Entidades do campo do jornalismo indicarão nomes para comissão de revisão curricular
Dirigentes da FENAJ, do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo (FNPJ) e da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) reúnem-se em São Paulo, na próxima semana, para definir suas indicações para a Comissão a ser constituída pelo Ministério da Educação para revisar as diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. As propostas da Comissão serão submetidas ao Conselho Nacional de Educação (CNE). A FENAJ tem posição contrária a cursos de curta duração que possibilitem a profissionais de outras áreas o ingresso no Jornalismo.
Em audiência solicitada pelas três entidades, realizada dia 23 de outubro, além de admitir que não compete ao MEC interferir no debate sobre a regulamentação profissional dos jornalistas, o ministro Fernando Haddad manifestou preocupação com a formação acadêmica e manifestou a intenção de compor uma comissão para revisar as diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. Como a FENAJ, FNPJ e SBPJor manifestaram disposição de participar, abriu-se a possibilidade de indicarem nomes com saber consolidado no campo profissional e acadêmico do jornalismo e sem caráter de representação direta das entidades.
O presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, informou que as três entidades desenvolveram um calendário conjunto de atividades, com consultas prévias às suas instâncias, e que na reunião que realizarão em São Paulo na próxima semana deverão definir encaminhamentos comuns.
Murillo desconsiderou informações que circularam na imprensa na semana passada, segundo as quais o ministro Haddad teria dado novas declarações em favor de cursos de menor duração para que profissionais de outras áreas possam atuar profissionalmente no Jornalismo. “Não nos pautaremos, no debate do currículo, por declarações que só contribuem para tumulturar ainda mais a polêmica sustentada pelas empresas em torno da regulamentação profissional”, disse.
O presidente da FENAJ adiantou que a entidade é contra qualquer proposta que implique formar “meio jornalista” em um curso de curta duração. “Mas não nos recusamos ao debate de uma proposta mais ampla que racionalize o reingresso na graduação e que tenha como princípio a reciprocidade entre os cursos de Jornalismo e outros cursos universitários”, esclareceu.
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Matéria publicada no site da FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas
DIPLOMA DE JORNALISMO
Debate na USP isola as falácias
Reproduzido do blog Laudas Críticas, título original “Debate na USP isola falácias sobre exigência de diploma”
O debate “Obrigatoriedade do diploma”, realizado na noite de quinta-feira (6/11) na Escola de Comunicações e Artes da USP, foi um grande avanço nessa polêmica que se intensificou no Brasil a partir da Ação Civil Pública de outubro de 2001, proposta pelo Ministério Público Federal de São Paulo. Parte da programação da Semana de Jornalismo 2008 da ECA-USP e organizado por estudantes dessa escola, o encontro, que aconteceu no Auditório Freitas Nobre, do Departamento de Jornalismo e Editoração, proporcionou o entendimento sobre os equívocos e falácias que permeiam as discussões sobre esse tema.
Ao participar desse evento, tive a satisfação de ter como colegas de mesa Pedro Pomar, editor da Revista Adusp (da Associação dos Docentes da USP) e membro da oposição do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, e Maria Elisabete Antonioli, professora de jornalismo da Universidade Ibirapuera e das Faculdades Integradas Rio Branco. A direção da mesa foi exercida por Paula Sacchetta, aluna do segundo ano de Jornalismo. (Em resposta à pergunta que já deve ter surgido na cabeça muitos leitores, aqui vai a resposta: sim, ela é parente – neta -do incomparável Hermínio Sacchetta).
O mais importante do debate foi o interesse dos debatedores nos argumentos contrários. Diferentemente do que tem sido registrado dos encontros entre antagonistas dessa polêmica, em que predomina o exercício de se dirigir somente às suas próprias platéias, ali foi possível uma discussão ponto a ponto de diferentes aspectos da exigência da formação superior específica em jornalismo estabelecida no Brasil por meio do decreto-lei nº 972, de 17/10/1969.
Mais que ressaltar os principais embates ocorridos nessa discussão, vale a pena destacar os consensos nela obtidos. Teremos muito a ganhar em novos debates presenciais ou virtuais se esses pontos forem, se não seguidos, pelo menos conhecidos. Tento resgatá-los a seguir, e coloco-me à disposição de Pomar, Elisabete e dos demais presentes ao debate para corrigir eventuais equívocos.
Os consensos
1. Não à desqualificação dos oponentes. Como bem destacou Pomar, tem sido inadequado o procedimento da Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas) de reduzir à mera defesa de interesses patronais as críticas à obrigatoriedade do diploma. Em contrapartida, a defesa dessa exigência não pode ser identificada automaticamente com a defesa de interesses corporativistas de sindicatos, donos de faculdades particulares ou professores de jornalismo. Do ponto de vista lógico, esses expedientes consistem no apelo à falácia do Argumentum ad hominem.
2. O decreto-lei e a Junta Militar. Não é válido o argumento de que a obrigatoriedade do diploma não é legítima porque foi estabelecida pelos ministros militares que governaram o país em 1969. Não se pode desconsiderar, como bem destacou Maria Elisabete, o fato de que várias reivindicações foram levadas meses antes por sindicalistas ao governo. (A esse respeito, vale a pena ler o artigo o artigo “Liberdade de expressão e regulamentação profissional”, de José Carlos Torves, publicado em 26/8/2008 neste Observatório da Imprensa.) No entanto, divergi dos outros dois debatedores ao observar que pode e deve ser explorado juridicamente o fato de esse decreto-lei não se basear em nenhuma outra lei, mas somente no AI-5 e no AI-16, revogados desde 1979.
3. Não confundir a formação com sua exigência. Deve-se evitar a expressão “contra o diploma”. O que está em questão não é a formação, mas a sua obrigatoriedade. Melhor dizendo, a obrigatoriedade da formação superior específica em jornalismo para o exercício dessa profissão. A ressalva pode parecer óbvia, mas a divisão simplória entre “favoráveis ao diploma” e “contrários ao diploma” tem servido para potencializar equívocos, principalmente entre aqueles que estão pouco informados sobre a questão.
4. Jornalismo não é só prática. Não é verdade que o jornalismo se aprende somente com a prática. Esta não é suficiente para o exercício da profissão de acordo com seus preceitos éticos e técnicos. Além disso, o jornalismo exige boa formação cultural e humanística. A divergência responsável entre favoráveis e contrários à obrigatoriedade está na forma com a qual deve ou pode ser obtida ou comprovada essa formação.
5. Qualidade dos cursos não serve como argumento. A afirmação de que os cursos de jornalismo, em sua maioria, são ruins não serve para invalidar a sua obrigatoriedade. Esse argumento pode justificar a suspensão ou o fechamento caso a caso de cursos de qualquer área, mas não o fim de sua obrigatoriedade.
6. Não confundir opinião com jornalismo. Muitos dos que são contra a obrigatoriedade do diploma se equivocam ao usar artigos opinativos de especialistas como exemplos de bons trabalhos jornalísticos. O decreto-lei 972/1969 não impede que especialistas de outras áreas escrevam como convidados ou colaboradores. O que está em questão é se só a formação superior em jornalismo pode preparar alguém para exercer funções exclusivamente jornalísticas, como as de repórter, redator, editor e outras.
7. Ideologização e falta de verificação. Muitos daqueles que evitam o debate alegam que ele é “ideologizado”. No entanto, seja no sentido amplo ou no específico do termo “ideologia”, não é possível evitar aspectos ideológicos na discussão. O ponto relevante é que muitas manifestações têm sido feitas sem preocupação com a verificação e a análise de suas premissas. Nesse sentido, é correto afirmar, como Rogério Christofoletti em seu blog Monitorando, que a “Discussão sobre o diploma está muito ideologizada” (grifo meu).
8. Não confundir exigência do diploma com regulamentação. A profissão de jornalista é regulamentada em muitos dos países em que não há o requisito de formação superior específica para ela. Enquanto o STF (Supremo Tribunal Federal) não se pronuncia sobre essa exigência e sobre a Lei de Imprensa, poderíamos avançar na discussão sobre os diversos modelos de regulamentação vigentes.
9. O debate não deve se restringir ao aspecto constitucional. Em que pese o fato de o tema estar prestes a ser julgado pelo STF, a discussão não deve ser restrita à tese da não recepção do decreto-lei 972 pela Constituição Federal de 1988 (art. 5º, incisos V e XIII). É preciso também debater em seu mérito a exigência da graduação específica em jornalismo.
As divergências
É neste ponto que começam as divergências sobre as premissas dos debatedores. Nem mesmo o próprio Recurso Extraordinário 511961, do Ministério Público Federal de São Paulo, a ser apreciado por essa Corte, incorre na limitação do tema ao aspecto constitucional, na medida em que apela para outros dispositivos com força de lei no Brasil. Tratam-se da Declaração Universal dos Direitos Humanos, das Nações Unidas, e da Convenção Americana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos:
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Artigo XIX.
“Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.”
Convenção Americana Americana de Direitos Humanos. Artigo 13.
“Liberdade de Pensamento e de Expressão
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito compreende a liberdade de buscar, receber e difundir informações e idéias de toda natureza, sem consideração de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer outro processo de sua escolha.
2. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito a censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente fixadas pela lei a ser necessárias para assegurar:
a) o respeito aos direitos ou à reputaçào das demais pessoas; ou
b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da moral públicas.
3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias ou meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de freqüências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e opiniões.”
Omissão de professores
Ressaltei no debate aquilo que já disse várias vezes em meu blog e em outros espaços: não se vêem respostas dos acadêmicos defensores da obrigatoriedade a diversas contestações explícitas a essa exigência, principalmente a manifestações de importantes teóricos da comunicação. Com essa omissão, eles, na condição de docentes e pesquisadores, renunciam a exercer plenamente o ethos acadêmico e, na condição de jornalistas, renunciam ao debate de idéias.
Um exemplo de estudioso da comunicação muito respeitado no Brasil e no mundo, e contrário à obrigatoriedade do diploma é Daniel Cornu, professor do Instituto de Jornalismo e Comunicação, da Universidade de Neuchâtel, de Lausanne, e diretor do Centro Franco-Suíço de Formação de Jornalistas, de Genebra. Mas não se vêem contestações à afirmação dele de que…
“O jornalismo é uma ‘profissão aberta’, que não exige formação específica ou diploma. Sua definição é tautológica: é considerado jornalista quem exerce sua atividade principal na imprensa escrita ou nos meios de comunicação audiovisuais. Mais precisamente, são reconhecidos como jornalistas os agentes da mídia, independentemente dos meios ou técnicas de expressão utilizados, que satisfaçam três critérios: a concepção e realização de uma produção intelectual, uma relação deste trabalho com a informação, além do critério de atualidade.” (Daniel Cornu. Ética da Informação. Tradução de Laureano Pelegrin. Bauru: Editora da Universidade do Sagrado Coração, 1998, pág. 19.)
Apontei vários exemplos de omissões desse tipo nas postagens “Os defensores do diploma e seus debates imaginários”, de 08/08/2008, “A liberdade de expressão e o diploma de jornalismo”, de 16/09/2008, assim como no artigo “Diploma de jornalismo”, publicado em 24/06/2005 na Revista Consultor Jurídico e também em 27/06/2005 no Observatório da Imprensa.
Condição necessária
Além desse argumento de ordem jurídica, apresentei outro, o de que a formação superior específica em jornalismo não é condição necessária – muito menos condição suficiente – para o exercício dessa profissão com base em seus preceitos técnicos e éticos. (Sobre os princípios éticos do jornalismo, Pomar ressaltou que não conseguiu aprovar em um dos congressos da Fenaj sua proposta de vedar, no Código de Ética, a participação de jornalistas em propagandas com fins comerciais.)
Se uma pessoa tem as qualificações mínimas para exercer a medicina, a engenharia, a odontologia, a veterinária e várias outras profissões, é porque ela teve formação específica nas respectivas áreas. Ou seja, é impossível neste início de século 21, ter tais qualificações sem ter estudado na respectiva área acadêmica. Nesses casos, a formação superior específica é condição necessária para o exercício de tais profissões. Por isso, justifica-se sua obrigatoriedade nos termos do inciso XIII do artigo 5º da Constituição.
No entanto, se uma pessoa tem as qualificações mínimas para exercer o jornalismo, não podemos afirmar que ela necessariamente estudou jornalismo, o que é atestado pelo que acontece em quase todo o mundo. O mesmo se aplica à publicidade, à administração (que é exercida também por economistas, engenheiros e formados em outras áreas) à música, às artes cênicas. Isso quer dizer que a formação superior específica não é condição necessária para o exercício dessas profissões. E é por isso que não se deve exigir formação superior específica para elas.
Falácia recorrente
Apesar de sua inegável disposição para a discussão, meus dois colegas debatedores da mesa não apontaram, em suas respostas às questões levantadas por mim e por alguns dos presentes ao debate, quais são as qualificações necessárias para o jornalismo que seriam obtidas exclusivamente por meio da formação superior específica. Minha tese é a de que esse ponto, que nunca foi provado, sempre teve status de dogma. E foi o que sempre esteve por trás da confusão recorrente do jornalismo com profissões que exigem qualificações obtidas necessariamente por meio de cursos superiores específicos. Sem falar nos argumentos do tipo “então tem de abolir também o diploma de médico, engenheiro…”.
Reconheci no debate que, apesar da correção lógica desse argumento, não dá para convencer muitos dos defensores da obrigatoriedade do diploma a aceitá-lo. Mas ele deixa claro que é deles o ônus de uma complicada prova – que na minha opinião é impossível. Portanto, a alegação de que muitos críticos da obrigatoriedade confundem direito de expressão e exercício profissional se baseia em uma premissa: a de que a formação específica é condição necessária para qualificações exigidas pela profissão. Mas é justamente isso o que deveria ser discutido. Em outras palavras, essa alegação incorre naquilo que em lógica se chama falácia da petição de princípio.
Agradeço aos alunos da ECA-USP pela oportunidade de discutir esse assunto e pelo ambiente agradável que proporcionaram para isso. Agradeço também aos outros dois debatedores que participaram do evento: eles ressaltaram aspectos relevantes sobre a exigência do diploma e mostraram que o debate civilizado de idéias é possível mesmo em torno de um tema altamente polêmico como esse.
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* Matéria de Maurício Tuffani, Jornalista especializado em ciência e meio ambiente, editor do blog Laudas Críticas.
Publico aqui na íntegra o conteúdo que lí no site ” Observatório da Imprensa” porque são informações de extrema importância para mim, para os colegas e pertinentes a nossa carreira.
Manter um blog seu na empresa é trabalho?
No fundo, a inquietação é: blog corporativo é trabalho?
“Se já não tenho tempo para nada, ainda vou blogar?”.
A idéia de uma máquina para cada pessoa, “meu HD”, “meus arquivos”, está desaparecendo na web, com a chegada das ferramentas do Google Desktop e similares.
O meu micro será em rede, os aplicativos rodarão lá e meus arquivos ficarão ali. Este é o caminho mais provável, pois é mais barato, dinâmico e eficiente.
Bom, então não haverá tanto mais a minha máquina, mas, sim meu espaço em rede.
A outra constatação é de que a presença do empregado em rede ainda não está consolidada nas organizações.
Hoje, as empresas vivem ainda o período pré-web 2.0, no qual não há “redes de amigos”, aquilo que o Orkut (e as redes sociais) trouxeram de melhor para a web.
Essa personalização e essa explicitação de forma fácil das redes de contatos e da minha produção resumem tudo que o pessoal da gestão de conhecimento sempre sonhou… e que a rede deu uma resposta simples: redes sociais, ou como os donos do My Space estão preferindo denominar, portais sociais.
Falei sobre camadas inteligentes, sugiro ler depois.
Eu sou fulano, minha foto, meus amigos, meus interesses, meus arquivos. Note os nomes de alguns sites: Facebook, “minha cara lá”, ou MySpace, o “meu espaço lá”.
O trabalho intelectual que é feito pelos empregados que trabalham diante de um computador passará por esta fase.
As redes de pessoas começarão a invadir as empresas, tirando-as das ilhas e colocando-as em contato com os outros. A idéia, assim, da minha máquina e da falta de visibilidade em rede tende a diminuir gradualmente.
O ambiente corporativo terá o link para o blog de cada um com todos os dados, localização física, onde a pessoa trabalha, o que está fazendo hoje, o que fez ontem, o que produziu no último ano, quem são seus contatos mais usuais, o que ela gosta, o que está estudando, o que vai estudar, o que lê, o que fotografou a serviço, que links sugere, que vídeos, que cursos fez ou quer fazer…
Tudo isso em rede, com possibilidade de comentários, acompanhamento, links, interação etc. Basta olhar a web aqui fora hoje… o que está bombando aqui vai para dentro das empresas amanhã, como já ocorreu com o e-mail e os portais. Há empresas já trabalhando assim e vamos ter esse ambiente como padrão no Brasil nos próximos cinco anos…
Aqui no país um bom case é o da IBM. Vejam, por exemplo, o blog do Taurion. Sugiro também algumas apresentações do software colaborativo da IBM, o Lotus Conection.
Ou seja, o nosso trabalho intelectual tem um resultado final: uma apresentação, um relatório, uma planilha, um documento, qualquer coisa.
E esse trabalho será feito da mesma maneira, mas o resultado será publicado no seu espaço, e/ou da sua equipe, e/ou no do seu setor, em uma ambiente de conhecimento em rede.
Note bem, o que produzimos basicamente são registro digitais.
Estes registros hoje não são bem trabalhados, não entram de forma inteligente em um fluxo, não só para rápida recuperação, o que até tem avançando com as ferramentas atuais de disseminação, mas ainda carecem de uma rápida e eficiente colaboração.
A informação tem que rolar o tempo todo, tendo a cada momento sendo acrescida de “pitacos” por cada um dos participantes da rede para ir aumentando a sua relevância para quem vai chegar depois.
E ainda uma melhor coordenação de esforços para evitar que tarefas repetidas e pouco inteligentes (para não dizer burras) sejam cada vez mais evitadas, pois é dinheiro sendo jogado fora pela janela. O capital intelectual é caro!
Assim, o blog de cada um não será o de dois espaços: um, o trabalho e outro a colaboração. Essa é uma visão precipitada do processo.
Eu produzirei e publicarei no meu blog, dentro de uma rede social da minha empresa, na qual todos estarão trocando e colaborando, como uma colméia, de forma mais eficiente do que é hoje, aumentando o uso do capital intelectual.
Assim, o blog será o que é hoje o nosso HD, com a possibilidade, a gosto de cada um, de poder escrever também suas experiências, como estou fazendo aqui depois dessa palestra.
Usando este espaço para reflexão, possíveis interações e documentando idéias que, talvez, se não tivessem sendo colocadas em rede, se perdessem no dia-a-dia.
Por fim, o que vale agora é a nossa capacidade de pensar, se articular e transformar tudo isso em algo de valor. Esse é o desafio dos novos ambientes de conhecimento corporativo…
Você concorda ?
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Carlos Nepomuceno é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da Pontonet. Mais dele no blog CNepomuceno e no Twitter.
A difícil tarefa de fazer Jornalistas
No ensino do jornalismo, que Deus e os homens nos livrem da tentação de modelos únicos ou hegemônicos. Qualquer que seja, porém, a escolha curricular adotada, ela deve conter estratégias que integrem a formação teórica e a capacitação técnica, em crescentes níveis de aprofundamento e interação, tendo como eixo pedagógico espaços laboratoriais multidisciplinares.
Cursos com identidade própria
Qualquer que seja o padrão de ensino proposto ou defendido para a formação de jornalistas, a questão terá de passar, inevitavelmente, por escolhas curriculares. Se quisermos encarar seriamente o assunto, não poderemos fugir à polêmica dos currículos. E para isso aqui estou, na retomada da conversa sobre a formação de jornalistas.
Claro que não serei leviano a ponto de apresentar, aqui, o modelo ideal de currículo. Currículo ideal não existe. Nem seria desejável que existisse. Entendo, até, que cada curso de jornalismo deveria assumir, preservar e desenvolver uma vocação própria (de ensino, pesquisa e extensão), assumindo preponderâncias que o tornem referência em determinadas vertentes disciplinares do jornalismo.
Quero dizer o seguinte: sem prejuízo da visão global do campo de estudo em que o jornalismo já se constitui, e sem renúncia a compromissos com a formação integral (humanística e técnica) dos futuros profissionais, cada curso deveria desenvolver padrões de excelência em alguma vertente do aprendizado de jornalismo. E fazer disso marca de identidade.
A meu ver, seria ótimo, por exemplo, que houvesse cursos de referência no ensino e na capacitação de profissionais para as linguagens da mídia eletrônica; outros, com qualidade superior na formação para o pensar e o fazer jornalismo nos meios impressos, em um mundo movido a notícias em tempo real; outros, ainda, que aprofundassem conhecimentos para o domínio das artes e técnicas da narrativa jornalística. E (por que não?) que bom seria se algum curso de jornalismo se pudesse distinguir pela excelência do seu ensino e dos seus estudos em disciplinas relacionadas com a argumentação. A propósito, estou convencido de que a competência argumentativa do jornalismo será exigência crescente da sociedade, no mundo cada vez mais complicado em que vivemos.
Laboratórios multidisciplinares
Claro que pode haver uma certa margem de utopia nessa idéia de cursos com vocação própria, com padrões de excelência em certos agrupamentos disciplinares. Mas já se vislumbram, por aí, alguns cursos que souberam desenvolver características particulares, e com elas trabalham marcas de excelência.
Qualquer que seja, porém, ou possa ser, a vocação particular de cada curso, repito o que escrevi no texto anterior: o jornalista que a Universidade deverá formar terá de ser um profissional com educadas aptidões de intelectual, capaz de apreender, atribuir significados e dar exposição social confiável (isto é, independente, crítica e honesta) aos conflitos discursivos da atualidade. Mas será intelectualmente inepto se, ao mesmo tempo, não dominar, plena e criativamente, os conceitos, os recursos, as técnicas, as artes e as implicações da linguagem jornalística – ferramentas do seu ofício.
Defendo, portanto, combinações disciplinares que combinem a formação teórica e a capacitação técnica, em crescentes níveis de aprofundamento, ao longo do curso. Para isso, exige-se, como estratégia pedagógica, investimentos prioritários em espaços laboratoriais que não sejam apenas templos do fazer, mas onde a experimentação jamais esteja dissociada do pensar intelectual, para que aí se produza um saber consistente, no domínio dos porquês e para quês do jornalismo – jornalismo entendido como linguagem hoje essencial dos processos sócio-culturais.
Proponho, portanto, espaços laboratoriais com orientação e docência multidisciplinares.
Três momentos
Uma das discussões mais interessantes nas divergências sobre a questão curricular anda em torno das proporções ideais entre teoria e prática, na evolução do curso. Para o debate, deixo, aqui, a proposta em que mais acredito, formada sobre a minha própria experiência de profissional e professor de jornalismo.
Defendo que, com qualquer currículo, o curso de jornalismo seja ordenado em três grandes momentos articulados, de complexidade progressiva, com arranjos disciplinares que combinem conteúdos teóricos e técnicos:
INICIAÇÃO – Em nível de iniciação, e com carga horária preponderante, os alunos ingressantes deveriam ter acesso a conteúdos básicos de formação humanística, entre os quais, indispensáveis, História da Cultura e da Cidadania, História do Jornalismo, Ética e Deontologia, Economia, Ciência Política, Filosofia da Linguagem, Metodologia, Antropologia e Geografia (Política e Humana). Ao mesmo tempo, também em formato de iniciação nas técnicas jornalísticas, e com carga horária menor, mas crescente, os alunos devem dispor de espaços de aprendizado experimental, em projetos vivos, para práticas de jornalismo real, sem simulações.
APROFUNDAMENTO – Seria a fase mais alongada do curso, em que, no plano das idéias e da formação teórica, o caráter mais extensivo da iniciação daria lugar à possibilidade de escolhas para o estudo aprofundado (por meio de disciplinas optativas, por exemplo) em jornalismo e em no máximo duas áreas complementares de conhecimento, da preferência do aluno. Simultaneamente, a experimentação técnica cresceria em complexidade e carga horária, pedagogicamente inserida em espaços laboratoriais multidisciplinares, propícios às interações entre teoria e prática, espaços que, nesta fase, funcionariam como eixos do curso.
MATURAÇÃO – Seria o momento do atendimento pedagógico individualizado, preenchido com atividades orientadas de leituras, pesquisa e experimentação, para a produção do trabalho final de avaliação. Em um percurso de seis meses a um ano de estudo direcionado, em torno de um projeto ou de uma monografia, o aluno se defronta com seus limites e suas potencialidades, para demonstrar, de forma consolidada, os conhecimentos adquiridos e as aptidões desenvolvidas ao longo do curso.
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Lí esta matéria no Observatório da Imprensa e publico aqui no blog porque é de extrema importância para mim, para meus colegas e para os interessados na carreira jornalística.
Considerações sobre Jornalismo online e o leitor 2.0
Seminário promovido pela Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano debate o futuro da atividade na internet; entre os desafios está a convergência das redações e a maneira de lidar com o usuário e seus comentários publicados nos sites dos jornais, nem sempre politicamente corretos.
Veículos de diversas partes do mundo estão correndo atrás do tempo e procurando adaptar a atividade online ao cenário 2.0, no qual o usuário assume um papel cada vez mais participativo. É assim que o americano John Burke, do World Editors Forum, grupo ligado à Associação Mundial de Jornais, analisa o momento atual do jornalismo na internet. “Cinco anos atrás, muito se falaria sobre colocar o noticiário publicado no impresso no site. Hoje, os jornalistas continuam trabalhando da mesma maneira. Quando as redações finalmente se deram conta de que a internet é algo realmente muito importante, elas se apressaram para atender seu público de maneira mais adequada. Mas, de um modo geral, os jornais estão muito atrás do usuário”, disse.
Burke é um dos profissionais convidados pela Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI), presidida pelo escritor Gabriel Garcia Márquez, para o seminário O futuro do jornalismo na internet e a profissionalização da redação online, que acontece em Bogotá até esta quinta-feira, 6. O evento, que também é promovido pela Corporação Andina de Fomento (CAF), com apoio do Google, reúne jornalistas da América Latina e da Europa para debater o que se produz atualmente para a web, como integrar os profissionais das redações tradicionais às demandas dos novos tempos fazendo uma convergência adequada, os dilemas do jornalismo online e de que modo enriquecer a atividade com qualidade e rigor sem ferir a ética jornalística e sem deixar de lado a agilidade que o meio exige.
Na primeira rodada de debates, o professor e jornalista colombiano Javier Dario Restrepo, um veterano e premiado representante da imprensa daquele país, declarou que a ética que valeu a Gutenberg é a mesma para o jornalismo online. Ele apontou as debilidades, as vantagens e as exigências da prática do ofício no ambiente da web.
Uma das críticas é que, se o jornalismo é entendido como um meio para aquisição de conhecimento, então o que se tem atualmente é um rio caudaloso de informações, mas com escassez de conhecimento. Restrepo, professor da FNPI, refere-se ao excesso de dados disponibilizados na web que não tem fonte segura e à falta de credibilidade de itens publicados, por exemplo, em serviços como Wikipedia. “A informação digital não é totalmente certa. A internet é como um mercado popular, povoado de ruídos dos mercadores querendo vender seus produtos”.
Outro palestrante, o chileno Andrés Azócar, professor e diretor da Escuela de Periodismo de La Universidad Diego Portales e criador do museu da imprensa chilena, observou que para o exercício da ética jornalística no mundo 2.0 é preciso levar em conta que os não-profissionais são os soberanos da internet. Entre os dilemas que apontou estão: velocidade versus veracidade (“Os jornalistas não deveriam encarar a velocidade como um risco, mas como oportunidade”), jornalismo administrado versus jornalismo cidadão (“Há muitas informações de qualidade que são produzidas por pessoas que não são jornalistas, mas que estão em contato com a notícia”) e o controle da ética pelos meios ou pelo público. Na opinião de Azócar, quem detém esse controle, no final, é a própria audiência do site ou do blog de notícias. “O público tem bom senso”, argumentou.
Moderar ou não comentários dos leitores?
A questão, no entanto, não é unânime. Um dos painéis mais debatidos foi exatamente a moderação ou não da postagem de comentários dos leitores nos sites dos veículos. O problema mais sensível é a publicação de termos ofensivos, racistas e preconceituosos. Para a colombiana Maria Teresa Ronderos, professora da FNPI para a área de cobertura de noticiário político e social, é preciso dar liberdade ao usuário. Ela não concorda com o controle sobre a publicação dos comentários. “O leitor deve ter o direito de até falar mal do presidente da república no site e não em seu blog pessoal. Porque o que ele quer é o alcance de um site de notícias”.
Outros especialistas, no entanto, alegam que muitos posts - sejam a respeito de política ou de futebol - partem para a injúria ou mesmo incitam a violência e que, no final, o veículo pode ser responsabilizado juridicamente pelos comentários. Embora não tenha havido um consenso, o que mais se ouviu foi a defesa do estabelecimento de “regras do jogo” claras para os leitores. Em algumas publicações, utiliza-se um software para filtrar termos inadequados. Há quem exija um cadastro, com identificação do usuário que quiser fazer um comentário. E existe mesmo, em algumas redações, a função de ler, filtrar e publicar os comentários.
O primeiro dia do seminário, ocorrido na quarta-feira, 5, incluiu ainda um debate em torno dos direitos autorais na internet. Uma das propostas é o uso das licenças do Creative Commons, caso de algumas fotos publicadas no site Flickr, como ferramenta para o manejo de conteúdo na internet. Pedro Less, gerente de assuntos governamentais e de políticas públicas do Google Latinoamericano, disse que a autoregulamentação é importante, mas que é essencial também uma legislação equilibrada. “É necessário preservar os direitos do autor, mas também é preciso fomentar a criação. Na web 2.0, os usuários se converteram nos principais provedores de conteúdo na rede”, comentou.
Nesta quinta-feira, 6, o seminário prosseguiu com mais uma rodada a respeito do tema “Liberdade ou controle: o que fazer com os conteúdos produzidos pelos usuários”. Um dos debatedores, Jean-François Fogel, do Le Monde, disse que os veículos precisam se reinventar e encontrar seu caminho para atuar com relevância na internet. O Le Monde criou o Le Post, um site que funciona “ao lado” da página online do tradicional jornal francês. O Le Post, lançado há um ano, conta com intensa participação do usuário. As notícias enviadas pelos internautas são checadas pelos jornalistas do site.
Outra experiência é do site de informações Soitu, que foi criada pelo espanhol Gumersindo Lafuente. Os usuários são remunerados em 20 euros quando tem notas ou posts multimídia selecionados pelos jornais da casa, que ganham destaque na página. O site entrou em operação total neste ano. Segundo Lafuente, há 400 pessoas que contribuem regularmente com o Soitu. A empresa conta com 38 funcionários, sendo 25 jornalistas e 8 especialistas em tecnologia.
Além disso, um painel discutiu a monetização e os dilemas éticos da atividade jornalista na internet, com participação do editor do clarin.com, Marcelo Franco. Essa palestra contou ainda com Bruno Patiño, diretor da escola de jornalismo de Sciences-Po, em Paris.
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*A jornalista Lena Castellón viajou a Bogotá a convite do Google.
Matéria publicada em 07/11/08 no Meio & Mensagem Online.
O Livro tem Futuro ?
“Ninguém vai se sentar e ler um romance em uma telinha flexível. Nunca.” A escritora Annie Proulx, vencedora do prêmio Pulitzer, escreveu essas palavras no jornal “The New York Times” há mais de uma década. Talvez ela tivesse uma opinião diferente se conhecesse o Kindle (pronúncia: “quíndol”), aparelho para leitura de livros eletrônicos lançado em novembro pela livraria virtual Amazon. Para convencer mesmo os mais relutantes, o Kindle usa e-ink, uma tinta eletrônica que não cansa os olhos e o download direto de um acervo gigante de livros – sempre mais baratos que na versão em papel.
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