Blog da Márcia Guimarães

O continuismo e a mesmice nas prefeituras

Publicado em Informação por Marcia Guimaraes em 12/10/2008


Quero tecer aqui alguns comentários sobre as eleições municipais. Temos acompanhado nos jornais que o continuísmo e a mesmice pareciam ser a tônica destas eleições, quando lí, não levei isso muito a sério. Mas percebí, apurando aqui com meus botões, que algumas cidades conseguiram se sair bem, então comecei a pensar melhor sobre o assunto.

Juliano Machado, na sua coluna comentou que :

o Jornal A Folha de São Paulo informa que, dos 20 prefeitos de capitais candidatos à reeleição, 12 venceram no primeiro turno e os outros oito foram para a segunda fase da disputa. Ninguém ficou no meio do caminho. O uso da máquina administrativa e o fortalecimento do caixa das prefeituras em relação a 2004 são apontados pelo jornal como possíveis causas dessa supremacia. No mês de Setembro, a mídia em geral já havia noticiando que o cenário positivo na economia brasileira deveria refletir o bom fôlego dos eleitores nos municípios, e pela lógica em time que está ganhando não se mexe.

Em São Paulo, onde moro e voto desde 1996, Gilberto Kassab conseguiu não só passar para segundo turno quanto estar à frente da petista Marta Suplicy o 2º turno inteiro. Todas as pesquisas mostram esta tendência evidente. Depois daquele comentário infeliz no auge da crise aérea (quem consegue esquecer aquilo ? ) e de episódios como a taxa do lixo e as famosas escolas de lata de sua gestão anterior como prefeita de São Paulo, é uma imensa vitória e mostra a força da sua imagem bem construída. Nas coletivas da Marta as quais ela falava mais como sexóloga (apesar de ser também deputada federal, se não me engano) e confesso que, na maioria das vezes sempre gostei de seu discurso. Ao vivo ela parece elegante, altiva e sua postura sempre com aquele discurso inteligente e sem preconceitos agradava a maioria. Mas era outra época, o PT não tinha chegado ao poder (estávamos no primeiro mandato governo de FHC) e não vivíamos este risco iminente de uma hegemonia que nos force a uma falsa democracia. Hoje chego à conclusão que votar em político inexpressivo como Kassab – que foi homem de planejamento de Celso Pitta, alguém que não se esforça ao menos em ser popular nem na vida pessoal nem nas propostas políticas – é uma forma de expressarmos que queremos apenas um político que realize algo de concreto em favor da sociedade. Será que vamos conseguir o que esperamos ?

Nas próximas eleições, o TSE deveria proibir TODO e QUALQUER tipo de propaganda eleitoral externa para vereadores em cidades com menos de 100 mil habitantes. O cara teria que entregar santinho batendo de porta em porta e falar aberto e sinceramente com o seu futuro eleitor. Isso pouparia os meus e os seus, os nossos ouvidos de tantas promessas mirabolantes e ainda e obrigaria o político a conhecer as dificuldades e os pontos vulneráveis de sua cidade, pisando em esgôtos, entrando com o carro em ruas esburacadas e sentindo o sufôco de andar numa rua esburacada por falta de asfalto. Ele seria obrigado a constatar as filas nos postos de saúde, as condições das creches e a falta de cadeiras, mesas, cadernos, uniformes, computadores e de merendas nas escolas. Ele se preocuparia em ouvir diretamente os eleitores, saber quais são suas reclamações e teria condições de decidir o que pretende fazer quando  for efetivamente eleito, longe das idéias incríveis de seus homens de marketing, pagos a peso de ouro, que colocam no papel planos absurdos que não vingam. E quem sabe, mesmo os desonestos (que infelizmente são a maioria dentre os candidatos) aprendessem com essa lição a ter um pouco de respeito pelas pessoas, trabalhando o mínimo que fosse em respeito e confiança ao voto por elas depositado a seu favor.

Basta de espetacularização do sofrimento alheio!

Publicado em Internet por Marcia Guimaraes em 06/04/2008

Chega uma hora que assusta! Chega uma hora que dá vontade de dar uma surra em certas pessoas… e desta vez não estou falando dos causadores da violência, mas sim naqueles que a transformam em espetáculo com o único intuito de aumentar a audiência. Sim, porque não me venham com a balela de que a preocupação desses jornalistas, que transformaram o caso Isabela na mais nova telenovela (pastiche melodramático!) é a verdade, porque eu não engulo.

Afinal, no que vai ajudar nas investigações, ou na diminuição do sofrimento dos familiares, que as redes de TV exibam à exaustão imagens da menina dançando em Portugal? Ou ainda, seus desenhos do colégio? A Nadja levantou esta bola aqui e eu somente me juntei à causa porque, realmente chega horas em que há que se dizer basta!

Sim, eu sei que vão me dizer que vivemos numa sociedade midiática… que tudo é notícia e que a mídia está incorporada de tal forma em nosso cotidiano que seria impossível viver sem ela… e eu nem estou negando isso. Aliás, acho que esse é um processo irreversível e que, por esta mesma razão, é necessário construir-se um arcabouço “ético” para o circo que aí está.

O que a mídia não está levando em conta (ou provavelmente está, mas parece não intuir o resultado final disso) é que a sua ação acaba por vezes sendo instrutiva, no mal sentido. Ou será uma incrível coincidência que, em várias ocasiões, certas situações começam a pipocar pelo país ou pelo mundo com ações que parecem ter sido copiadas, passo a passo?

Em alguns momentos são as “ondas” de se colocar fogo em pessoas, noutros os adolescentes que matam os pais, agora são crianças de 8 a 10 anos que armam um plano para se vingar da professora… e tudo na TV vai virando novela… pastiche… absorvido pela população como algo que causa terror, mas faz parte da vida cotidiana.

A espetacularização da violência, o julgamento em praça pública, os desvarios de uma mídia que faz tudo pela audiência têm que acabar. Temos que entender que a mídia influi na consciência da população e que isso, em minha opinião, até agora tem sido feito de uma maneira bastante equivocada!

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Mulheres invadem ‘mercado dos homens’ e relatam preconceito

Publicado em Sem categoria por Marcia Guimaraes em 08/03/2008
Delegada e motorista de ônibus relatam experiências à frente de ‘carreiras masculinas’.
Economia impulsiona criação de vagas para homens, diz Dieese.

Passageiro se recusou a entrar no ônibus da motorista Adriana Silva

Ao se tornar delegada de polícia, há 19 anos, Elisabete Sato, de 51 anos, jurou ser “o melhor delegado que pudesse ser”. O nome da carreira, assim mesmo, no masculino, deixa claro o perfil da profissão. Ao longo dos últimos anos, a única delegada seccional da capital diz que, até hoje, percebe a existência de “preconceito velado” por ser policial. A discriminação surge tanto de colegas quanto de criminosos.

“Em reuniões com delegados percebo que alguns são muito profissionais, mas em outros noto um desconforto por estarem subordinados a uma mulher”, afirma ela, que já ouviu até de um traficante que era humilhante ser preso por uma mulher.

Driblando os preconceitos, a delegada da 4ª Seccional Norte abre caminhos para mais mulheres – atualmente 500 delas são “delegados” no estado. No Dia Internacional da Mulher, comemorado neste sábado (8), relatamos experiências daquelas que exercem profissões em mercados dominados por homens.

As mulheres começam a entrar em “segmentos masculinos”, mas suas chances ainda são pequenas. Segundo dados do  Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese , a taxa de desemprego caiu mais entre os homens em 2007.

Ana Groto é taxista há sete meses em SP

Isso porque as vagas criadas, na indústria e na construção civil, foram ocupadas por homens. Dos 198 mil postos gerados na região metropolitana de São Paulo no ano passado, apenas 32% (63 mil) foram para as mulheres.

Longe dos números, sindicatos de motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo percebem na prática esse desequilíbrio. Elas reclamam de falta de oportunidade na hora da contratação. Adriana Silva, de 36 anos, é uma das trabalhadoras que conseguiu romper essa barreira – na empresa onde trabalha há apenas quatro mulheres motoristas entre os 527 condutores.

Ao longo de 11 horas de jornada de trabalho, na linha Terminal Capelinha-Jabaquara (Zona Sul), ela provoca surpresa, recebe elogios e também é alvo de preconceito. “Teve um passageiro que me disse que mulher tem de pilotar fogão e um colega falou que eu estava tomando emprego dos homens.” Houve até quem se recusasse a entrar em seu ônibus.

“A gente está tentando ocupar espaço. Os direitos são iguais”, defendeu a cobradora de ônibus Viviani Ferreira, de 21 anos, que concilia o trabalho com a criação de três filhos.

Por outro lado, essas paulistanas são reconhecidas pela ousadia. “Tem gente que pára no semáforo e me diz: ‘Parabéns! Você é uma guerreira’”, conta a “motogirl” Ana Nobre, de 40 anos, há 15 fazendo serviços de frete. Recentemente, ela adotou um capacete rosa para não ser mais confundida com um motoqueiro.

Para a taxista Ana Maria Groto, de 44 anos, a surpresa é maior entre as próprias mulheres. “Elas dizem: ‘Ah, que bom que é uma mulher’. As passageiras ficam mais tranqüilas.” Por sua vez, os colegas de profissão lançam desafios. “Eles me perguntam: ‘E se o pneu furar? Você troca?’ Tenho de conseguir. É a minha profissão.”

‘Os direitos são iguais’, diz a cobradora Viviani Ferreira

Assim como a taxista, a diretora-executiva da área de asset management do Banco Real, Luciane Ribeiro, de 44 anos, que conquistou seu espaço em um mercado financeiro dominado por homens, sugere perseverança às mulheres. “A área exige muita dedicação e persistência. Em vários momentos, você pensa em desistir.”

Para ela, as mulheres ainda se vêem obrigadas a provar sua capacidade frente aos homens. Ironicamente, foi uma atitude discriminatória de um colega da polícia que impulsionou a delegada Elisabete Sato. “Aquilo foi bom, porque mostrei minha capacidade. Aí o delegado passou a me respeitar e minha carreira foi deslanchando.”

( Publicado no meu Blog, mas o crédito da matéria é de Silvia Ribeiro do Portal Globo de Notícias )

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Planalto proíbe divulgação de gastos do gabinete de Lula

Publicado em Sem categoria por Marcia Guimaraes em 04/02/2008

A Presidência da República decidiu excluir do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU) as informações sobre gastos com alimentação das residências oficiais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva bancados com cartões corporativos.

Relatório divulgado no portal antes do veto informa que o ecônomo José Henrique Souza, assessor especial do gabinete do presidente, gastou R$ 114,9 mil em compras de vinhos e carnes, entre outros itens, em estabelecimentos de Brasília, ao longo do ano passado. Despesas irregulares com cartão corporativo provocaram a demissão da ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, sexta-feira.

A proibição da divulgação das despesas bancadas com os cartões corporativos de Souza e de outros servidores encarregados de fazer compras para o gabinete do presidente Lula foi baixada em janeiro, pouco antes do escândalo que resultou no afastamento de Matilde. As restrições são recomendadas pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança de Lula.
O GSI alega que informações sobre compras das residências do presidente – o Palácio da Alvorada e a Granja do Torto – devem ser preservadas por questão de segurança.

( Informações lidas no G1, da Globo Online )

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Justiça vai investigar 25 ONGs

Publicado em Sem categoria por Marcia Guimaraes em 30/01/2008

Um levantamento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhado ao Ministério da Justiça para amparar a operação de combate à biopirataria, compra ilegal de terras, interferência indevida em áreas indígenas e exploração de recursos minerais, lista pelo menos 25 organizações não-governamentais (ONGs) com atuação na Amazônia e que devem ser investigadas pela força tarefa criada pelo Ministério da Justiça. No grupo estão as entidades mais expressivas com atuação nas áreas indígenas e na defesa do meio ambiente. O relatório traz um cadastro completo das entidades, nome ou razão social, origem, sede, dirigentes, fontes de financiamento, área de atuação e as atividades desenvolvidas, mas deixa claro que nem todas exercem atividades suspeitas.

A força-tarefa coordenada pela Secretaria Nacional de Justiça vai identificar todas as entidades com o auxílio da Polícia Federal e de outros órgãos públicos federais, como Forças Armadas, Funai e Ibama, para separar as que realizam um trabalho social das que usam a defesa dos índios e do meio ambiente para praticar crimes contra a soberania do país e exploração de recursos naturais.

- Vamos despolitizar esse debate e separar o joio do trigo – , afirma o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. Sua primeira tarefa, no entanto, será encontrar um consenso de atuação entre os órgãos públicos para definir a prioridade da força tarefa e separar as entidades sérias das suspeitas. Segundo ele, quem não se sujeitar ao controle governamental tem outros objetivos:

- Estará violando a soberania ou preocupado com as riquezas naturais do país – diz o secretário.

Na lista de 25 ONGs, a Abin aponta 13 com atuação em áreas indígenas e, entre elas, as suspeitas. As que mereceram maior atenção são entidades como a Amazon Conservation (ACT), de origem americana, que desenvolveu campanhas para compra de terras e é suspeita de biopirataria. Dados coletados pela Abin, a entidade repassaria conhecimentos indígenas sobre substâncias extraídas de plantas e animais a laboratórios estrangeiras ligados à produção de cosméticos e medicamentos. Grupos indígenas chegaram a acusar a ACT de não prestar contas e nem repassar recursos prometidos às aldeias.

Outra ONG com atuação na área, a amazonense Comissão Pró-Yanomami (CCPY), segundo as anotações da Abin, chegou a celebrar convênio com o laboratório americano Shaman Pharmaceuticals, sem o conhecimento da Funai ou da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), para repassar conhecimentos tradicionais dos índios sobre medicina em troca de recursos, o que caracterizaria, segundo o governo amazonense, a prática de etnobiopirataria.

Epidemias

A ONG indigenista amazonense Conselho Indigenista do Vale do Javari (CIVAJA), é apontada pela Abin como suspeita por má gestão de recursos públicos repassados pela Funasa, o que teria alastrado epidemias entre os índios. A entidade não prestou contas dos recursos alegando que na região em que atua, a fronteira, não consegue notas fiscais ou recibos que comprovem gastos com alimentação e transporte fluvial às equipes.

A Coordenação da União dos Povos Indígenas de Rondônia, Noroeste do Mato Grosso e Sul do Amazonas (CUNPIR), embora se apresente como entidade que combate a exploração ilegal de diamantes na Reserva Roosevelt, em Rondônia, seria dona de equipamentos de garimpagem descobertos na mesma área dos Cinta-Larga, numa localidade conhecida por Igarapé Laje. A entidade é financiada por ONGs alemãs e tem parte de suas despesas bancadas pela WWF – Brasil.

Cosmovisão

Uma outra entidade de nome esquisito, a norte-americana Jovens Com Uma Missão (JOCUM), desenvolve trabalho evangélico junto a grupos que nunca haviam sido procurados por missionários e arranjou encrenca com a principal ONG indigenista brasileira, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), ligado a igreja católica, e com a própria Funai. A JOCUM foi acusada de ameaçar a identidade das etnias e interferir na “cosmovisão” dos índios, introduzindo, através de rituais religiosos, entidades místicas estranhas à cultura dos índios Suruaha, no Amazonas.

A Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), seita de origem americana, é suspeita de usar o trabalho religioso como pretexto para destruir a cultura indígena, praticar a biopirataria, realizar prospecção ilícita do subsolo e contrabandear minerais de áreas indígenas. A MNTB atua em junto a mais de 40 etnias.

Entre as ONGs ambientalistas, um dos alvos certos da investigação é a inglesa Cool Earth, dirigida pelo milionário sueco Johan Eliasc, que oferece terras pela Internet no Amazonas, Mato Grosso e em determinadas regiões do Equador com o pretexto de arrecadar dinheiro para preservação de áreas “adotadas”. Eliasc é suspeito de ter utilizado laranjas para comprar cerca de 160 mil hectares no Amazonas e de estimular outros empresários ingleses a comprar terras na região sob o argumento de que a bandeira preservacionista é um bom negócio. Uma entidade brasileira, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON), premiada internacionalmente pelo trabalho de conservação, mas é citado no relatório por desenvolver projetos de pesquisas sobre desmatamentos financiados pelo governo e entidades filantrópicas americanas, utilizando imagens do satélite MODIS que pertence à NASA.

( Fonte JB Online e foi escrito por : Vasconcelo Quadros Brasília )

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