Acordo ortográfico : mercado editorial conta lucros e prejuízos em tempos de crise
O mercado editorial está no centro das discussões sobre quem ganha e quem perde com o acordo ortográfico da língua portuguesa. Enquanto alguns avaliam que as editoras serão as principais beneficiadas com a reforma, muitas empresas do setor, tanto no Brasil como em Portugal, inicialmente se opuseram às mudanças na escrita. O presidente da União dos Editores Portugueses, Carlos da Veiga Ferreira, chegou a dizer a certa altura que havia a chance de várias empresas “boicotarem” o acordo em Portugal, por acreditarem que as editoras brasileiras, especialmente no setor de livros didáticos, ganhariam espaço na África, mercado hoje dominado pelos portugueses. Com o avanço das discussões sobre a adoção do acordo ortográfico, os editores portugueses passaram a aceitar melhor a ideia, mas ainda esperam que haja um apoio governamental substancial para o financiamento da adaptação dos livros. A preocupação é compartilhada pelas editoras no Brasil. “Há um custo grande na alteração de todos os livros existentes nos catálogos das editoras, já que os fotolitos desses livros terão de ser descartados, será necessário fazer uma revisão e novos materiais terão de ser impressos”, disse Sonia Machado, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livro do Brasil (SNEL), à BBC Brasil. “A preocupação que os associados do sindicato têm é: quem vai pagar essa conta? Quem vai absorver esse custo da adaptação dos livros antigos para a nova ortografia, sem que isso seja refletido nos preços?” Sonia Machado afirma que muitos editores não terão condições financeiras de fazer as mudanças e que alguns livros podem não ser atualizados, já que a opção de repassar os custos para o consumidor não seria uma boa estratégia em tempos de crise. Novos mercados A presidente do SNEL também rejeita a ideia de que as portas para outros mercados serão abertas com a reforma ortográfica, já que hoje os contratos de edição são territoriais. “Quando se compra o direito de publicação, o direito não é para publicar em língua portuguesa, mas para publicar em determinado país”, afirma Sonia Machado. “Isso é válido não só para o português. Na língua inglesa, por exemplo, você tem a edição americana, a edição inglesa, edição australiana.” O escritor angolano José Eduardo Agualusa diz, no entanto, que, com o acordo ortográfico, as empresas podem passar a negociar contratos de publicação em mais de um país e alcançar mercados mais amplos. Mas, na opinião dele, quem mais ganharia com as mudanças na ortografia seriam as editoras portuguesas. “O grande mercado do livro de língua portuguesa não é evidentemente a África, é o Brasil. As grandes editoras portuguesas já perceberam isso”, afirma o escritor. “O mercado africano para o Brasil é uma coisa absolutamente ridícula, porque o Brasil tem cem Áfricas dentro dele, em crescimento contínuo.” A única exceção poderia ser mesmo o setor dos livros didáticos, que é um mercado em expansão em países de língua portuguesa como Angola e Moçambique. Algumas grandes editoras brasileiras já estariam estudando um investimento na África. Outro setor que pode sair lucrando com o acordo ortográfico é o de dicionários e livros de referência sobre as mudanças na escrita. Mesmo em Portugal, onde as alterações ainda não estão em vigor, já foram lançadas várias obras de referência de acordo com as novas regras.
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Informações de Iracema Sodré, de Londres para a BBC Brasil

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Primeira Conferência Nacional de Comunicação : pela universalização da comunicação
Se o espectro do rádio e da TV são públicos, por que pouco temos voz dentro deles? E por que não nos escutam quando pretendemos debater o teor do conteúdo veiculado? Há anos, questões éticas e de direitos humanos estão necessitando de um debate no que diz respeito à comunicação no Brasil e suscitam um retorno do governo federal. Durante o Fórum Social Mundial deste ano, essa resposta finalmente veio: o presidente Lula anunciou que convocaria para 2009 a primeira Conferência Nacional de Comunicação.
Em entrevista recente, Carolina Ribeiro, fala sobre as discussões em andamento que devem pautar essa primeira conferência e os objetivos desse encontro. Segundo Carolina, as conferências foram uma grande bandeira deste governo para “conversar” com a sociedade, porém a de Comunicação só saiu por pressão, pois diversos setores do governo estão vinculados a algum veículo de comunicação. “O que defendemos é um controle social sobre o uso das concessões. Achamos necessário e fundamental que a sociedade participe de alguma forma do uso dessas concessões”, afirma.
Como estão as negociações para a realização da I Conferência Nacional de Comunicação?
Carolina Ribeiro – No dia 28 de janeiro, o presidente Lula anunciou, numa coletiva de imprensa que aconteceu depois do encontro dos presidentes que ocorreu no Fórum Social Mundial, que realizará neste ano o Fórum Nacional de Comunicação. Já havia uma articulação da sociedade e dos movimentos sociais desde 2007 para reunir em Brasília uma comissão para a conferência. Nós comemoramos muito o fato de esse anúncio ter acontecido e ter sido feito durante o Fórum Social Mundial. Inclusive, foi lá que fizemos a primeira plenária da comissão, depois do anúncio de que a conferência seria mesmo realizada. Depois do FSM, tivemos uma audiência com quatro assessores do Executivo Nacional: Marcelo Bechara, do Ministério das Comunicações; Diogo Santana, chefe de gabinete de Gilberto Carvalho (que, por sua vez, é chefe de gabinete de Lula); Gerson de Almeida, da Secretaria Geral da Presidência; e Sylvio Kelsen Coelho, da Secretaria de Comunicação Social.
Além disso, participaram outros dez representantes da sociedade e, assim, iniciamos o debate para construir a conferência. Nessa primeira reunião, ficamos de apresentar para o Executivo uma proposta de temário de objetivos e calendário e de grupo de trabalho. Enfim, a proposta da sociedade para compor o grupo de trabalho que vai detalhar todos os aspectos da conferência. O governo recebeu nossa proposta e ainda tivemos um retorno de quando irá sair o decreto de convocação e o quanto da nossa proposta foi aceita. Esperamos que, na próxima semana, já tenhamos esse retorno e, com isso, possamos começar a organizar a conferência, mobilizar as comissões estaduais etc. É nesse ponto em que, atualmente, estamos em relação à Conferência Nacional de Comunicação.
Por que o governo Lula resistiu tanto em convocar a Conferência?
Carolina Ribeiro – Foi uma grande bandeira desse governo a participação popular por meio de conferências. Cerca de 50 conferências já foram realizadas. Só que a comunicação é um tema um tanto “espinhoso”. O Ministro das Comunicações é um representante declarado dos interesses dos radiodifusores comerciais, que têm uma influência muito grande no Congresso e no próprio Executivo. Além disso, envolve interesses políticos dos próprios políticos, que são, muitas vezes, donos de rádios e TVs grandes, o que dificulta qualquer debate mais profundo de democratização, de construir diretrizes políticas públicas para essa área. Então, por esse motivo, o governo resistiu por tanto tempo, mas por pressão da sociedade, a partir dos vários encontros que fizemos para mostrar a vontade da população em discutir esse tema, conseguimos inclusive que alguns empresários se posicionassem em favor da conferência. O clima de “todo mundo quer a conferência” foi uma pressão demais para que o presidente continuasse se omitindo em relação a esse processo. E aí, finalmente, esse anúncio da convocação saiu agora em janeiro.
Os movimentos sociais tratam o direito da comunicação como um direito humano, porém, via de regra, compreende-se os direitos humanos como aqueles direitos básicos de saúde, educação, alimentação. A senhora poderia explicitar essa tese?
Carolina Ribeiro – Não existe uma visão geral de compreensão de todos os movimentos sociais defendendo o direito à comunicação de uma forma única. Para o Intervozes, o direito à comunicação abarca a garantia a pluralidade e a diversidade de vozes em todos os níveis, desde a difusão até o acesso. Essa bandeira máxima passa por diversos debates, como a democratização do espectro da radiodifusão, pois hoje você tem uma mídia extremamente concentrada na TV. Essa é uma parte do direito à comunicação. Outra parte vai em outra direção: a universalização da banda larga. Com esse direito, todas as pessoas terão acesso à informação de uma forma geral. Então, temos uma série de bandeiras para se garantir acesso, produção e difusão de comunicação para a população como um todo e, desta forma, construiremos um regime de comunicação democrático e plural.
Qual é o marco regulatório básico que os movimentos sociais defendem para a área da comunicação?
Carolina Ribeiro – Assim como o próprio direito à comunicação é complexo, não existe um marco regulatório básico. Existe a necessidade de ter esse marco regulatório que dê conta da convergência e a digitalização que vem por aí, que dê conta do fato de o Brasil ter 99% das residências com televisão, mas apenas 20% têm acesso à internet. Esse marco precisa abarcar, de alguma forma, todas essas frentes que a comunicação trabalha. Temos uma série de reivindicações, que estão concentradas num plano nacional de direitos humanos, mas são vários setores reivindicando coisas específicas, marcos e diretrizes gerais.
Está na pauta dos movimentos o pedido de cassação de concessão de canais de TV?
Carolina Ribeiro – O que defendemos é um controle social sobre o uso das concessões. Achamos necessário e fundamental que a sociedade participe de alguma forma do uso dessas concessões. Em novembro, houve duas audiências públicas grandes sobre o uso das concessões da Globo, Record e da Rede TV. Essa é uma forma de exercermos esse controle social. A partir disso, apresentamos um dossiê com denúncias de que essas e outras emissoras veicularam conteúdos que violaram direitos humanos, a porcentagem de publicidade, entre outros. É importante que haja debate nesse sentido, para que a população possa dar sua opinião.
No Brasil, quais as mídias, em sua avaliação são mais perniciosas para a formação do povo brasileiro?
Carolina Ribeiro – A tendência da mídia comercial, como um todo, é mostrar um lado da vida, das coisas. A história do MST é clássica: quando ele ocupa uma fazenda improdutiva, a mídia o criminaliza e diz que ele invadiu a terra. A mulher, quando retratada na televisão, é apenas bunda, peito e burra. O negro é sempre o bandido, o motorista ou empregado. No geral, o conteúdo tende a ser numa direção única, sem distinções entre canais. Isso prejudica a pluralidade, não dá conta da diversidade da cultura brasileira, o que acaba prejudicando a democracia e a formação de um povo como um todo.
A I Conferência Nacional de Comunicação pode significar mudanças reais na política de comunicação do país?
Carolina Ribeiro – As conferências têm, cada uma, um processo diferente. A nossa é a primeira. Nós vamos enfrentar uma conferência um pouco diferente, porque ela vai ter a presença de empresários da comunicação e o próprio ministério das Comunicações alinhado com esse empresariado. Quem executa
as políticas, deliberações e resoluções das conferências é o Executivo. Não podemos ser ingênuos a ponto de achar que a conferência vai fazer a revolução da comunicação. De qualquer forma, será um processo muito importante porque vai pautar a comunicação na sociedade, mobilizá-la para discutir a comunicação e pensar esse setor como um direito. Só esse processo de construção e discussão da pauta já é um grande avanço, porque não conseguimos ver um debate sobre comunicação na mídia, porque a ela não interessa esse debate. É possível que algumas das deliberações e diretrizes apontadas sejam implementadas, mas isso irá depender muito do Executivo.
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Carolina Ribeiro é jornalista e coordenadora do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
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Seja mais eficiente online : organize seus e-mails
Todos que me conhecem, sabem que e-mail é a minha principal ocupação na internet. Procuro utilizar outras feramentas mas o e-mail domina boa parte do meu tempo online.
Uma das funções menos utilizadas pelos usuários de e-mail é o campo cc (carbon copy), que envia uma cópia da mensagem aos usuários deste campo. Seria complicado tentar educar todos que se comunicam comigo a utilizar este campo de maneira correta, já que mais de 70% dos e-mails que envio são de pessoas com quem me comunico frequentemente, como : pessoas do meu trabalho, colegas de estudos, professores, família, amigos, enfim.
Como pedir a colaboração destas pessoas para ser mais eficiente ? Simples, foi só criar : uma expectativa de uso do campo, e uma regra no meu e-mail que marque as mensagens em cc.
A expectativa: mande um único e-mail para seus contatos mais frequentes explicando o seguinte: para assuntos em que voce tenha que agir (responder, tarefas a cumprir, etc), seu endereço vai no campo “para”. Para outros assuntos, em que você tenha somente que se inteirar, seu endereço vai no campo “cc”.
Crie uma regra no seu cliente de e-mail favorito (no meu caso o Gmail), que classifique as mensagens em que seu endereço está no campo “cc”, e faça algo para diferenciá-las das demais (uma determinada cor, por exemplo).
Ao implementar esta opção, passei a ter mais controle sobre as mensagens que chegam na minha caixa de entrada e tornei-me mais produtiva quando estou online. Grande parte dos e-mails que recebo são somente “cc”, que, portanto leio rapidamente e não preciso fazer nada senão arquivar.
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Instituições oferecem curso de divulgação científica
Jornalistas e outros profissionais que atuam na área de divulgação científica têm, já no início de 2009, mais um curso de especialização (lato sensu). O Curso de Especialização em Divulgação da Ciência, da Tecnologia e da Saúde é resultado da iniciativa do Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Fundação Cecierj, com apoio da Rede de Popularização da Ciência e da Tecnologia da América Latina e do Caribe (Red-Pop), da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência e da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC).
O curso se destina a museólogos, comunicadores, jornalistas, cientistas, educadores, sociólogos, cenógrafos, produtores culturais, professores de ciências licenciados (nível superior) e demais profissionais que atuam, seja no âmbito prático ou acadêmico, na área da divulgação da ciência, da tecnologia e da saúde, da comunicação pública da ciência e da popularização científica.
O período de inscrição é de 26 de janeiro a 6 de março. O processo de seleção ocorre entre 16 e 20 de março. As aulas iniciam em 30 de março e serão ministradas no Museu da Vida, na avenida Brasil, 4365, em Manguinhos, Rio de Janeiro.
Informações sobre o curso podem ser obtidas no site www.museudavida.fiocruz.br/lato.
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Jornalismo é mais que 140 caracteres
Em tempos de catástrofe – Santa Catarina, Mumbai – a utilização maciça da internet para alertar, informar e mobilizar, influindo no curso dos acontecimentos a ponto de salvar vidas, dá a impressão de que, comparada com os novos recursos da comunicação instantânea, suscinta, de livre acesso e infinitas mãos de direção, a chamada imprensa convencional é uma anciã entrevada.
O problema é que essa comparação peca pela base. Em papel ou na tela, o jornalismo de fato não dá para a saída em matéria dos atributos que fizeram do Twitter, por exemplo, a mais recente sensação das redes sociais virtuais, explorando a plataforma que já passou à frente do computador: o celular.
Nos atentados em Mumbai, mensagens via Twitter – de até 140 caracteres cada – seguiam à razão de uma por segundo [segundo uma reportagem do New York Times, que no entanto não esclarece como se chegou a esse número].
Mas o jornalismo não pode ser avaliado por sua capacidade de enviar mensagens urgentes de 140 caracteres. Se, nessas horas, diz ou não diz a que vem, será por ter estado, ou não, à altura do que dele é justo esperar.
Quando se fala em jornalismo, aqui, fala-se ainda, em primeiro lugar, do jornalismo escrito, alcance ele o público pelo meio que for.
Isso porque, embora a TV possa mostrar as coisas “como as coisas são”, enquanto ocorrem – com todo o seu inseparável componente de espetáculo, quando não de espetáculo pelo espetáculo -, a imprensa escrita continua imbatível como sistema de produção e transmissão de informações articuladas, a partir das quais o leitor pode ter uma noção, caso a caso, de como funciona o mundo.
Não em 140 caracteres, naturalmente.
Dito de outro modo, trata-se de dois serviços distintos de utilidade pública. Um, prestado por legiões de pessoas agindo por iniciativa própria ou reagindo espontaneamente a iniciativas alheias. Outro, prestado por organizações criadas para vender notícias – e, infelizmente, cada vez mais, para vender essa lavagem chamada entretenimento de massa.
O Twitter, ou coisa do gênero, é uma forma escandalosamente superior de fazer circular aos quatro ventos, entre outras coisas, fatos que os emissores e receptores (cujos papéis são intercambiáveis) consideram essenciais em dada circunstância.
Por exemplo, no caso dos atentados terroristas em Mumbai, os endereços de hospitais para doação de sangue. É o que faz o bom e velho rádio, mas deixando o registro por escrito em alguns centímetros quadrados na palma da mão das pessoas.
Quanto mais esse tipo de recurso se propagar, levando a patamares inimagináveis há poucos anos o fluxo e a amplitude da informação tópica, pontual – de varejo, em suma, por importante que seja para os interessados – mais a imprensa terá de oferecer o que está além do alcance dos Twitters deste mundo: a informação no atacado.
Com isso se quer repetir, com sintonia ainda mais fina, o que se passou a cobrar do jornalismo impresso quando a televisão se instalou como o meio por excelência de difusão de notícias em escala global: perspectiva, ou, com perdão da má palavra, contextualização.
E com isso se quer dizer informações não apenas certificadas – o calcanhares de Aquiles do reportariado amador, também conhecido como jornalista-cidadão – mas articuladas entre si e, eventualmente, com as que digam respeito a situações, processos e protagonistas, presentes e passados, de esferas diferentes daquelas que são o objeto direto de cada cobertura.
Certa vez, Cláudio Abramo, um dos maiores jornalistas de sua geração, mesmo pelos padrões internacionais mais exigentes, dizia, brincando, que o jornal de seus sonhos seria aquele que traria uma única notícia. Ou seja, o produto de um jornalismo capaz de integrar todas as matérias de que se ocupasse a cada dia.
Quanto menos distante dessa fantasia ficar um jornal ou uma revista – aliás, os semanários nasceram com uma preocupação aparentada a essa: além de resumir a semana, articular os eventos que se prestassem a isso de forma a “separar aquilo que é notícia daquilo que só é barulho”, como dizia um anúncio da Time [em inglês soa melhor: "what makes news from what just makes noise"].
Vai sem dizer que isso não pode se dar às custas ou à desconsideração de tudo mais que o periódico deve entregar ao leitor em troca do seu dinheiro: clareza, leveza (não confundir, pelo amor do que se queira, com ligeireza), brevidade, diversidade de focos e pontos de vista, atratividade – e “humanidade”.
É secundário, a rigor, se a mídia convencional ficou ou não a reboque de uma legião de não-jornalistas com seus celulares, informando o mundo do que se passava ali onde os repórteres profissionais não conseguiam chegar, ou não chegaram a tempo, em Mumbai ou em Blumenau.
A pergunta é: as organizações jornalísticas foram ou não capazes, lá e cá, de dar uma visão dos fatos (ou mais de uma) que fizesse sentido, porque escorada em apurações exaustivas e não restrita ao imediatismo das situações?
Escreveu-se no parágrafo anterior “organizações” de propósito. Pois é esse sistema – o modo de produção da notícia, a partir de redações estruturadas e de procedimentos padronizados – que dá a um jornal ou revista as condições necessárias, ainda que não suficientes, para que faça o que se propõe.
E é o que os diferencia de tantas quantas redes informais de coletores de informação surjam quando algo motiva os seus membros – com os quais, diga-se desde logo, os jornalistas terão de interagir cada vez mais e sem preconceitos.
Quando o jornalismo organizado não funciona, a culpa não é de ser organizado, mas da mutilação das redações – que representam a encarnação desse conceito – perpetrado pelos mãos-de-tesoura das empresas jornalísticas.
E aí se cai no pior dos mundos possíveis – em que a imprensa perde em agilidade para os twitteiros e blogueiros, e ao mesmo tempo, por falta de estrutura, recursos e qualidade de suas equipes, perde em aptidão para fazer o que não está ao alcance daqueles: montar o quebra-cabeça dos acontecimentos do dia-a-dia.
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Por Luiz Weis.
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Manter um blog seu na empresa é trabalho?
No fundo, a inquietação é: blog corporativo é trabalho?
“Se já não tenho tempo para nada, ainda vou blogar?”.
A idéia de uma máquina para cada pessoa, “meu HD”, “meus arquivos”, está desaparecendo na web, com a chegada das ferramentas do Google Desktop e similares.
O meu micro será em rede, os aplicativos rodarão lá e meus arquivos ficarão ali. Este é o caminho mais provável, pois é mais barato, dinâmico e eficiente.
Bom, então não haverá tanto mais a minha máquina, mas, sim meu espaço em rede.
A outra constatação é de que a presença do empregado em rede ainda não está consolidada nas organizações.
Hoje, as empresas vivem ainda o período pré-web 2.0, no qual não há “redes de amigos”, aquilo que o Orkut (e as redes sociais) trouxeram de melhor para a web.
Essa personalização e essa explicitação de forma fácil das redes de contatos e da minha produção resumem tudo que o pessoal da gestão de conhecimento sempre sonhou… e que a rede deu uma resposta simples: redes sociais, ou como os donos do My Space estão preferindo denominar, portais sociais.
Falei sobre camadas inteligentes, sugiro ler depois.
Eu sou fulano, minha foto, meus amigos, meus interesses, meus arquivos. Note os nomes de alguns sites: Facebook, “minha cara lá”, ou MySpace, o “meu espaço lá”.
O trabalho intelectual que é feito pelos empregados que trabalham diante de um computador passará por esta fase.
As redes de pessoas começarão a invadir as empresas, tirando-as das ilhas e colocando-as em contato com os outros. A idéia, assim, da minha máquina e da falta de visibilidade em rede tende a diminuir gradualmente.
O ambiente corporativo terá o link para o blog de cada um com todos os dados, localização física, onde a pessoa trabalha, o que está fazendo hoje, o que fez ontem, o que produziu no último ano, quem são seus contatos mais usuais, o que ela gosta, o que está estudando, o que vai estudar, o que lê, o que fotografou a serviço, que links sugere, que vídeos, que cursos fez ou quer fazer…
Tudo isso em rede, com possibilidade de comentários, acompanhamento, links, interação etc. Basta olhar a web aqui fora hoje… o que está bombando aqui vai para dentro das empresas amanhã, como já ocorreu com o e-mail e os portais. Há empresas já trabalhando assim e vamos ter esse ambiente como padrão no Brasil nos próximos cinco anos…
Aqui no país um bom case é o da IBM. Vejam, por exemplo, o blog do Taurion. Sugiro também algumas apresentações do software colaborativo da IBM, o Lotus Conection.
Ou seja, o nosso trabalho intelectual tem um resultado final: uma apresentação, um relatório, uma planilha, um documento, qualquer coisa.
E esse trabalho será feito da mesma maneira, mas o resultado será publicado no seu espaço, e/ou da sua equipe, e/ou no do seu setor, em uma ambiente de conhecimento em rede.
Note bem, o que produzimos basicamente são registro digitais.
Estes registros hoje não são bem trabalhados, não entram de forma inteligente em um fluxo, não só para rápida recuperação, o que até tem avançando com as ferramentas atuais de disseminação, mas ainda carecem de uma rápida e eficiente colaboração.
A informação tem que rolar o tempo todo, tendo a cada momento sendo acrescida de “pitacos” por cada um dos participantes da rede para ir aumentando a sua relevância para quem vai chegar depois.
E ainda uma melhor coordenação de esforços para evitar que tarefas repetidas e pouco inteligentes (para não dizer burras) sejam cada vez mais evitadas, pois é dinheiro sendo jogado fora pela janela. O capital intelectual é caro!
Assim, o blog de cada um não será o de dois espaços: um, o trabalho e outro a colaboração. Essa é uma visão precipitada do processo.
Eu produzirei e publicarei no meu blog, dentro de uma rede social da minha empresa, na qual todos estarão trocando e colaborando, como uma colméia, de forma mais eficiente do que é hoje, aumentando o uso do capital intelectual.
Assim, o blog será o que é hoje o nosso HD, com a possibilidade, a gosto de cada um, de poder escrever também suas experiências, como estou fazendo aqui depois dessa palestra.
Usando este espaço para reflexão, possíveis interações e documentando idéias que, talvez, se não tivessem sendo colocadas em rede, se perdessem no dia-a-dia.
Por fim, o que vale agora é a nossa capacidade de pensar, se articular e transformar tudo isso em algo de valor. Esse é o desafio dos novos ambientes de conhecimento corporativo…
Você concorda ?
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Carlos Nepomuceno é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da Pontonet. Mais dele no blog CNepomuceno e no Twitter.
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