual Constituição que proíbe o monopólio e oligopólio e o Código Brasileiro de Telecomunicações (1962) que determina que o grupo ou pessoa não pode ter participação em mais de 10 emissoras de TV no país, sendo cinco, no máximo, em VHF.

Uma das principais características dos grupos brasileiros é sua dimensão multimídia e o grande poder de concentração. Esse fato é resultante da não existência na legislação brasileira de formas que impeçam a concentração e a propriedade cruzada dos grupos de mídia. A Constituição de 1988 simplesmente condena os monopólios, mas sem apresentar instrumentos de uma ação efetiva nessa área (1998b, p.83).

A segunda tendência é a diversificação. “Processo pelo qual as companhias expandem suas atividades para diferentes campos ou linhas de produção, tanto adquirindo companhias que já operam nesses campos, como investindo capital em novos desenvolvimentos” (Thompson, 1995, p.257).

De acordo com Thompson, graças às duas primeiras tendências foram formados conglomerados de comunicação. “A concentração e diversificação das indústrias da mídia levou à formação de conglomerados de comunicação que possuem grandes interesses numa variedade de indústrias ligadas à informação e comunicação” (1995, p.258). Para Gisela Taschner (1992), o conglomerado é um conjunto de empresas que atua em diversos campos, podendo seu crescimento ser interno ou externo, ou então, dependendo do caso, nas duas direções.

Com as mudanças ocorridas na mídia, de acordo com Dênis de Moraes, os conglomerados tomaram como parâmetros a produtividade, competitividade, lucratividade e racionalidade gerencial. Para tanto, buscam conferir escala a seus produtos, por intermédio de alianças e parcerias entre si con os grupos regionais; absorvem firmas menores ou concorrentes, diversificam investimentos em áreas conexas. O resultado não
poderia ser outro: uma brutal concentração de atividades nas mãos de poucas companhias (quase todas baseadas nos Estados Unidos da América) e uma aglomeração de patrimônios e ativos sem precedentes. Nem a Internet – por concepção, refratária a comandos e hierarquias – escapa dos tentáculos lançados pelas superempresas, ávidas por comércio eletrônico e serviços on line, engenhosas soluções propiciadas pelo caráter descentralizado e multipontual da rede (1998, p.11).

Na visão de Thompson (1995), a terceira tendência é a globalização com a transnacionalização (facilitada pelo desenvolvimento das tecnologias), exportação e produção de bens da mídia para o mercado internacional. Assim, o que parecia distante tornou-se perto. Isso pode ser percebido na facilidade oferecida, por exemplo, por uma TV a cabo ou via satélite que transmite programas nacionais e estrangeiros, seduzindo só no Brasil, conforme o Anuário de Mídia 98/99, 2,5 milhões de assinantes da TV fechada, sendo que hoje, verifica-se que está em crise, como é o caso da Globo Cabo. Além disso, já é possível ler revistas e jornais estrangeiros em português, graças ao contrato de vários veículos com as proprietárias das edições. Bem que, para Thompson (1998), a globalização da comunicação tem sua origem no século XIX, quando o fluxo internacional de informação assumiu uma forma organizada. Foi somente no século XIX, porém, que as redes de comunicação foram organizadas sistematicamente em escala global. Foi no século XIX, portanto, que a globalização se firmou. Isto se deveu em parte ao desenvolvimento de novas tecnologias destinadas a dissociar a comunicação do transporte físico das mensagens. Mas foi também ligado diretamente a considerações econômicas, políticas e militares (1998, p.137).

Apesar da globalização da comunicação ter surgido no século XIX, torna-se, de acordo com Thompson (1998), um fenômeno típico do século XX, pois os conglomerados passam a atuar em grande escala, as novas tecnologias desenvolvem- se bruscamente, os produtos da mídia passam a circular num mercado internacional tendo diversas reações na captação do material transmitido pelas redes globais.

A globalização da comunicação no século XX é um processo dirigido principalmente por atividades de conglomerados de comunicação em grande escala. (…) Conglomerados de comunicação expandiram suas operações para outras regiões fora de seus países originais; e parte dos interesses financeiros e industriais, dentro de explícitas políticas globais de expansão e diversificação, foi canalizado para a aquisição substancial de ações nos setores de informação e de comunicação. Através de fusões, compras ou outras formas de crescimento corporativo, os grandes conglomerados assumiram uma presença sempre maior na arena global do comércio de informação e comunicação (1998, p.143 e 144).

Já a quarta tendência, segundo Thompson (1995), é a desregulamentação, onde a legislação dos meios de comunicação foi suspensa em vários países para facilitar o desenvolvimento da mídia e atender os interesses de seus empresários. De acordo com Dênis de Moraes (1998), com a desregulamentação, os países passaram a ser vistos pelos grupos de mídia como lugares sem fronteiras, possibilitando o crescimento dos conglomerados na América Latina. Coincidindo com o início da desregulamentação e da desestatização, as novas tecnologias impulsionaram o crescimento das comunicações na América Latina, particularmente entre 1987 e 1991. Os impactos sucederam-se, em gradações diversas, de país para país: aumento considerável do número de emissoras de televisão; lançamentos de satélites domésticos; disseminação das antenas parabólicas; funcionamento de emissoras de TV em UHF; implantação e inserção nas redes mundiais de transmissão de dados; introdução da televisão por assinatura (a cabo, por satélite e microondas); formação de redes regionais de TV; e importação de equipamentos de telecomunicações e de radiodifusão. O barateamento do uso de satélites e o aumento de demanda por parte das cadeias de TV alargaram o mercado para os centros de produção norte- americanos (…). (1998, p.65).

Estudos de Comunicação Social.


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Acordo ortográfico : mercado editorial conta lucros e prejuízos em tempos de crise

O mercado editorial está no centro das discussões sobre quem ganha e quem perde com o acordo ortográfico da língua portuguesa. Enquanto alguns avaliam que as editoras serão as principais beneficiadas com a reforma, muitas empresas do setor, tanto no Brasil como em Portugal, inicialmente se opuseram às mudanças na escrita. O presidente da União dos Editores Portugueses, Carlos da Veiga Ferreira, chegou a dizer a certa altura que havia a chance de várias empresas “boicotarem” o acordo em Portugal, por acreditarem que as editoras brasileiras, especialmente no setor de livros didáticos, ganhariam espaço na África, mercado hoje dominado pelos portugueses. Com o avanço das discussões sobre a adoção do acordo ortográfico, os editores portugueses passaram a aceitar melhor a ideia, mas ainda esperam que haja um apoio governamental substancial para o financiamento da adaptação dos livros. A preocupação é compartilhada pelas editoras no Brasil. “Há um custo grande na alteração de todos os livros existentes nos catálogos das editoras, já que os fotolitos desses livros terão de ser descartados, será necessário fazer uma revisão e novos materiais terão de ser impressos”, disse Sonia Machado, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livro do Brasil (SNEL), à BBC Brasil. “A preocupação que os associados do sindicato têm é: quem vai pagar essa conta? Quem vai absorver esse custo da adaptação dos livros antigos para a nova ortografia, sem que isso seja refletido nos preços?” Sonia Machado afirma que muitos editores não terão condições financeiras de fazer as mudanças e que alguns livros podem não ser atualizados, já que a opção de repassar os custos para o consumidor não seria uma boa estratégia em tempos de crise. Novos mercados A presidente do SNEL também rejeita a ideia de que as portas para outros mercados serão abertas com a reforma ortográfica, já que hoje os contratos de edição são territoriais. “Quando se compra o direito de publicação, o direito não é para publicar em língua portuguesa, mas para publicar em determinado país”, afirma Sonia Machado. “Isso é válido não só para o português. Na língua inglesa, por exemplo, você tem a edição americana, a edição inglesa, edição australiana.” O escritor angolano José Eduardo Agualusa diz, no entanto, que, com o acordo ortográfico, as empresas podem passar a negociar contratos de publicação em mais de um país e alcançar mercados mais amplos. Mas, na opinião dele, quem mais ganharia com as mudanças na ortografia seriam as editoras portuguesas. “O grande mercado do livro de língua portuguesa não é evidentemente a África, é o Brasil. As grandes editoras portuguesas já perceberam isso”, afirma o escritor. “O mercado africano para o Brasil é uma coisa absolutamente ridícula, porque o Brasil tem cem Áfricas dentro dele, em crescimento contínuo.” A única exceção poderia ser mesmo o setor dos livros didáticos, que é um mercado em expansão em países de língua portuguesa como Angola e Moçambique. Algumas grandes editoras brasileiras já estariam estudando um investimento na África. Outro setor que pode sair lucrando com o acordo ortográfico é o de dicionários e livros de referência sobre as mudanças na escrita. Mesmo em Portugal, onde as alterações ainda não estão em vigor, já foram lançadas várias obras de referência de acordo com as novas regras.

Informações de Iracema Sodré, de Londres para a BBC Brasil

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Primeira Conferência Nacional de Comunicação : pela universalização da comunicação


Se o espectro do rádio e da TV são públicos, por que pouco temos voz dentro deles? E por que não nos escutam quando pretendemos debater o teor do conteúdo veiculado? Há anos, questões éticas e de direitos humanos estão necessitando de um debate no que diz respeito à comunicação no Brasil e suscitam um retorno do governo federal. Durante o Fórum Social Mundial deste ano, essa resposta finalmente veio: o presidente Lula anunciou que convocaria para 2009 a primeira Conferência Nacional de Comunicação.

Em entrevista recente, Carolina Ribeiro, fala sobre as discussões em andamento que devem pautar essa primeira conferência e os objetivos desse encontro. Segundo Carolina, as conferências foram uma grande bandeira deste governo para “conversar” com a sociedade, porém a de Comunicação só saiu por pressão, pois diversos setores do governo estão vinculados a algum veículo de comunicação. “O que defendemos é um controle social sobre o uso das concessões. Achamos necessário e fundamental que a sociedade participe de alguma forma do uso dessas concessões”, afirma.

Como estão as negociações para a realização da I Conferência Nacional de Comunicação?

Carolina Ribeiro – No dia 28 de janeiro, o presidente Lula anunciou, numa coletiva de imprensa que aconteceu depois do encontro dos presidentes que ocorreu no Fórum Social Mundial, que realizará neste ano o Fórum Nacional de Comunicação. Já havia uma articulação da sociedade e dos movimentos sociais desde 2007 para reunir em Brasília uma comissão para a conferência. Nós comemoramos muito o fato de esse anúncio ter acontecido e ter sido feito durante o Fórum Social Mundial. Inclusive, foi lá que fizemos a primeira plenária da comissão, depois do anúncio de que a conferência seria mesmo realizada. Depois do FSM, tivemos uma audiência com quatro assessores do Executivo Nacional: Marcelo Bechara, do Ministério das Comunicações; Diogo Santana, chefe de gabinete de Gilberto Carvalho (que, por sua vez, é chefe de gabinete de Lula); Gerson de Almeida, da Secretaria Geral da Presidência; e Sylvio Kelsen Coelho, da Secretaria de Comunicação Social.

Além disso, participaram outros dez representantes da sociedade e, assim, iniciamos o debate para construir a conferência. Nessa primeira reunião, ficamos de apresentar para o Executivo uma proposta de temário de objetivos e calendário e de grupo de trabalho. Enfim, a proposta da sociedade para compor o grupo de trabalho que vai detalhar todos os aspectos da conferência. O governo recebeu nossa proposta e ainda tivemos um retorno de quando irá sair o decreto de convocação e o quanto da nossa proposta foi aceita. Esperamos que, na próxima semana, já tenhamos esse retorno e, com isso, possamos começar a organizar a conferência, mobilizar as comissões estaduais etc. É nesse ponto em que, atualmente, estamos em relação à Conferência Nacional de Comunicação.

Por que o governo Lula resistiu tanto em convocar a Conferência?

Carolina Ribeiro – Foi uma grande bandeira desse governo a participação popular por meio de conferências. Cerca de 50 conferências já foram realizadas. Só que a comunicação é um tema um tanto “espinhoso”. O Ministro das Comunicações é um representante declarado dos interesses dos radiodifusores comerciais, que têm uma influência muito grande no Congresso e no próprio Executivo. Além disso, envolve interesses políticos dos próprios políticos, que são, muitas vezes, donos de rádios e TVs grandes, o que dificulta qualquer debate mais profundo de democratização, de construir diretrizes políticas públicas para essa área. Então, por esse motivo, o governo resistiu por tanto tempo, mas por pressão da sociedade, a partir dos vários encontros que fizemos para mostrar a vontade da população em discutir esse tema, conseguimos inclusive que alguns empresários se posicionassem em favor da conferência. O clima de “todo mundo quer a conferência” foi uma pressão demais para que o presidente continuasse se omitindo em relação a esse processo. E aí, finalmente, esse anúncio da convocação saiu agora em janeiro.

Os movimentos sociais tratam o direito da comunicação como um direito humano, porém, via de regra, compreende-se os direitos humanos como aqueles direitos básicos de saúde, educação, alimentação. A senhora poderia explicitar essa tese?

Carolina Ribeiro – Não existe uma visão geral de compreensão de todos os movimentos sociais defendendo o direito à comunicação de uma forma única. Para o Intervozes, o direito à comunicação abarca a garantia a pluralidade e a diversidade de vozes em todos os níveis, desde a difusão até o acesso. Essa bandeira máxima passa por diversos debates, como a democratização do espectro da radiodifusão, pois hoje você tem uma mídia extremamente concentrada na TV. Essa é uma parte do direito à comunicação. Outra parte vai em outra direção: a universalização da banda larga. Com esse direito, todas as pessoas terão acesso à informação de uma forma geral. Então, temos uma série de bandeiras para se garantir acesso, produção e difusão de comunicação para a população como um todo e, desta forma, construiremos um regime de comunicação democrático e plural.

Qual é o marco regulatório básico que os movimentos sociais defendem para a área da comunicação?

Carolina Ribeiro – Assim como o próprio direito à comunicação é complexo, não existe um marco regulatório básico. Existe a necessidade de ter esse marco regulatório que dê conta da convergência e a digitalização que vem por aí, que dê conta do fato de o Brasil ter 99% das residências com televisão, mas apenas 20% têm acesso à internet. Esse marco precisa abarcar, de alguma forma, todas essas frentes que a comunicação trabalha. Temos uma série de reivindicações, que estão concentradas num plano nacional de direitos humanos, mas são vários setores reivindicando coisas específicas, marcos e diretrizes gerais.

Está na pauta dos movimentos o pedido de cassação de concessão de canais de TV?

Carolina Ribeiro – O que defendemos é um controle social sobre o uso das concessões. Achamos necessário e fundamental que a sociedade participe de alguma forma do uso dessas concessões. Em novembro, houve duas audiências públicas grandes sobre o uso das concessões da Globo, Record e da Rede TV. Essa é uma forma de exercermos esse controle social. A partir disso, apresentamos um dossiê com denúncias de que essas e outras emissoras veicularam conteúdos que violaram direitos humanos, a porcentagem de publicidade, entre outros. É importante que haja debate nesse sentido, para que a população possa dar sua opinião.

No Brasil, quais as mídias, em sua avaliação são mais perniciosas para a formação do povo brasileiro?

Carolina Ribeiro – A tendência da mídia comercial, como um todo, é mostrar um lado da vida, das coisas. A história do MST é clássica: quando ele ocupa uma fazenda improdutiva, a mídia o criminaliza e diz que ele invadiu a terra. A mulher, quando retratada na televisão, é apenas bunda, peito e burra. O negro é sempre o bandido, o motorista ou empregado. No geral, o conteúdo tende a ser numa direção única, sem distinções entre canais. Isso prejudica a pluralidade, não dá conta da diversidade da cultura brasileira, o que acaba prejudicando a democracia e a formação de um povo como um todo.

A I Conferência Nacional de Comunicação pode significar mudanças reais na política de comunicação do país?

Carolina Ribeiro – As conferências têm, cada uma, um processo diferente. A nossa é a primeira. Nós vamos enfrentar uma conferência um pouco diferente, porque ela vai ter a presença de empresários da comunicação e o próprio ministério das Comunicações alinhado com esse empresariado. Quem executa
as políticas, deliberações e resoluções das conferências é o Executivo. Não podemos ser ingênuos a ponto de achar que a conferência vai fazer a revolução da comunicação. De qualquer forma, será um processo muito importante porque vai pautar a comunicação na sociedade, mobilizá-la para discutir a comunicação e pensar esse setor como um direito. Só esse processo de construção e discussão da pauta já é um grande avanço, porque não conseguimos ver um debate sobre comunicação na mídia, porque a ela não interessa esse debate. É possível que algumas das deliberações e diretrizes apontadas sejam implementadas, mas isso irá depender muito do Executivo.


Carolina Ribeiro é jornalista e coordenadora do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

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Seja mais eficiente online : organize seus e-mails

Todos que me conhecem, sabem que e-mail é a minha principal ocupação na internet. Procuro utilizar outras feramentas mas o e-mail domina boa parte do meu tempo online.

Uma das funções menos utilizadas pelos usuários de e-mail é o campo cc (carbon copy), que envia uma cópia da mensagem aos usuários deste campo. Seria complicado tentar educar todos que se comunicam comigo a utilizar este campo de maneira correta, já que mais de 70% dos e-mails que envio são de pessoas com quem me comunico frequentemente, como : pessoas do meu trabalho, colegas de estudos, professores, família, amigos, enfim.

Como pedir a colaboração destas pessoas para ser mais eficiente ? Simples, foi só criar : uma expectativa de uso do campo, e uma regra no meu e-mail que marque as mensagens em cc.

A expectativa: mande um único e-mail para seus contatos mais frequentes explicando o seguinte: para assuntos em que voce tenha que agir (responder, tarefas a cumprir, etc), seu endereço vai no campo “para”. Para outros assuntos, em que você tenha somente que se inteirar, seu endereço vai no campo “cc”.

Crie uma regra no seu cliente de e-mail favorito (no meu caso o Gmail), que classifique as mensagens em que seu endereço está no campo “cc”, e faça algo para diferenciá-las das demais (uma determinada cor, por exemplo).

Ao implementar esta opção, passei a ter mais controle sobre as mensagens que chegam na minha caixa de entrada e tornei-me mais produtiva quando estou online. Grande parte dos e-mails que recebo são somente “cc”, que, portanto leio rapidamente e não preciso fazer nada senão arquivar.


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Instituições oferecem curso de divulgação científica

Jornalistas e outros profissionais que atuam na área de divulgação científica têm, já no início de 2009, mais um curso de especialização (lato sensu). O Curso de Especialização em Divulgação da Ciência, da Tecnologia e da Saúde é resultado da iniciativa do Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Fundação Cecierj, com apoio da Rede de Popularização da Ciência e da Tecnologia da América Latina e do Caribe (Red-Pop), da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência e da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC).

O curso se destina a museólogos, comunicadores, jornalistas, cientistas, educadores, sociólogos, cenógrafos, produtores culturais, professores de ciências licenciados (nível superior) e demais profissionais que atuam, seja no âmbito prático ou acadêmico, na área da divulgação da ciência, da tecnologia e da saúde, da comunicação pública da ciência e da popularização científica.

O período de inscrição é de 26 de janeiro a 6 de março. O processo de seleção ocorre entre 16 e 20 de março. As aulas iniciam em 30 de março e serão ministradas no Museu da Vida, na avenida Brasil, 4365, em Manguinhos, Rio de Janeiro.

Informações sobre o curso podem ser obtidas no site www.museudavida.fiocruz.br/lato.

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Jornalismo é mais que 140 caracteres

Em tempos de catástrofe – Santa Catarina, Mumbai – a utilização maciça da internet para alertar, informar e mobilizar, influindo no curso dos acontecimentos a ponto de salvar vidas, dá a impressão de que, comparada com os novos recursos da comunicação instantânea, suscinta, de livre acesso e infinitas mãos de direção, a chamada imprensa convencional é uma anciã entrevada.

O problema é que essa comparação peca pela base. Em papel ou na tela, o jornalismo de fato não dá para a saída em matéria dos atributos que fizeram do Twitter, por exemplo, a mais recente sensação das redes sociais virtuais, explorando a plataforma que já passou à frente do computador: o celular.

Nos atentados em Mumbai, mensagens via Twitter – de até 140 caracteres cada – seguiam à razão de uma por segundo [segundo uma reportagem do New York Times, que no entanto não esclarece como se chegou a esse número].

Mas o jornalismo não pode ser avaliado por sua capacidade de enviar mensagens urgentes de 140 caracteres. Se, nessas horas, diz ou não diz a que vem, será por ter estado, ou não, à altura do que dele é justo esperar.

Quando se fala em jornalismo, aqui, fala-se ainda, em primeiro lugar, do jornalismo escrito, alcance ele o público pelo meio que for.

Isso porque, embora a TV possa mostrar as coisas “como as coisas são”, enquanto ocorrem – com todo o seu inseparável componente de espetáculo, quando não de espetáculo pelo espetáculo -, a imprensa escrita continua imbatível como sistema de produção e transmissão de informações articuladas, a partir das quais o leitor pode ter uma noção, caso a caso, de como funciona o mundo.

Não em 140 caracteres, naturalmente.

Dito de outro modo, trata-se de dois serviços distintos de utilidade pública. Um, prestado por legiões de pessoas agindo por iniciativa própria ou reagindo espontaneamente a iniciativas alheias. Outro, prestado por organizações criadas para vender notícias – e, infelizmente, cada vez mais, para vender essa lavagem chamada entretenimento de massa.

O Twitter, ou coisa do gênero, é uma forma escandalosamente superior de fazer circular aos quatro ventos, entre outras coisas, fatos que os emissores e receptores (cujos papéis são intercambiáveis) consideram essenciais em dada circunstância.

Por exemplo, no caso dos atentados terroristas em Mumbai, os endereços de hospitais para doação de sangue. É o que faz o bom e velho rádio, mas deixando o registro por escrito em alguns centímetros quadrados na palma da mão das pessoas.

Quanto mais esse tipo de recurso se propagar, levando a patamares inimagináveis há poucos anos o fluxo e a amplitude da informação tópica, pontual – de varejo, em suma, por importante que seja para os interessados – mais a imprensa terá de oferecer o que está além do alcance dos Twitters deste mundo: a informação no atacado.

Com isso se quer repetir, com sintonia ainda mais fina, o que se passou a cobrar do jornalismo impresso quando a televisão se instalou como o meio por excelência de difusão de notícias em escala global: perspectiva, ou, com perdão da má palavra, contextualização.

E com isso se quer dizer informações não apenas certificadas – o calcanhares de Aquiles do reportariado amador, também conhecido como jornalista-cidadão – mas articuladas entre si e, eventualmente, com as que digam respeito a situações, processos e protagonistas, presentes e passados, de esferas diferentes daquelas que são o objeto direto de cada cobertura.

Certa vez, Cláudio Abramo, um dos maiores jornalistas de sua geração, mesmo pelos padrões internacionais mais exigentes, dizia, brincando, que o jornal de seus sonhos seria aquele que traria uma única notícia. Ou seja, o produto de um jornalismo capaz de integrar todas as matérias de que se ocupasse a cada dia.

Quanto menos distante dessa fantasia ficar um jornal ou uma revista – aliás, os semanários nasceram com uma preocupação aparentada a essa: além de resumir a semana, articular os eventos que se prestassem a isso de forma a “separar aquilo que é notícia daquilo que só é barulho”, como dizia um anúncio da Time [em inglês soa melhor: "what makes news from what just makes noise"].

Vai sem dizer que isso não pode se dar às custas ou à desconsideração de tudo mais que o periódico deve entregar ao leitor em troca do seu dinheiro: clareza, leveza (não confundir, pelo amor do que se queira, com ligeireza), brevidade, diversidade de focos e pontos de vista, atratividade – e “humanidade”.

É secundário, a rigor, se a mídia convencional ficou ou não a reboque de uma legião de não-jornalistas com seus celulares, informando o mundo do que se passava ali onde os repórteres profissionais não conseguiam chegar, ou não chegaram a tempo, em Mumbai ou em Blumenau.

A pergunta é: as organizações jornalísticas foram ou não capazes, lá e cá, de dar uma visão dos fatos (ou mais de uma) que fizesse sentido, porque escorada em apurações exaustivas e não restrita ao imediatismo das situações?

Escreveu-se no parágrafo anterior “organizações” de propósito. Pois é esse sistema – o modo de produção da notícia, a partir de redações estruturadas e de procedimentos padronizados – que dá a um jornal ou revista as condições necessárias, ainda que não suficientes, para que faça o que se propõe.

E é o que os diferencia de tantas quantas redes informais de coletores de informação surjam quando algo motiva os seus membros – com os quais, diga-se desde logo, os jornalistas terão de interagir cada vez mais e sem preconceitos.

Quando o jornalismo organizado não funciona, a culpa não é de ser organizado, mas da mutilação das redações – que representam a encarnação desse conceito – perpetrado pelos mãos-de-tesoura das empresas jornalísticas.

E aí se cai no pior dos mundos possíveis – em que a imprensa perde em agilidade para os twitteiros e blogueiros, e ao mesmo tempo, por falta de estrutura, recursos e qualidade de suas equipes, perde em aptidão para fazer o que não está ao alcance daqueles: montar o quebra-cabeça dos acontecimentos do dia-a-dia.


Por Luiz Weis.


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Ser jornalista é profissão “perigo” no México

Publicado em Informação por Marcia Guimaraes em 15/12/2008

  O México é o lugar mais perigoso da América Latina para se praticar o jornalismo, sobretudo quando se trata de cobrir a “guerra” entre as autoridades e os narcotraficantes. O Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), uma organização não-governamental baseada em Nova York, contabiliza 24 assassinatos ligados ao exercício da profissão desde 2000, mais sete desaparecimentos nos últimos três anos. A Federação Internacional dos Jornalistas lembra que dos 300 profissionais de mídia mortos no mundo nos últimos dez anos, 25% são mexicanos. “Com o Iraque, o Afeganistão e o Paquistão, o México é um dos países mais arriscados para um jornalista crítico”, declarou o célebre jornalista alemão Günter Wallraff, em uma mesa-redonda organizada no final de novembro na Feira Internacional do Livro de Guadalajara. A mexicana Alma Guillermoprieto, que cobriu as guerras civis da América Central para mídias britânicas e americanas, deu em Guadalajara uma conferência intitulada “Como ser jornalista e não morrer”, salientando os perigos próprios à situação do México: “Um jornalista que trata do tráfico de drogas se atira em um túnel escuro, onde os tiros podem vir a qualquer momento e de qualquer lugar”. Esse balanço é contestado pelo procurador federal encarregado dos crimes contra jornalistas, Octavio Orellana. Recentemente ele garantiu que apenas três vítimas foram mortas por causa da profissão e que as outras encontraram a morte por motivos semelhantes “aos que afetam todos os mexicanos” – acidente, bala perdida durante um confronto entre bandidos ou suicídio. E com freqüência não eram verdadeiros jornalistas, ele acrescenta. Orellana recebeu uma réplica ferina por parte do responsável da CPJ para as Américas, Carlos Lauria: “Esses números evocam mais uma zona de conflito do que um país democrático”, ele afirmou, lembrando que dos 24 assassinatos registrados pela CPJ somente um foi solucionado pela justiça. A polêmica ocorre após o assassinato a tiros de Armando Rodríguez em 13 de novembro em Ciudad Juárez: ele era o especialista em assuntos criminais no “El Diario”, principal jornal dessa cidade fronteiriça com o Texas, onde se lamentam desde janeiro mais de 1.300 mortes violentas causadas pelos cartéis da droga. Em 6 de novembro, uma cabeça humana cortada foi depositada em Ciudad Juárez na “praça dos Jornalistas”, ao pé de um monumento dedicado à “liberdade de expressão”, onde estão inscritos os nomes de profissionais da mídia assassinados. O assassinato de Armando Rodríguez, seguido de um atentado contra um jornal de Culiacan, capital do estado de Sinaloa (noroeste) e outro campo de batalha dos cartéis, causou um choque no seio de uma profissão já habituada ao pior. “É sem dúvida exagero colocar o México no mesmo plano que o Iraque”, admite Adriana Valasis, jornalista da rede de TV Azteca. “Mas esse novo crime provocou um debate na Internet entre colegas dos grandes jornais mexicanos, para tentar definir uma posição comum.” Com dezenas de outros jornalistas, a jovem assinou uma petição lançada pelo grupo “Periodistas de a pie” (Jornalistas em campo): “As autoridades devem mostrar seu envolvimento pela liberdade de expressão e o direito à informação”. Em várias regiões, sobretudo no norte, essa liberdade fundamental é constantemente sufocada. Em Tijuana, às portas da Califórnia, alguns repórteres não saem mais sem colete à prova de balas e se contentam em dar uma informação mínima. Em Nuevo Laredo, a mesma reserva depois que o jornal “El Mañana” foi atacado a metralhadora e a granada em 2006. No nordeste, feudo do cartel do Golfo, os “narcos” telefonam sem medo para as redações: “As ‘pessoas’ da organização criminosa não querem que vocês publiquem tal nome ou tal foto”. Em Ciudad Juárez, nove jornalistas receberam ameaças do crime organizado, contra eles ou suas famílias. Dois preferiram recentemente exilar-se nos EUA. “O pior é a indiferença institucional a tudo isso”, diz ao “Monde” Gerardo Priego, deputado do Partido da Ação Nacional (PAN, de direita), a formação presidencial. “O assassinato de Rodríguez poderia ter sido evitado com medidas de proteção aos jornalistas mais expostos”, ele afirma. “Não compreendem que o jornalista cria um bem de interesse público, que é a informação.” Presidente da comissão parlamentar que acompanha as agressões contra jornalistas, Priego, quer aprovar uma lei que qualifica os ataques contra veículos de mídia de delito federal. Segundo ele, ocorrem cerca de dez ataques por mês contra a imprensa no México, que vão da escuta telefônica ilegal ao ataque físico. “E em quatro casos sobre dez eles vêm de autoridades locais ou do governo, sem falar na utilização da publicidade oficial para recompensar as mídias dóceis ou, ao contrário, castigar as outras, salienta.

Texto de Joëlle Stolz com tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves.

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Marx, Marx & Marx

Publicado em Cidadania & Educação, Generalidades, Informação por Marcia Guimaraes em 10/12/2008

O arcebispo católico de Munique, Reinhard Marx, lançou há pouco um livro intitulado “O Capital”. A capa contém as mesmas cores e fontes gráficas da primeira edição de “O Capital”, de Karl Marx, publicada em Hamburgo, em 1867.

“Marx não está morto e é preciso levá-lo a sério”, disse o prelado por ocasião do lançamento da obra. “Há que se confrontar com a obra de Karl Marx, que nos ajuda a entender as teorias da acumulação capitalista e o mercantilismo. Isso não significa deixar-se atrair pelas aberrações e atrocidades cometidas em seu nome no século XX”.

O autor do novo “O Capital” qualifica de “sociais-éticos” os princípios defendidos em seu livro, critica o capitalismo neoliberal, qualifica a especulação de “selvagem” e “pecado”, e advoga que a economia precisa ser redesenhada segundo normas éticas de uma nova ordem econômica e política.

“As regras do jogo devem ter qualidade ética. Nesse sentido, a doutrina social da Igreja é crítica frente ao capitalismo”, afirma o arcebispo. E acrescenta: “Um capitalismo sem marco regulatório é hostil às pessoas”.

O religioso reflete bem a posição oficial da Igreja Católica perante o capitalismo: criticam-se seus “abusos”, como se esses não fizessem parte de sua própria essência, baseada na acumulação privada da riqueza.

E quem haverá de pôr o guizo no pescoço do gato? O Estado capitalista é capaz de exercer a função de “marco regulatório” e impor limites à especulação e à exploração? Se um governo democrático-popular o faz, como ocorre hoje em países da América do Sul, desencadeia-se a grita geral de que é “populista” e “totalitário”.

O livro se inicia com uma carta de Reinhard Marx a Karl Marx, a quem chama de “querido homônimo”, falecido em 1883. Roga-lhe reconhecer agora seu equívoco quanto à inexistência de Deus. O que sugere, nas entrelinhas, que o religioso admite que o autor do “Manifesto Comunista” se encontra entre os que, do outro lado da vida, desfrutam da visão beatífica de Deus.

O lançamento da obra coincide com a turbulência financeira que, de certa forma, confirma as teorias de Karl Marx quanto às crises cíclicas do capitalismo. Contudo, o arcebispo ressalta que seu homônimo acertou muito pouco em suas previsões revolucionárias, como o surgimento do socialismo em países de avançado desenvolvimento capitalista. O que se viu foi o contrário, o socialismo florescer primeiro num país semi-feudal como a Rússia.

Falta ao livro explicar por que a Igreja Católica da Alemanha jamais excomungou Hitler, que se dizia católico, e também se equivocou ao aplicar boa parte de seus fundos no banco Lehman Brothers, cuja falência confirma, sim, as previsões do velho Marx.

Tudo indica que a obra de monsenhor Reinhard fomentará um novo interesse pelas do seu homônimo, assim como nas décadas de 1960 e 1970 muitos jovens, encantados em abraçar o marxismo, foram aprendê-lo no livro “O pensamento de Karl Marx”, escrito, para refutá-lo, pelo jesuíta Jean-Yves Calvez. Sua edição portuguesa, em dois tomos, era disputadíssima em meus tempos de prisão sob a ditadura militar.

Entre um Marx e outro convém não esquecer de um terceiro que figura entre os dois: Groucho Marx. Em matéria de concepções materialistas o humorista estadunidense não merece reparos: “Há coisas mais importantes que o dinheiro, mas… custam tanto!”

Que o digam aqueles que, ao ocuparem funções de poder, abandonaram suas antigas concepções socialistas e, hoje, liberam R$ 8 bilhões (metade a União, metade o governo de São Paulo) para salvar da crise a indústria automobilística instalada no Brasil. Por que não destinar tais recursos à ampliação do metrô, que favorece a coletividade?
Só mesmo Groucho Marx para explicar: “Estes são meus princípios; se você não gosta deles, eu tenho outros”.


Escrito por Frei Betto  -  escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.

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Estamos próximos mesmo de uma Nova Era ?

Publicado em Cidadania & Educação, Comunicação, Informação, Internet, Notícias por Marcia Guimaraes em 29/11/2008


A Globalização é um fenômeno galopante e as intersecções entre culturas de todo o planeta estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano. Pesquisa, Arte e Negócios já operam em um nível mundial, sofrendo impacto de um intercambio – muitas vezes – imediato de informações e conhecimento.

Contudo as salas de aula em todos os níveis de ensino no Brasil ainda são ilhas isoladas e herméticas, muitas vezes, ideologicamente fechadas. O domínio de uma segunda língua ainda é risível em nosso país.

Por um lado o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) sequer mensura o segundo idioma na avaliação dos alunos de “2º Grau”. Por outro, 64% dos estudantes universitários disseram ter “algum conhecimento de inglês” ao ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Esse exame apontou que 36% dos universitários não têm nenhum conhecimento desse idioma, portanto. Pouco se sabe do resto da população.

O fato é que o Brasil ainda encontra-se distanciado, e faz – portanto – um uso limitado da Internet. Segundo o Internet World Stats, as três línguas mais utilizadas na rede são o Inglês (29%), o Mandarim (19%) e o Espanhol (8%). O português representa 4% desse universo.

O professor e criador do Mídia Lab do MIT (Massachusetts Institute of Technology), atualmente o “pai do lap top de U$ 100″, Nicolas Negroponte, concedeu entrevista para a Revista @prender. Negroponte é um visionário e principal referência mundial sobre tendências e novas tecnologias. Na época solicitei-lhe que projetasse as principais revoluções tecnológicas das próximas cinco décadas, e obtive como resposta que em “2010 teríamos em todos os lugares computadores operando com Banda Larga e sem fios” e que “até 2020 a tradução da linguagem será tão boa e natural quanto a do próprio ser humano”(1). Frente à popularização da telefonia 3G e mais recentemente dos NetBooks (além da modernização dos programas de tradução oferecidos on line como o Babylon e a Ferramentas de Idiomas do Google), fica fácil acreditar que algum aparelho surja em breve tornando possível uma conversa – em tempo real – entre pessoas de nacionalidades e línguas absolutamente distintas.

O Brasil pode viver isolado idiomaticamente a espera de novas tecnologias que suplantem o déficit do ensino da segunda língua em nosso país e abram os 96% da rede para o nosso povo.

Ainda que essa seja uma barreira, é possível falar e pensar hoje na troca de conhecimentos entre salas de aula de todo o planeta. Inclusive de salas de aula do Brasil com o mundo. Algumas iniciativas podem ser adotadas em curto prazo. Imediatamente para o professor sensibilizado com a importância de formar cidadãos do mundo desde as primeiras séries do ensino fundamental.
Escolas Irmãs

O conceito de escolas irmãs não é novo. No Brasil esse é o nome, inclusive, de um programa do Ministério da Educação, que o propõem como “uma rede de colaboração mútua entre escolas que estabelecem parcerias, com o objetivo de compartilhar experiências e trocas pedagógicas, enfatizando a vivência de valores universais e os ideais de solidariedade humana”. O MEC propõe uma rede de escolas tupiniquins, mas muitas instituições podem transgredir barreiras e aventurar-se na prospecção de “irmãs” em todo o planeta. Com as novas ferramentas de relacionamento, como Instant Messengers e redes sociais, os educadores podem montar redes de salas de aula globais com escolas de todo o mundo.
Quebras de Barreiras Idiomáticas

Os educadores devem apropriar-se de novas línguas de forma a multiplicar seu universo de pesquisa. Devem aventurar-se por textos em outros idiomas e abusar das ferramentas de tradução, ainda experimentais, mas – já – muito eficazes.
Utilização de Novas Tecnologias

Uma nova tendência mundial merece destaque nesse artigo. A Open Learning Iniciative é uma rede mundial de universidades de primeira linha – coincidentemente encabeçadas pelo MIT, que propõem a derrubada das barreiras de acesso ao conhecimento pela Internet. Dezenas de instituições de ensino em todo o planeta vêm divulgando conteúdos por meio de mídias diversas na rede, para ser consumido por interessados de todos os países. Uma força democratizadora de conhecimento que irá tornar-se popular em poucos anos.

O fato é que as comportas do intercambio de inteligência, boas práticas e tecnologias pedagógicas abriram-se para os educadores interessados em – de fato e objetivamente – ampliarem suas dinâmicas abrindo-se para um mundo de oportunidades. Com trocadilhos!

(1) Em tempo: Negroponte previu ainda, sob a ressalva de que se tratavam de palpites e que acontecerão progressivamente, que até 2030 existirão implantes no corpo e no cérebro para comunicação direta e argumentação com os computadores, que até 2040 iremos fazer arquivos de mentes para imortalidade e que até 2050 iremos teletransportar objetos.

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Que Google, que nada !

Publicado em Cidadania & Educação, Generalidades, Informação, Internet, Notícias por Marcia Guimaraes em 16/11/2008

Novo mecanismo de busca, fuça nas entranhas da Internet

Quem nunca ouviu boatos de que uma nova ferramenta de busca irá desbancar a hegemonia do Google ? Calma ! Este post não irá te surpreender, embora esta deveria ser a minha intenção. Temos agora o DeepDyve, suposto concorrente só que com o lastro da Mountain View, e com ele estão alguns dos geniais cientistas da atualidade : mentes brilhantes que fazem parte do Projeto Genoma Humano.

A iniciativa aproveita técnicas utilizadas para fazer o mapa genético dos seres humanos e, permite que o usuário encontre páginas não relacionadas nos outros buscadores. Como a maioria do serviços mostram o resultado da pesquisa baseando-se no trafégo dos sites mais populares, há muito conteúdo que acaba ficando esquecido. Conforme recente estudo realizado na Universidade de Berkeley, existem cerca de aproximadamente 91000 TB “ocultos” nas partes mais profundas da web e é esta faixa que o serviço pretende trazer aos usuários. A possibilidade de fuçar nas profundezas da rede.

A principal inovação do DeepDyve é a de possibilitar a utilização deste motor de buscas com sentenças inteiras (se desejar, com até 25 mil caracteres) a qual o Google se limita apenas a encontrar até 32 palavras.

Considerando-se que este novo site está mantendo sua principal convergência em assuntos específicos como : saúde, física e ciências de um modo geral, e mesmo sendo de uso ainda limitado, fica evidente que ele não pretende destronar o maior mecanismo utilizado em todo o mundo, mas não deixa de ser mais uma importante iniciativa a caminho favorecendo a todos nós, usuários de pesquisas
na internet.

Pesquise nos sites :

| http://www.deepdyve.com |

| http://www.genome.gov |

| http://www2.sims.berkeley.edu/research/projects/how-much-info-2003 |

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