O continuismo e a mesmice nas prefeituras
Quero tecer aqui alguns comentários sobre as eleições municipais. Temos acompanhado nos jornais que o continuísmo e a mesmice pareciam ser a tônica destas eleições, quando lí, não levei isso muito a sério. Mas percebí, apurando aqui com meus botões, que algumas cidades conseguiram se sair bem, então comecei a pensar melhor sobre o assunto.
Juliano Machado, na sua coluna comentou que :
o Jornal A Folha de São Paulo informa que, dos 20 prefeitos de capitais candidatos à reeleição, 12 venceram no primeiro turno e os outros oito foram para a segunda fase da disputa. Ninguém ficou no meio do caminho. O uso da máquina administrativa e o fortalecimento do caixa das prefeituras em relação a 2004 são apontados pelo jornal como possíveis causas dessa supremacia. No mês de Setembro, a mídia em geral já havia noticiando que o cenário positivo na economia brasileira deveria refletir o bom fôlego dos eleitores nos municípios, e pela lógica em time que está ganhando não se mexe.
Em São Paulo, onde moro e voto desde 1996, Gilberto Kassab conseguiu não só passar para segundo turno quanto estar à frente da petista Marta Suplicy o 2º turno inteiro. Todas as pesquisas mostram esta tendência evidente. Depois daquele comentário infeliz no auge da crise aérea (quem consegue esquecer aquilo ? ) e de episódios como a taxa do lixo e as famosas escolas de lata de sua gestão anterior como prefeita de São Paulo, é uma imensa vitória e mostra a força da sua imagem bem construída. Nas coletivas da Marta as quais ela falava mais como sexóloga (apesar de ser também deputada federal, se não me engano) e confesso que, na maioria das vezes sempre gostei de seu discurso. Ao vivo ela parece elegante, altiva e sua postura sempre com aquele discurso inteligente e sem preconceitos agradava a maioria. Mas era outra época, o PT não tinha chegado ao poder (estávamos no primeiro mandato governo de FHC) e não vivíamos este risco iminente de uma hegemonia que nos force a uma falsa democracia. Hoje chego à conclusão que votar em político inexpressivo como Kassab – que foi homem de planejamento de Celso Pitta, alguém que não se esforça ao menos em ser popular nem na vida pessoal nem nas propostas políticas – é uma forma de expressarmos que queremos apenas um político que realize algo de concreto em favor da sociedade. Será que vamos conseguir o que esperamos ?
Nas próximas eleições, o TSE deveria proibir TODO e QUALQUER tipo de propaganda eleitoral externa para vereadores em cidades com menos de 100 mil habitantes. O cara teria que entregar santinho batendo de porta em porta e falar aberto e sinceramente com o seu futuro eleitor. Isso pouparia os meus e os seus, os nossos ouvidos de tantas promessas mirabolantes e ainda e obrigaria o político a conhecer as dificuldades e os pontos vulneráveis de sua cidade, pisando em esgôtos, entrando com o carro em ruas esburacadas e sentindo o sufôco de andar numa rua esburacada por falta de asfalto. Ele seria obrigado a constatar as filas nos postos de saúde, as condições das creches e a falta de cadeiras, mesas, cadernos, uniformes, computadores e de merendas nas escolas. Ele se preocuparia em ouvir diretamente os eleitores, saber quais são suas reclamações e teria condições de decidir o que pretende fazer quando for efetivamente eleito, longe das idéias incríveis de seus homens de marketing, pagos a peso de ouro, que colocam no papel planos absurdos que não vingam. E quem sabe, mesmo os desonestos (que infelizmente são a maioria dentre os candidatos) aprendessem com essa lição a ter um pouco de respeito pelas pessoas, trabalhando o mínimo que fosse em respeito e confiança ao voto por elas depositado a seu favor.
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