Blog da Márcia Guimarães

Instituições oferecem curso de divulgação científica

Jornalistas e outros profissionais que atuam na área de divulgação científica têm, já no início de 2009, mais um curso de especialização (lato sensu). O Curso de Especialização em Divulgação da Ciência, da Tecnologia e da Saúde é resultado da iniciativa do Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Fundação Cecierj, com apoio da Rede de Popularização da Ciência e da Tecnologia da América Latina e do Caribe (Red-Pop), da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência e da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC).

O curso se destina a museólogos, comunicadores, jornalistas, cientistas, educadores, sociólogos, cenógrafos, produtores culturais, professores de ciências licenciados (nível superior) e demais profissionais que atuam, seja no âmbito prático ou acadêmico, na área da divulgação da ciência, da tecnologia e da saúde, da comunicação pública da ciência e da popularização científica.

O período de inscrição é de 26 de janeiro a 6 de março. O processo de seleção ocorre entre 16 e 20 de março. As aulas iniciam em 30 de março e serão ministradas no Museu da Vida, na avenida Brasil, 4365, em Manguinhos, Rio de Janeiro.

Informações sobre o curso podem ser obtidas no site www.museudavida.fiocruz.br/lato.

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O Jornalismo e a verdade na qual queremos crer

Publicado em Internet por Marcia Guimaraes em 01/01/2009

“A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro.” (Noam Chomsky)

O jornalista estadunidense Chip Rowe publicou certa vez na revista American Journalism Review uma reportagem sobre a relutância dos profissionais de imprensa em dar entrevistas aos seus colegas de profissão: “As pessoas da comunidade jornalística têm as mesmas suspeitas do público de que suas palavras serão distorcidas”, afirmou Rowe. Na mesma linha, seu conterrâneo David Shaw citou – referindo-se ao mesmo tema – uma história dos tempos em que cobria a mídia para o Los Angeles Times, quando um editor do próprio veículo se recusou a conversar com ele sobre uma pauta, estendendo a proibição aos seus repórteres.

O professor Ken Metzler, que durante vinte anos estudou as relações entre fontes e repórteres na Universidade do Oregon, fez o seguinte diagnóstico sobre este desconforto: “A mídia comete tantos erros que os repórteres sentem-se paranóicos para dar entrevistas; sentem-se desamparados.” Outra explicação para o mal-estar entre colegas de ofício foi dada por Jack Shafer: “Eles vivem de encher lingüiça. Então sabem o que vai na lingüiça.”

Uma influência perniciosa e constante

Citados os exemplos acima – pinçados de um artigo publicado pelo Instituto Gutenberg (autor não especificado) -, seria de bom tom perguntar: se nem os jornalistas confiam nos jornalistas é de se esperar que a sociedade o faça? Apesar de provocativa e abrangente dentro do contexto em que as afirmações anteriores foram feitas, a questão tem fundamento. Afinal, que verdades são estas que trazemos à tona diariamente? As do leitor? Do dono do jornal? Do poder político-econômico por detrás dele? Muito se fala de ética, mas podemos perguntar também qual a ética que prevalece na selva das redações?

Jornalista, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), Eugenio Bucci sustenta, no artigo “O que significa acreditar na imprensa” (onde dá continuidade a reflexões feitas no artigo “O patriotismo do consumo”, ambos neste Observatório), que “não há canal mais adequado para dialogar com a sociedade do que a instituição da imprensa”. Diz, também, respondendo a alguns de seus leitores que contestaram a credibilidade dos jornais, que acreditar na imprensa não significa crer passivamente em tudo o que os veículos publicam, mas sim, participar ativamente do que nela é discutido. Para Bucci, “fora da imprensa vista como instituição, não existe um fórum democrático para o florescimento de uma opinião pública bem fundamentada e vibrante”. E completa: “Acreditar nela significa ter disposição para dentro dela formular, apoiar e criticar pontos de vista.”

Não me sinto capacitado teoricamente para confrontar o cerne da argumentação de Bucci. Desenvolvo estas mal traçadas linhas, imbuído, isso sim, de um sentimento de impotência diante do que hoje se apresenta como jornalismo – sentimento que, penso, é compartilhado por muitos. E assim, tento raciocinar sobre o que diz o professor em seu artigo, por exemplo, quando expõe as diferenças básicas entre a instituição da imprensa e outras formas de comunicação. “A publicidade é uma prática nitidamente comercial, ainda que se beneficie legitimamente da liberdade de expressão. Já a imprensa é uma prática não-comercial, ainda que notícias também possam circular como mercadorias.” Ocorre que, analisando o mainstream, já não me sinto seguro para discernir o que é jornalismo e o que é publicidade, dada a perniciosa e constante influência do poder político-econômico sobre a pauta.

O “papel secundário de correligionária”

Uma tarde dedicada à leitura dos “jornalões”, das revistas semanais e dos blogs autorais que proliferam na web pode ser uma experiência e tanto para reforçar este sentimento de desorientação. A revista x acusa a revista y de editorializar sua pauta. A revista y responde dizendo que a revista x vive da publicidade governamental. Em meio a isso, colegas entram em um tiroteio ideológico cujo objetivo é mostrar, através de artigos bem delineados e de dossiês, que tal setor da mídia não é digno de confiança. Como resposta, os acusados iniciam campanhas de desconstrução profissional dignas de uma KGB (ou de uma CIA, para não soar ideológico de minha parte).

Bem, os mais argutos podem argumentar que a conclusão sobre esta ou aquela afirmação deve ser resultado do cabedal de informação de cada um. Ocorre que, em meio a esta tempestade de informação na qual se transformou o jornalismo contemporâneo, dominar um leque tão vasto de assuntos complexos é tarefa hercúlea até para jornalistas, estes profissionais que se arvoram no direito de dar pitaco sobre as mais diversas áreas, mas que se arrepiam quando o assunto adentra sua seara. Se, é assim para nós, imagine para o leitor.

Em 2005, o jornalista Luciano Martins Costa, no artigo “A partidarização oculta os problemas reais”, neste Observatório, perguntava: “A imprensa ainda é um instrumento confiável para a interpretação da realidade nacional?” Tratando especificamente do caso “mensalão” e de sua abordagem na mídia, ele finaliza com uma avaliação que pode, no entanto, ser ampliada para esta guerra de confiabilidade na qual estão imersos hoje os muitos atores da imprensa no Brasil. Diz ele:

“Difícil aceitar que a imprensa jogue deliberadamente um jogo de esconde-esconde com a opinião pública, mas não é complicado entender que, depois de haver enfrentado uma crise de quase uma década, durante a qual perdeu muitos colaboradores e foi obrigada a firmar compromissos com credores, ela possa ter se tornado mais vulnerável à tentação de se manter alinhada a grupos de poder cujas premissas, afinal, não teria dificuldade para assimilar. Problema mesmo é constatar que a imprensa abdicou de participar da formulação de grandes estratégias sociais e políticas para se resignar ao papel secundário de correligionária na tarefa de fazer muito barulho para não revelar o essencial.”

Assessoria do poder político-econômico

Em recente entrevista ao site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU On-Line), o professor Erick Torrico Villanueva, diretor da pós-graduação em Comunicação e Jornalismo da Universidade Andina Simon Bolívar, disse que a crise no setor deriva da desconfiguração de suas práticas e princípios em prol de uma vertente onde o fator comercial é o que impera. Entre as causas e conseqüências desta inversão de valores e objetivos, Villanueva cita o desaparecimento da informação de interesse do público dos espaços de notícias na televisão e no rádio; o esvaziamento do conteúdo básico das notícias; a tendência do noticiário em gerar incerteza e alarme ao invés de informar; e a busca, pela imprensa, em assimilar forma e conteúdo dos padrões dos meios audiovisuais que desvirtuam a atividade jornalística.

Na introdução do livro Imprensa na berlinda – a fonte pergunta, de Norma S. Alcântara, Manual Carlos Chaparro e Wilson Garcia, os autores, lembram com propriedade Luiz Beltrão, que no livro Jornalismo interpretativo acentuou a necessidade de conhecer a fonte e seus propósitos: “Conhecer a fonte é distinguir os propósitos do sujeito promotor da ocorrência, ou as intenções do intermediário ou do testemunho, de quem (pessoa ou instituição) fornece dados mediante os quais se mede o peso do acontecimento noticiável. Sem esse prévio conhecimento da política informativa da fonte, sem essa atividade cognitiva fundamental, não poderá o comunicador da informação de atualidade distinguir, na maré das circunstâncias e ângulos que concorrem para torná-los visíveis e desapercebidos, os autênticos valores e aspectos com que irá preencher as lacunas, os vazios da informação, habilitando-o a dar à mensagem aquela transparência e complementação, sem a qual o receptor continuará mal informado ou, pior ainda, passível de trocar seu status do titular do direito de ser informado pelo de tutelado sem poder ou capacidade decisória.”

Muito correto. A falta de atenção ou entendimento a respeito desta importante reflexão sobre o fazer jornalístico tem condenado muitos jornalistas e veículos de comunicação a um papel de assessoria de imprensa do poder político-econômico. Um exemplo recente deste comportamento foi retratado no artigo “Imprensa fecha os olhos e fortalece homofobia em MS”, publicado neste Observatório no dia 17 de dezembro.

Democracia e liberdade de expressão

Mas, pinçando desta reflexão o argumento de fundo, não terá a população o mesmo direito de conhecer a fonte e seus propósitos – no caso, os veículos de comunicação – ao folhear seu jornal predileto ou ao assistir do sofá da sala ao telejornal de sua preferência? São dados ao consumidor de notícia os meios de conhecer o que de fato há por detrás das manchetes?

Uma frase de Chaparro, citada na introdução do livro supracitado, também poderia ter sua construção adaptada. “Quando o jornalismo se acomoda no aconchego das fontes organizadas e foge dos maus cheiros que atormentam os desprotegidos, ele próprio começa a cheirar mal”, diz ele. Da mesma forma o leitor/telespectador não cheira melhor ao engolir a notícia como verdade absoluta. E se não é isso o que está ocorrendo, então, por favor, mehr licht!

De fato, há argumentos para todos os lados. Pode-se dizer que a maioria acredita piamente e confia no que lê e ouve. Pode-se, também, dizer que não, que a população está mais consciente, mais propensa a questionar a notícia, a interagir com os veículos de comunicação e – como pediu Bucci – “participar ativamente do que neles é discutido”. Há, inclusive, pesquisas para todos os gostos.

Um destes estudos – divulgado neste ano – é o Latinobarómetro, promovido anualmente pelo Economist, abordando o pensamento político dos cidadãos latino-americanos. O levantamento, conduzido no Brasil pelo Ibope, concluiu, entre outras coisas, que apenas 44% dos brasileiros acreditam que “a democracia garante a liberdade de expressão sempre e em todas as partes”. Ficamos em penúltimo lugar entre os países latino-americanos, à frente apenas da Guatemala (com 42%) e 36 pontos percentuais atrás do Uruguai, primeiro colocado entre os que atribuem à democracia um papel de garantia para a liberdade de expressão.

Vender gato por lebre

Estes mesmos brasileiros que, segundo o Latinobarómetro, disseram que não se importariam em viver sob um governo não democrático desde que este resolvesse problemas econômicos (57% dos entrevistados) e elegeram o rádio como veículo de comunicação mais confiável (64%), seguido pelos jornais (62%) e pela TV (60%). O Brasil aparece, na mostra patrocinada pelo Economist, em segundo lugar entre os países latino-americanos que mais confiam nestes veículos de comunicação, sempre acima da média apresentada pelos demais países pesquisados (55% para rádios, 51% para TV e 48% para os jornais).

Outra pesquisa otimista foi realizada pela multinacional de relações públicas Edelman, segundo a qual 64% dos brasileiros consideram a mídia a instituição mais confiável. A Edelman revelou ainda que 71% dos entrevistados julgam ser confiáveis os artigos publicados por revistas especializadas em negócios. No Brasil (a pesquisa foi realizada em 18 países), foram ouvidas 150 pessoas com idade variando entre 25 e 64 anos, entre outubro e novembro de 2007.

Pouco divulgado, no entanto, foi o perfil das 150 pessoas ouvidas pela empresa. Além do número muito aquém do desejado para uma pesquisa que pretendia traçar um perfil nacional (segundo quis fazer parecer o jornal O Globo), os entrevistados foram gente considerada pela Endelman “líderes de opinião”: com curso superior, pertencentes aos 25% detentores do maior nível de renda por domicílio e com grande interesse em assuntos relacionados à mídia, à economia e aos negócios públicos. Trata-se, portanto, de uma amostra de parte da elite brasileira.

Para os que se aventuraram no link intitulado “segundo quis fazer parecer o jornal O Globo” ou já estavam por dentro das maquinações dos Marinho para vender gato por lebre, pergunto: se nosso jornalismo (ou parte importante dele) se esforça por noticiar uma informação incorreta sobre seus próprios níveis de aceitação popular, o que fará com outras notícias de interesse político-econômico?

Conhecer e entender o leitor

No contraponto está, por exemplo, a pesquisa realizada em 2006 pelo Instituto GlobeScan para a BBC, a Reuters e o The Media Center (no Brasil, o trabalho foi realizado pela GfK Indicator, que ouviu mil adultos de nove regiões metropolitanas – Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo – no período de 16 a 22 de março). O levantamento revelou que, no Brasil, mais da metade dos entrevistados (55%) não confia nas informações obtidas através da mídia. Entre todos os países pesquisados, esse percentual só não foi maior do que o obtido na Alemanha (57%).

Além disso, a pesquisa revelou que o Brasil é o país onde as pessoas estão mais descontentes com a sua própria mídia, segundo os seguintes fatores: a mídia exagera na cobertura das notícias ruins (80%); os leitores raramente encontram na grande mídia as informações que gostariam de obter (64%); não concordam que a cobertura da grande mídia seja acurada (45%); declaram ter trocado de fonte de informação nos 12 meses anteriores por terem perdido a confiança (44%).

Durante o evento “Mitos e Verdades do Brasil de Hoje – a Visão da Mídia”, realizado em São Paulo no dia 27 de novembro, Otavio Frias Filho, da Folha de S.Paulo, disse que, para que os jornais sobrevivam, é preciso que eles conheçam e entendam seu leitor, e admitiu que a distância entre o que a imprensa oferece e o que os leitores querem ler é imensa.

A busca da “verdade até a morte”

Mas afinal, o que quer o leitor? Ao que parece, ninguém sabe ao certo. Analisando o evento (do qual também participaram Ricardo Gandour, do Estado de S.Paulo, e Josemar Gimenez, do Correio Braziliense), Luciano Martins Costa diz o seguinte (no artigo “Um melancólico olhar para dentro”, neste Observatório):

“Os três representantes do grupo que se costuma qualificar como `a grande imprensa´ não deram demonstração de otimismo quanto ao futuro dos jornais. Também deixaram a impressão de que os jornais que saem de suas impressoras não são aqueles que eles gostariam de ver impressos. Muito do que expuseram como opiniões suas se opõe diametralmente ao que seus diários publicam. A imagem que deixaram na platéia de convidados foi a de uma melancolia profunda, como a dos velhos elefantes que se encaminham lentamente para o cemitério.”

A análise dos três publishers não é diferente da minha ou da de milhares de jornalistas perdidos nos descaminhos da profissão. Alguns têm mais poder de decisão que outros, mas todos nós estamos mergulhados até o pescoço em uma pantomima na qual fingimos que fazemos jornalismo enquanto a população finge que acredita nisso.

Talvez, como sugeriu monsenhor Paul Tighe, secretário do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais do Vaticano, tenhamos que recorrer à ética e à incessante busca da “verdade até a morte” para entendermos, de fato, o que quer o leitor e o que queremos nós, jornalistas.

Texto de Victor Barone.

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Estamos próximos mesmo de uma Nova Era ?

Publicado em Cidadania & Educação, Comunicação, Informação, Internet, Notícias por Marcia Guimaraes em 29/11/2008


A Globalização é um fenômeno galopante e as intersecções entre culturas de todo o planeta estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano. Pesquisa, Arte e Negócios já operam em um nível mundial, sofrendo impacto de um intercambio – muitas vezes – imediato de informações e conhecimento.

Contudo as salas de aula em todos os níveis de ensino no Brasil ainda são ilhas isoladas e herméticas, muitas vezes, ideologicamente fechadas. O domínio de uma segunda língua ainda é risível em nosso país.

Por um lado o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) sequer mensura o segundo idioma na avaliação dos alunos de “2º Grau”. Por outro, 64% dos estudantes universitários disseram ter “algum conhecimento de inglês” ao ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Esse exame apontou que 36% dos universitários não têm nenhum conhecimento desse idioma, portanto. Pouco se sabe do resto da população.

O fato é que o Brasil ainda encontra-se distanciado, e faz – portanto – um uso limitado da Internet. Segundo o Internet World Stats, as três línguas mais utilizadas na rede são o Inglês (29%), o Mandarim (19%) e o Espanhol (8%). O português representa 4% desse universo.

O professor e criador do Mídia Lab do MIT (Massachusetts Institute of Technology), atualmente o “pai do lap top de U$ 100″, Nicolas Negroponte, concedeu entrevista para a Revista @prender. Negroponte é um visionário e principal referência mundial sobre tendências e novas tecnologias. Na época solicitei-lhe que projetasse as principais revoluções tecnológicas das próximas cinco décadas, e obtive como resposta que em “2010 teríamos em todos os lugares computadores operando com Banda Larga e sem fios” e que “até 2020 a tradução da linguagem será tão boa e natural quanto a do próprio ser humano”(1). Frente à popularização da telefonia 3G e mais recentemente dos NetBooks (além da modernização dos programas de tradução oferecidos on line como o Babylon e a Ferramentas de Idiomas do Google), fica fácil acreditar que algum aparelho surja em breve tornando possível uma conversa – em tempo real – entre pessoas de nacionalidades e línguas absolutamente distintas.

O Brasil pode viver isolado idiomaticamente a espera de novas tecnologias que suplantem o déficit do ensino da segunda língua em nosso país e abram os 96% da rede para o nosso povo.

Ainda que essa seja uma barreira, é possível falar e pensar hoje na troca de conhecimentos entre salas de aula de todo o planeta. Inclusive de salas de aula do Brasil com o mundo. Algumas iniciativas podem ser adotadas em curto prazo. Imediatamente para o professor sensibilizado com a importância de formar cidadãos do mundo desde as primeiras séries do ensino fundamental.
Escolas Irmãs

O conceito de escolas irmãs não é novo. No Brasil esse é o nome, inclusive, de um programa do Ministério da Educação, que o propõem como “uma rede de colaboração mútua entre escolas que estabelecem parcerias, com o objetivo de compartilhar experiências e trocas pedagógicas, enfatizando a vivência de valores universais e os ideais de solidariedade humana”. O MEC propõe uma rede de escolas tupiniquins, mas muitas instituições podem transgredir barreiras e aventurar-se na prospecção de “irmãs” em todo o planeta. Com as novas ferramentas de relacionamento, como Instant Messengers e redes sociais, os educadores podem montar redes de salas de aula globais com escolas de todo o mundo.
Quebras de Barreiras Idiomáticas

Os educadores devem apropriar-se de novas línguas de forma a multiplicar seu universo de pesquisa. Devem aventurar-se por textos em outros idiomas e abusar das ferramentas de tradução, ainda experimentais, mas – já – muito eficazes.
Utilização de Novas Tecnologias

Uma nova tendência mundial merece destaque nesse artigo. A Open Learning Iniciative é uma rede mundial de universidades de primeira linha – coincidentemente encabeçadas pelo MIT, que propõem a derrubada das barreiras de acesso ao conhecimento pela Internet. Dezenas de instituições de ensino em todo o planeta vêm divulgando conteúdos por meio de mídias diversas na rede, para ser consumido por interessados de todos os países. Uma força democratizadora de conhecimento que irá tornar-se popular em poucos anos.

O fato é que as comportas do intercambio de inteligência, boas práticas e tecnologias pedagógicas abriram-se para os educadores interessados em – de fato e objetivamente – ampliarem suas dinâmicas abrindo-se para um mundo de oportunidades. Com trocadilhos!

(1) Em tempo: Negroponte previu ainda, sob a ressalva de que se tratavam de palpites e que acontecerão progressivamente, que até 2030 existirão implantes no corpo e no cérebro para comunicação direta e argumentação com os computadores, que até 2040 iremos fazer arquivos de mentes para imortalidade e que até 2050 iremos teletransportar objetos.

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BLOGOSFERA O uso jornalístico dos blogs

Publicado em Comunicação, Internet por Marcia Guimaraes em 26/11/2008
Os weblogs, comumente chamados de blogs, surgiram como um diário pessoal na internet, um lugar para escrever e divulgar coisas de interesse íntimo e opiniões. Essa ferramenta digital ainda é usada para essa finalidade, porém vem se expandido e sendo incorporada também com outros objetivos, mercadológicos. Os blogs atualmente têm sido preferencialmente desenvolvidos por empresas de mídia para informar mais, dar continuidade ao material divulgado na TV, revista, jornal ou rádio. É o jornalismo fazendo uso do blog.O blog pode ser atualizado e editado várias vezes diariamente, sem limite aparente de conteúdo. Isso gera uma grande facilidade para as redes de comunicação divulgarem mais sobre os assuntos que cobrem. Tem ainda a vantagem da interação entre o autor do blog e o leitor. Na seção de comentários de leitores, disponibilizada nos blogs, pode-se criticar, acrescentar informações, elogiar, corrigir, enfim, falar com o responsável pelo material divulgado com muito mais facilidade, ajudando a manter o espaço sempre atualizado. Isso é importante também para a formação do blog. Saber o que o leitor quer ler e como quer é fundamental para que qualquer meio atraia cada vez mais leitores.

Blogueiros e jornalistas

Outra utilização do blog feita pelos jornalistas e outros membros de empresas de comunicação é como mecanismo de opinião. No jornalismo online, em geral, há maior divulgação de conteúdo opinativo, mas no blog isto está mais caracterizado pela existência de discussão contínua sobre o que é divulgado nos textos, incluindo o uso de comentários dos leitores para a criação de novos posts. Assim, até a própria linguagem empregada virtualmente termina por se diferenciar daquela encontrada no jornal impresso. Percebe-se maior intimidade entre autor e leitor – afinal, seu escritor tem mais nítido com quem está dialogando.

Grandes empresas jornalísticas mantêm em seus sites blogs de seus profissionais. O site Zero Hora.com, por exemplo, apresenta uma variedade de páginas para cada assunto, onde jornalistas e comentaristas da organização divulgam diariamente notícias que não ganham espaço na versão em papel, aprimoram o conteúdo do jornal ou manifestam suas opiniões. Além disso, ainda há as páginas virtuais temporárias, feitas exclusivamente para cobrir algum fato importante que está acontecendo em um dado período, como os vários blogs que tratavam dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Contudo, todo esse uso que as grandes mídias estão fazendo desse instrumento começou após a invenção dos diários digitais. No seu início, os weblogs eram feitos pelos adolescentes usuários da internet, que se serviam deles literalmente como diários, onde escreviam os acontecimentos do dia-a-dia, suas reflexões e frustrações. Havia também os blogs temáticos, que reuniam um grupo de pessoas com os mesmos gostos sobre variados assuntos. Os próprios jornalistas, no princípio, não viam os blogs com bons olhos. Qualquer um poderia criar uma página e publicar notícias iguais ou muito semelhantes às disponibilizadas pelos jornais online. Havia um embate entre os blogueiros conhecidos e jornalistas formados – um lado alegando liberdade para se expressar e o outro exigindo profissionalismo na divulgação de notícias.

Interação direta com o cliente

Atualmente, quem não está muito contente com o uso feito dos blogs são os seus antigos usuários. O diário digital ganhou popularidade entre as empresas de comunicações que, em sua grande maioria, mantêm vários blogs de seus profissionais. Os tradicionais utilizadores, que os mantinham para fazer confidências a parentes e amigos, perderam espaço para os grandes blogs, cujas visitas chegam a mais de um milhão por mês. Por mais que esse ambiente seja visto pelos leitores de blogs jornalísticos como uma forma mais próxima do autor, os donos das páginas desbancadas perceberam que os blogs se tornaram mais uma ferramenta para garantir lucro aos grandes grupos midiáticos. A intimidade que eles tinham com os leitores do blog foi alterada.

Enquanto isso, cada vez mais as empresas jornalísticas, e mesmo companhias fora do ramo da comunicação, investem nesse novo meio de passar informação, conhecimento e, além de tudo, de interação direta com o cliente. No entanto, sem deixar de lado as potencialidades tradicionais da mídia, que ainda são as que atingem maior número de pessoas.


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Entidades do campo do jornalismo indicarão nomes para comissão de revisão curricular

Publicado em Cidadania & Educação por Marcia Guimaraes em 14/11/2008

Dirigentes da FENAJ, do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo (FNPJ) e da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) reúnem-se em São Paulo, na próxima semana, para definir suas indicações para a Comissão a ser constituída pelo Ministério da Educação para revisar as diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. As propostas da Comissão serão submetidas ao Conselho Nacional de Educação (CNE). A FENAJ tem posição contrária a cursos de curta duração que possibilitem a profissionais de outras áreas o ingresso no Jornalismo.

Em audiência solicitada pelas três entidades, realizada dia 23 de outubro, além de admitir que não compete ao MEC interferir no debate sobre a regulamentação profissional dos jornalistas, o ministro Fernando Haddad manifestou preocupação com a formação acadêmica e manifestou a intenção de compor uma comissão para revisar as diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. Como a FENAJ, FNPJ e SBPJor manifestaram disposição de participar, abriu-se a possibilidade de indicarem nomes com saber consolidado no campo profissional e acadêmico do jornalismo e sem caráter de representação direta das entidades.

O presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, informou que as três entidades desenvolveram um calendário conjunto de atividades, com consultas prévias às suas instâncias, e que na reunião que realizarão em São Paulo na próxima semana deverão definir encaminhamentos comuns.

Murillo desconsiderou informações que circularam na imprensa na semana passada, segundo as quais o ministro Haddad teria dado novas declarações em favor de cursos de menor duração para que profissionais de outras áreas possam atuar profissionalmente no Jornalismo. “Não nos pautaremos, no debate do currículo, por declarações que só contribuem para tumulturar ainda mais a polêmica sustentada pelas empresas em torno da regulamentação profissional”, disse.

O presidente da FENAJ adiantou que a entidade é contra qualquer proposta que implique formar “meio jornalista” em um curso de curta duração. “Mas não nos recusamos ao debate de uma proposta mais ampla que racionalize o reingresso na graduação e que tenha como princípio a reciprocidade entre os cursos de Jornalismo e outros cursos universitários”, esclareceu.

Matéria publicada no site da FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas

DIPLOMA DE JORNALISMO

Publicado em Assessoria de Imprensa, Cidadania & Educação, Comunicação, Informação, Internet, Notícias por Marcia Guimaraes em 14/11/2008

Debate na USP isola as falácias

Reproduzido do blog Laudas Críticas, título original “Debate na USP isola falácias sobre exigência de diploma”

O debate “Obrigatoriedade do diploma”, realizado na noite de quinta-feira (6/11) na Escola de Comunicações e Artes da USP, foi um grande avanço nessa polêmica que se intensificou no Brasil a partir da Ação Civil Pública de outubro de 2001, proposta pelo Ministério Público Federal de São Paulo. Parte da programação da Semana de Jornalismo 2008 da ECA-USP e organizado por estudantes dessa escola, o encontro, que aconteceu no Auditório Freitas Nobre, do Departamento de Jornalismo e Editoração, proporcionou o entendimento sobre os equívocos e falácias que permeiam as discussões sobre esse tema.

Ao participar desse evento, tive a satisfação de ter como colegas de mesa Pedro Pomar, editor da Revista Adusp (da Associação dos Docentes da USP) e membro da oposição do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, e Maria Elisabete Antonioli, professora de jornalismo da Universidade Ibirapuera e das Faculdades Integradas Rio Branco. A direção da mesa foi exercida por Paula Sacchetta, aluna do segundo ano de Jornalismo. (Em resposta à pergunta que já deve ter surgido na cabeça muitos leitores, aqui vai a resposta: sim, ela é parente – neta -do incomparável Hermínio Sacchetta).

O mais importante do debate foi o interesse dos debatedores nos argumentos contrários. Diferentemente do que tem sido registrado dos encontros entre antagonistas dessa polêmica, em que predomina o exercício de se dirigir somente às suas próprias platéias, ali foi possível uma discussão ponto a ponto de diferentes aspectos da exigência da formação superior específica em jornalismo estabelecida no Brasil por meio do decreto-lei nº 972, de 17/10/1969.

Mais que ressaltar os principais embates ocorridos nessa discussão, vale a pena destacar os consensos nela obtidos. Teremos muito a ganhar em novos debates presenciais ou virtuais se esses pontos forem, se não seguidos, pelo menos conhecidos. Tento resgatá-los a seguir, e coloco-me à disposição de Pomar, Elisabete e dos demais presentes ao debate para corrigir eventuais equívocos.

Os consensos

1. Não à desqualificação dos oponentes. Como bem destacou Pomar, tem sido inadequado o procedimento da Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas) de reduzir à mera defesa de interesses patronais as críticas à obrigatoriedade do diploma. Em contrapartida, a defesa dessa exigência não pode ser identificada automaticamente com a defesa de interesses corporativistas de sindicatos, donos de faculdades particulares ou professores de jornalismo. Do ponto de vista lógico, esses expedientes consistem no apelo à falácia do Argumentum ad hominem.

2. O decreto-lei e a Junta Militar. Não é válido o argumento de que a obrigatoriedade do diploma não é legítima porque foi estabelecida pelos ministros militares que governaram o país em 1969. Não se pode desconsiderar, como bem destacou Maria Elisabete, o fato de que várias reivindicações foram levadas meses antes por sindicalistas ao governo. (A esse respeito, vale a pena ler o artigo o artigo “Liberdade de expressão e regulamentação profissional”, de José Carlos Torves, publicado em 26/8/2008 neste Observatório da Imprensa.) No entanto, divergi dos outros dois debatedores ao observar que pode e deve ser explorado juridicamente o fato de esse decreto-lei não se basear em nenhuma outra lei, mas somente no AI-5 e no AI-16, revogados desde 1979.

3. Não confundir a formação com sua exigência. Deve-se evitar a expressão “contra o diploma”. O que está em questão não é a formação, mas a sua obrigatoriedade. Melhor dizendo, a obrigatoriedade da formação superior específica em jornalismo para o exercício dessa profissão. A ressalva pode parecer óbvia, mas a divisão simplória entre “favoráveis ao diploma” e “contrários ao diploma” tem servido para potencializar equívocos, principalmente entre aqueles que estão pouco informados sobre a questão.

4. Jornalismo não é só prática. Não é verdade que o jornalismo se aprende somente com a prática. Esta não é suficiente para o exercício da profissão de acordo com seus preceitos éticos e técnicos. Além disso, o jornalismo exige boa formação cultural e humanística. A divergência responsável entre favoráveis e contrários à obrigatoriedade está na forma com a qual deve ou pode ser obtida ou comprovada essa formação.

5. Qualidade dos cursos não serve como argumento. A afirmação de que os cursos de jornalismo, em sua maioria, são ruins não serve para invalidar a sua obrigatoriedade. Esse argumento pode justificar a suspensão ou o fechamento caso a caso de cursos de qualquer área, mas não o fim de sua obrigatoriedade.

6. Não confundir opinião com jornalismo. Muitos dos que são contra a obrigatoriedade do diploma se equivocam ao usar artigos opinativos de especialistas como exemplos de bons trabalhos jornalísticos. O decreto-lei 972/1969 não impede que especialistas de outras áreas escrevam como convidados ou colaboradores. O que está em questão é se só a formação superior em jornalismo pode preparar alguém para exercer funções exclusivamente jornalísticas, como as de repórter, redator, editor e outras.

7. Ideologização e falta de verificação. Muitos daqueles que evitam o debate alegam que ele é “ideologizado”. No entanto, seja no sentido amplo ou no específico do termo “ideologia”, não é possível evitar aspectos ideológicos na discussão. O ponto relevante é que muitas manifestações têm sido feitas sem preocupação com a verificação e a análise de suas premissas. Nesse sentido, é correto afirmar, como Rogério Christofoletti em seu blog Monitorando, que a “Discussão sobre o diploma está muito ideologizada” (grifo meu).

8. Não confundir exigência do diploma com regulamentação. A profissão de jornalista é regulamentada em muitos dos países em que não há o requisito de formação superior específica para ela. Enquanto o STF (Supremo Tribunal Federal) não se pronuncia sobre essa exigência e sobre a Lei de Imprensa, poderíamos avançar na discussão sobre os diversos modelos de regulamentação vigentes.

9. O debate não deve se restringir ao aspecto constitucional. Em que pese o fato de o tema estar prestes a ser julgado pelo STF, a discussão não deve ser restrita à tese da não recepção do decreto-lei 972 pela Constituição Federal de 1988 (art. 5º, incisos V e XIII). É preciso também debater em seu mérito a exigência da graduação específica em jornalismo.

As divergências

É neste ponto que começam as divergências sobre as premissas dos debatedores. Nem mesmo o próprio Recurso Extraordinário 511961, do Ministério Público Federal de São Paulo, a ser apreciado por essa Corte, incorre na limitação do tema ao aspecto constitucional, na medida em que apela para outros dispositivos com força de lei no Brasil. Tratam-se da Declaração Universal dos Direitos Humanos, das Nações Unidas, e da Convenção Americana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos:

Declaração Universal dos Direitos Humanos. Artigo XIX.

“Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.”

Convenção Americana Americana de Direitos Humanos. Artigo 13.

“Liberdade de Pensamento e de Expressão

1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito compreende a liberdade de buscar, receber e difundir informações e idéias de toda natureza, sem consideração de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer outro processo de sua escolha.

2. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito a censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente fixadas pela lei a ser necessárias para assegurar:

a) o respeito aos direitos ou à reputaçào das demais pessoas; ou

b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da moral públicas.

3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias ou meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de freqüências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e opiniões.”

Omissão de professores

Ressaltei no debate aquilo que já disse várias vezes em meu blog e em outros espaços: não se vêem respostas dos acadêmicos defensores da obrigatoriedade a diversas contestações explícitas a essa exigência, principalmente a manifestações de importantes teóricos da comunicação. Com essa omissão, eles, na condição de docentes e pesquisadores, renunciam a exercer plenamente o ethos acadêmico e, na condição de jornalistas, renunciam ao debate de idéias.

Um exemplo de estudioso da comunicação muito respeitado no Brasil e no mundo, e contrário à obrigatoriedade do diploma é Daniel Cornu, professor do Instituto de Jornalismo e Comunicação, da Universidade de Neuchâtel, de Lausanne, e diretor do Centro Franco-Suíço de Formação de Jornalistas, de Genebra. Mas não se vêem contestações à afirmação dele de que…

“O jornalismo é uma ‘profissão aberta’, que não exige formação específica ou diploma. Sua definição é tautológica: é considerado jornalista quem exerce sua atividade principal na imprensa escrita ou nos meios de comunicação audiovisuais. Mais precisamente, são reconhecidos como jornalistas os agentes da mídia, independentemente dos meios ou técnicas de expressão utilizados, que satisfaçam três critérios: a concepção e realização de uma produção intelectual, uma relação deste trabalho com a informação, além do critério de atualidade.” (Daniel Cornu. Ética da Informação. Tradução de Laureano Pelegrin. Bauru: Editora da Universidade do Sagrado Coração, 1998, pág. 19.)

Apontei vários exemplos de omissões desse tipo nas postagens “Os defensores do diploma e seus debates imaginários”, de 08/08/2008, “A liberdade de expressão e o diploma de jornalismo”, de 16/09/2008, assim como no artigo “Diploma de jornalismo”, publicado em 24/06/2005 na Revista Consultor Jurídico e também em 27/06/2005 no Observatório da Imprensa.

Condição necessária

Além desse argumento de ordem jurídica, apresentei outro, o de que a formação superior específica em jornalismo não é condição necessária – muito menos condição suficiente – para o exercício dessa profissão com base em seus preceitos técnicos e éticos. (Sobre os princípios éticos do jornalismo, Pomar ressaltou que não conseguiu aprovar em um dos congressos da Fenaj sua proposta de vedar, no Código de Ética, a participação de jornalistas em propagandas com fins comerciais.)

Se uma pessoa tem as qualificações mínimas para exercer a medicina, a engenharia, a odontologia, a veterinária e várias outras profissões, é porque ela teve formação específica nas respectivas áreas. Ou seja, é impossível neste início de século 21, ter tais qualificações sem ter estudado na respectiva área acadêmica. Nesses casos, a formação superior específica é condição necessária para o exercício de tais profissões. Por isso, justifica-se sua obrigatoriedade nos termos do inciso XIII do artigo 5º da Constituição.

No entanto, se uma pessoa tem as qualificações mínimas para exercer o jornalismo, não podemos afirmar que ela necessariamente estudou jornalismo, o que é atestado pelo que acontece em quase todo o mundo. O mesmo se aplica à publicidade, à administração (que é exercida também por economistas, engenheiros e formados em outras áreas) à música, às artes cênicas. Isso quer dizer que a formação superior específica não é condição necessária para o exercício dessas profissões. E é por isso que não se deve exigir formação superior específica para elas.

Falácia recorrente

Apesar de sua inegável disposição para a discussão, meus dois colegas debatedores da mesa não apontaram, em suas respostas às questões levantadas por mim e por alguns dos presentes ao debate, quais são as qualificações necessárias para o jornalismo que seriam obtidas exclusivamente por meio da formação superior específica. Minha tese é a de que esse ponto, que nunca foi provado, sempre teve status de dogma. E foi o que sempre esteve por trás da confusão recorrente do jornalismo com profissões que exigem qualificações obtidas necessariamente por meio de cursos superiores específicos. Sem falar nos argumentos do tipo “então tem de abolir também o diploma de médico, engenheiro…”.

Reconheci no debate que, apesar da correção lógica desse argumento, não dá para convencer muitos dos defensores da obrigatoriedade do diploma a aceitá-lo. Mas ele deixa claro que é deles o ônus de uma complicada prova – que na minha opinião é impossível. Portanto, a alegação de que muitos críticos da obrigatoriedade confundem direito de expressão e exercício profissional se baseia em uma premissa: a de que a formação específica é condição necessária para qualificações exigidas pela profissão. Mas é justamente isso o que deveria ser discutido. Em outras palavras, essa alegação incorre naquilo que em lógica se chama falácia da petição de princípio.

Agradeço aos alunos da ECA-USP pela oportunidade de discutir esse assunto e pelo ambiente agradável que proporcionaram para isso. Agradeço também aos outros dois debatedores que participaram do evento: eles ressaltaram aspectos relevantes sobre a exigência do diploma e mostraram que o debate civilizado de idéias é possível mesmo em torno de um tema altamente polêmico como esse.

* Matéria de Maurício Tuffani, Jornalista especializado em ciência e meio ambiente, editor do blog Laudas Críticas.

Publico aqui na íntegra o conteúdo que lí no site ” Observatório da Imprensa” porque são informações de extrema importância para mim, para os colegas e pertinentes a nossa carreira.

Manter um blog seu na empresa é trabalho?

No fundo, a inquietação é: blog corporativo é trabalho?

“Se já não tenho tempo para nada, ainda vou blogar?”.

A idéia de uma máquina para cada pessoa, “meu HD”, “meus arquivos”, está desaparecendo na web, com a chegada das ferramentas do Google Desktop e similares.

O meu micro será em rede, os aplicativos rodarão lá e meus arquivos ficarão ali. Este é o caminho mais provável, pois é mais barato, dinâmico e eficiente.

Bom, então não haverá tanto mais a minha máquina, mas, sim meu espaço em rede.

A outra constatação é de que a presença do empregado em rede ainda não está consolidada nas organizações.

Hoje, as empresas vivem ainda o período pré-web 2.0, no qual não há “redes de amigos”, aquilo que o Orkut (e as redes sociais) trouxeram de melhor para a web.

Essa personalização e essa explicitação de forma fácil das redes de contatos e da minha produção resumem tudo que o pessoal da gestão de conhecimento sempre sonhou… e que a rede deu uma resposta simples: redes sociais, ou como os donos do My Space estão preferindo denominar, portais sociais.

Falei sobre camadas inteligentes, sugiro ler depois.

Eu sou fulano, minha foto, meus amigos, meus interesses, meus arquivos. Note os nomes de alguns sites: Facebook, “minha cara lá”, ou MySpace, o “meu espaço lá”.

O trabalho intelectual que é feito pelos empregados que trabalham diante de um computador passará por esta fase.

As redes de pessoas começarão a invadir as empresas, tirando-as das ilhas e colocando-as em contato com os outros. A idéia, assim, da minha máquina e da falta de visibilidade em rede tende a diminuir gradualmente.

O ambiente corporativo terá o link para o blog de cada um com todos os dados, localização física, onde a pessoa trabalha, o que está fazendo hoje, o que fez ontem, o que produziu no último ano, quem são seus contatos mais usuais, o que ela gosta, o que está estudando, o que vai estudar, o que lê, o que fotografou a serviço, que links sugere, que vídeos, que cursos fez ou quer fazer…

Tudo isso em rede, com possibilidade de comentários, acompanhamento, links, interação etc. Basta olhar a web aqui fora hoje… o que está bombando aqui vai para dentro das empresas amanhã, como já ocorreu com o e-mail e os portais. Há empresas já trabalhando assim e vamos ter esse ambiente como padrão no Brasil nos próximos cinco anos…

Aqui no país um bom case é o da IBM. Vejam, por exemplo, o blog do Taurion. Sugiro também algumas apresentações do software colaborativo da IBM, o Lotus Conection.

Ou seja, o nosso trabalho intelectual tem um resultado final: uma apresentação, um relatório, uma planilha, um documento, qualquer coisa.

E esse trabalho será feito da mesma maneira, mas o resultado será publicado no seu espaço, e/ou da sua equipe, e/ou no do seu setor, em uma ambiente de conhecimento em rede.

Note bem, o que produzimos basicamente são registro digitais.

Estes registros hoje não são bem trabalhados, não entram de forma inteligente em um fluxo, não só para rápida recuperação, o que até tem avançando com as ferramentas atuais de disseminação, mas ainda carecem de uma rápida e eficiente colaboração.

A informação tem que rolar o tempo todo, tendo a cada momento sendo acrescida de “pitacos” por cada um dos participantes da rede para ir aumentando a sua relevância para quem vai chegar depois.

E ainda uma melhor coordenação de esforços para evitar que tarefas repetidas e pouco inteligentes (para não dizer burras) sejam cada vez mais evitadas, pois é dinheiro sendo jogado fora pela janela. O capital intelectual é caro!

Assim, o blog de cada um não será o de dois espaços: um, o trabalho e outro a colaboração. Essa é uma visão precipitada do processo.

Eu produzirei e publicarei no meu blog, dentro de uma rede social da minha empresa, na qual todos estarão trocando e colaborando, como uma colméia, de forma mais eficiente do que é hoje, aumentando o uso do capital intelectual.

Assim, o blog será o que é hoje o nosso HD, com a possibilidade, a gosto de cada um, de poder escrever também suas experiências, como estou fazendo aqui depois dessa palestra.

Usando este espaço para reflexão, possíveis interações e documentando idéias que, talvez, se não tivessem sendo colocadas em rede, se perdessem no dia-a-dia.

Por fim, o que vale agora é a nossa capacidade de pensar, se articular e transformar tudo isso em algo de valor. Esse é o desafio dos novos ambientes de conhecimento corporativo…

Você concorda ?

Carlos Nepomuceno é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da Pontonet. Mais dele no blog CNepomuceno e no Twitter.

A difícil tarefa de fazer Jornalistas

Publicado em Internet por Marcia Guimaraes em 12/11/2008

No ensino do jornalismo, que Deus e os homens nos livrem da tentação de modelos únicos ou hegemônicos. Qualquer que seja, porém, a escolha curricular adotada, ela deve conter estratégias que integrem a formação teórica e a capacitação técnica, em crescentes níveis de aprofundamento e interação, tendo como eixo pedagógico espaços laboratoriais multidisciplinares.

Cursos com identidade própria

Qualquer que seja o padrão de ensino proposto ou defendido para a formação de jornalistas, a questão terá de passar, inevitavelmente, por escolhas curriculares. Se quisermos encarar seriamente o assunto, não poderemos fugir à polêmica dos currículos. E para isso aqui estou, na retomada da conversa sobre a formação de jornalistas.

Claro que não serei leviano a ponto de apresentar, aqui, o modelo ideal de currículo. Currículo ideal não existe. Nem seria desejável que existisse. Entendo, até, que cada curso de jornalismo deveria assumir, preservar e desenvolver uma vocação própria (de ensino, pesquisa e extensão), assumindo preponderâncias que o tornem referência em determinadas vertentes disciplinares do jornalismo.

Quero dizer o seguinte: sem prejuízo da visão global do campo de estudo em que o jornalismo já se constitui, e sem renúncia a compromissos com a formação integral (humanística e técnica) dos futuros profissionais, cada curso deveria desenvolver padrões de excelência em alguma vertente do aprendizado de jornalismo. E fazer disso marca de identidade.

A meu ver, seria ótimo, por exemplo, que houvesse cursos de referência no ensino e na capacitação de profissionais para as linguagens da mídia eletrônica; outros, com qualidade superior na formação para o pensar e o fazer jornalismo nos meios impressos, em um mundo movido a notícias em tempo real; outros, ainda, que aprofundassem conhecimentos para o domínio das artes e técnicas da narrativa jornalística. E (por que não?) que bom seria se algum curso de jornalismo se pudesse distinguir pela excelência do seu ensino e dos seus estudos em disciplinas relacionadas com a argumentação. A propósito, estou convencido de que a competência argumentativa do jornalismo será exigência crescente da sociedade, no mundo cada vez mais complicado em que vivemos.

Laboratórios multidisciplinares

Claro que pode haver uma certa margem de utopia nessa idéia de cursos com vocação própria, com padrões de excelência em certos agrupamentos disciplinares. Mas já se vislumbram, por aí, alguns cursos que souberam desenvolver características particulares, e com elas trabalham marcas de excelência.

Qualquer que seja, porém, ou possa ser, a vocação particular de cada curso, repito o que escrevi no texto anterior: o jornalista que a Universidade deverá formar terá de ser um profissional com educadas aptidões de intelectual, capaz de apreender, atribuir significados e dar exposição social confiável (isto é, independente, crítica e honesta) aos conflitos discursivos da atualidade. Mas será intelectualmente inepto se, ao mesmo tempo, não dominar, plena e criativamente, os conceitos, os recursos, as técnicas, as artes e as implicações da linguagem jornalística – ferramentas do seu ofício.

Defendo, portanto, combinações disciplinares que combinem a formação teórica e a capacitação técnica, em crescentes níveis de aprofundamento, ao longo do curso. Para isso, exige-se, como estratégia pedagógica, investimentos prioritários em espaços laboratoriais que não sejam apenas templos do fazer, mas onde a experimentação jamais esteja dissociada do pensar intelectual, para que aí se produza um saber consistente, no domínio dos porquês e para quês do jornalismo – jornalismo entendido como linguagem hoje essencial dos processos sócio-culturais.

Proponho, portanto, espaços laboratoriais com orientação e docência multidisciplinares.

Três momentos

Uma das discussões mais interessantes nas divergências sobre a questão curricular anda em torno das proporções ideais entre teoria e prática, na evolução do curso. Para o debate, deixo, aqui, a proposta em que mais acredito, formada sobre a minha própria experiência de profissional e professor de jornalismo.

Defendo que, com qualquer currículo, o curso de jornalismo seja ordenado em três grandes momentos articulados, de complexidade progressiva, com arranjos disciplinares que combinem conteúdos teóricos e técnicos:

INICIAÇÃO – Em nível de iniciação, e com carga horária preponderante, os alunos ingressantes deveriam ter acesso a conteúdos básicos de formação humanística, entre os quais, indispensáveis, História da Cultura e da Cidadania, História do Jornalismo, Ética e Deontologia, Economia, Ciência Política, Filosofia da Linguagem, Metodologia, Antropologia e Geografia (Política e Humana). Ao mesmo tempo, também em formato de iniciação nas técnicas jornalísticas, e com carga horária menor, mas crescente, os alunos devem dispor de espaços de aprendizado experimental, em projetos vivos, para práticas de jornalismo real, sem simulações.

APROFUNDAMENTO – Seria a fase mais alongada do curso, em que, no plano das idéias e da formação teórica, o caráter mais extensivo da iniciação daria lugar à possibilidade de escolhas para o estudo aprofundado (por meio de disciplinas optativas, por exemplo) em jornalismo e em no máximo duas áreas complementares de conhecimento, da preferência do aluno. Simultaneamente, a experimentação técnica cresceria em complexidade e carga horária, pedagogicamente inserida em espaços laboratoriais multidisciplinares, propícios às interações entre teoria e prática, espaços que, nesta fase, funcionariam como eixos do curso.

MATURAÇÃO – Seria o momento do atendimento pedagógico individualizado, preenchido com atividades orientadas de leituras, pesquisa e experimentação, para a produção do trabalho final de avaliação. Em um percurso de seis meses a um ano de estudo direcionado, em torno de um projeto ou de uma monografia, o aluno se defronta com seus limites e suas potencialidades, para demonstrar, de forma consolidada, os conhecimentos adquiridos e as aptidões desenvolvidas ao longo do curso.

Lí esta matéria no Observatório da Imprensa e publico aqui no blog porque é de extrema importância para mim, para meus colegas e para os interessados na carreira jornalística.

Sobre a importância do estágio

Publicado em Internet por Marcia Guimaraes em 07/11/2008

Aqui na redação de IMPRENSA costumamos abrir vagas para estagiários. Desde que assumi o Portal, tenho tido sorte em minhas escolhas. Embora tenha o costume de fazer testes de escrita, entrevistas e análises de currículo, a seleção nem sempre tem como critério principal o melhor texto ou experiências anteriores. Às vezes, critérios um tanto subjetivos, por assim dizer, acabam tendo mais peso. Vou tentar explicar melhor.

Quando era estudante de Jornalismo, logo no primeiro ano, nas primeiras férias que tive na faculdade, recebi uma oportunidade muito bacana de um amigo de minha família que mantém um jornal diário em minha cidade natal, Poços de Caldas (MG). O nome do jornal é Folha Popular e meu incentivador se chama Demilton Vacarelli.

Na ocasião, em 1999, eu nunca havia posto os pés em uma redação e tinha um texto bem cru, viciado pelas freqüentes redações do Ensino Médio e pelas preparações para o vestibular. Resultado: redigia matérias de página inteira, sem nenhuma retranca, embora tivesse perfeição lingüística, ou seja, sempre soube escrever Português.

Com o tempo, acompanhando o funcionamento do jornal, percebendo as nuances da escrita, vendo o trabalho dos mais experientes, aprendi muito. Como o jornal em que fiz meu primeiro estágio não era grande, tive a oportunidade de acompanhar todas as fases de produção e conhecer de perto as características de cada editoria: geral, política, polícia, entretenimento, esportes. Isso, certamente, fez uma enorme diferença em minha vida quando entrei, de fato, no mercado de trabalho. Cheguei sabendo a realidade das empresas e sem as fantasias que costumo flagrar nos estudantes.

Isso me faz defender o estágio com unhas e dentes. É indiscutível a diferença do recém-formado que já passou por estágios para o que não passou. Entendo as razões trabalhistas que levam os Sindicatos de Jornalistas a irem contra a prática, já que muitas empresas colocam os estagiários para realizar o trabalho de jornalistas formados por valores irrisórios. Mas não podemos ignorar os benefícios que um estágio pode trazer ao estudante.

Volto então, aos critérios subjetivos de que falava antes. A primeira coisa que olho, é claro, são os currículos e os que me chamam mais atenção são os mais diretos, sem embromação, sem obviedades e sem erros de Português. Já recebi muito currículo de estudante que aguardava “ancioso” minha resposta. Ou que não tinha “esperiência” anterior, mas “muito boa vontade”. Por fim, na entrevista, percebo a vontade, a dinâmica, o quão aquele estudante quer passar por aquela experiência. Já escolhi pessoas sem nenhum estágio anterior, com um texto não tão “redondo”, mas que conheciam o veículo e tinham na ponta da língua algumas matérias lidas. Pode até ser ensaiado, mas impressiona.

Falei mais de uma vez nesta coluna sobre a importância de se saber escrever o Português. Parece piada, mas é impressionante o número de erros e de absurdos que estudantes de Jornalismo são capazes de escrever. Fora os descritos acima, muitos outros, desde separar com vírgula sujeito e predicado, até não fazer a menor idéia do emprego de crases e afins. Isso é grave, porque prova que o futuro jornalista sequer lê. Erros assim raramente não cometidos por quem tem o mínimo hábito de leitura.

Portanto, caso você seja candidato a alguma vaga de estágio, preste atenção nesses toques e aproveite cada oportunidade que tiver para melhorar de seu texto. Como? Comece, pelo menos, a ler os jornais do dia. Quais as manchetes de hoje dos principais jornais do país? Caso você não saiba responder ao menos uma, corra. E corra mesmo! O mercado profissional não perdoa a desinformação e o desinteresse.

Considerações de Thaís Naldoni que é jornalista, graduada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Com passagens pela Folha Online e Sportv, também atuou como repórter e secretária de redação da Revista IMPRENSA.

Publico aqui porque são informações relevantes para a minha carreira e também de meus colegas.

Campanha pelo Diploma de Jornalismo

Publicado em Internet por Marcia Guimaraes em 04/11/2008
Coordenações regionais e lançamentos de livro intensificam Campanha pelo Diploma

Lançamentos do livro “Formação Superior em Jornalismo: uma exigência que interessa à sociedade” – editado pela FENAJ e impresso com o apoio da UFSC – e a indicação de coordenações locais da Campanha em defesa do Diploma movimentam ainda mais as discussões sobre o tema. Nos próximos dias, vários lançamentos do Livro acontecerão pelo País.

Hoje o lançamento do livro será na Feira do Livro de Porto Alegre (RS), daqui à pouco às 19h30, com sessão de autógrafos de quatro dos autores da obra: os diretores da FENAJ Sérgio Murillo de Andrade, Celso Schröder e Valci Zuculoto, mais o jornalista Lucídio Castelo Branco, que em seu artigo resgata a história da luta que conquistou a inclusão da obrigatoriedade da formação universitária na regulamentação profissional. O presidente do Sindicato do RS, José Nunes, também estará presente. Amanhã (05), o lançamento acontecerá na FEEVALE, em Novo Hamburgo (RS).

No dia 06 de novembro, o Livro será lançado na Universidade Católica de Pernambuco, em Recife, e no dia 07, em Ponta Grossa (PR). No dia 08 de novembro, o lançamento está marcado para o IV Encontro Rio-Espírito Santo de Professores de Jornalismo, na Universidade Veiga de Almeida, no Rio. O presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, um dos organizadores da obra, representará os autores na sessão de autógrafos. E para divulgar a Campanha, vão marcar presença no evento a presidente do Sindicato do Município do Rio, Suzana Blass, e a vice-sudeste da FENAJ e presidente do Sindicato do Espírito Santo, Suzana Tatagiba.

Em Belém (PA), o lançamento será no dia 9 de novembro, às 19h, na Federação da Agricultura do Estado. Em Fortaleza, haverá venda do livro e afixação do banner da Campanha no II Fórum de Comunicação do Governo Federal no Nordeste, que será realizado nos dias 10 e 11 de novembro. Já no dia 13, o livro será lançado no Encontro de Comunicação da Universidade Potiguar (UNP), em Natal (RN), com a presença da presidente do Sindicato do RN, Nelly Carlos. .

Coordenações Regionais reforçam a luta
Os Sindicatos dos Jornalistas de todo Brasil também estão indicando coordenadores regionais para ampliar a Campanha em Defesa do Diploma em suas bases. O Sindicato do Ceará indicou Claylson Martins; em Pernambuco, o indicado foi Ricardo Melo; por Minas Gerais a responsável é Valéria Said; Ilza Araújo é indicação do município do Rio de Janeiro; Aniela Almeida coordena pelo Sindicato do Paraná; Rio Grande do Sul indicou Léo Nuñez; e em Santa Catarina, o comando está com Miriam Santini de Abreu.
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Esses coordenadores regionais e os outros, que ainda serão indicados pelos Sindicatos, têm, entre as suas responsabilidades, iniciar a preparação do novo Dia Nacional de Mobilização, que acontecerá na data (ainda a ser marcada) do julgamento do Recurso Extraordinário RE 511961 no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mobilização permanente
Tanto o lançamento do Livro quanto a preparação de um novo Dia Nacional de Mobilização são orientações da Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma, que tem feito um grande trabalho de articulação para garantir que o tema seja discutido e compreendido pela sociedade. “Temos afirmado e reafirmado que a questão do diploma não pode estar restrita a nossa categoria. A qualidade da informação e o Jornalismo exercido por profissionais capacitados ética, técnica e teoricamente são direitos da sociedade, e ela [sociedade] tem se mostrado atenta a isso. As pesquisas que têm abordado o tema expressam estas preocupações e conscientização. Não é por acaso que a pesquisa feita pelo Instituto Sensus indica que mais de 70% da população quer jornalista diplomado”, afirma Rudinaldo Gonçalves, um dos Coordenadores Nacionais da Campanha. Ele também argumenta que além das pesquisas de opinião, o grande número de debates e artigos, inclusive científicos, que vêm sendo produzidos país afora, demonstram a ampliação das discussões e o entendimento da sociedade sobre a importância da formação universitária para a qualificação do Jornalismo.

Para Gonçalves, a Campanha vive um momento de intensificação. “A proximidade da votação no STF tem servido como mais uma motivação para nossa luta. Estamos e devemos aproveitar ainda mais cada espaço possível para divulgar o movimento, com o lançamento do Livro [Formação Superior em Jornalismo: uma exigência que interessa à sociedade], com a participação em debates, com a coleta de assinaturas de apoio à campanha, com o envio de mensagens de sensibilização aos ministros do STF, além da divulgação dos materiais da campanha – DVD, selos, banners, busdoor, panfletos”, conclui Rudinaldo Gonçalves.

Este e outros materiais da Campanha em Defesa do Diploma estão disponíveis no site www.fenaj.org.br