Blog da Márcia Guimarães

Lixo mental

Publicado em Saúde por Marcia Guimaraes em 12/10/2008

Não sei se a expressão é minha; como se escuta e lê tanto, de repente alguém já a havia dito e minha memória registrou. Como tenho muito medo de plagiar, não garanto, embora sempre a tenha usado em aula: lixo mental. O acúmulo em nossa mente de elementos tão pequenos, medíocres, mesquinhos e que tanto nos atormentam dificultando a entrada de novas idéias, a captação do belo, da arte, das belezas da vida, dos gestos lindos de pessoas iluminadas ou, pelo menos, de boa vontade, em nossos quadros mentais, do que falei aqui na sexta, ao definir o processo de adaptação. Passei a pedir às pessoas que eliminassem o mais rápido possível o tal lixo mental acumulado, ao perceber o quanto certos fantasmas ocorridos no cotidiano, mesmo sem grande peso, deixam imagens negativas em seu processo afetivo-nervoso, levando-as ao psiquismo. E o quanto isso pesa e pressiona! Ficar remoendo atitudes grosseiras que tiveram conosco, ainda mais quando se é absolutamente avesso a qualquer forma de grossura; dar uma importância maior às fofocas e maledicências que fazem a nosso respeito, por mais que beirem a infâmia e a calúnia. Para que ficar lembrando disso, magoandosse, se elas são consequências naturais dos projetos e fazem parte do conjunto de intenções, de vontades de realizar ? Só não se frustra quem não tem projeto, idéia, proposta inédita e se conforma em viver o já descoberto, em se manter naquela postura tão incolor do ‘’sempre se fez assim”. Para que pensamentos criadores se façam, para que desejos não embotem a vontade e o querer, para que se mantenha a luz dessa benfazeja inquietação, que torna as pessoas vibráteis, amplas, vivazes e com aquele brilho de realização no olhar — conjunto esse que as faz interessantes — é preciso eliminar de vez qualquer ranço de lembrança magoada, de ânsia de vingança, de dar o troco ou de ficar cevando uma censura (nada a ver com a saudável crítica), que permaneceu por descuido ou vitimidade em nossa mente. Se possível, abandone também aquelas preocupações inúteis do tipo ”como há de ser?” antes do momento de agir. Libere a alma e o coração. Mantenha na consciência a frase esotérica ”quando o pequeno se afasta, o grande se aproxima”. É na libertação desse lixo mental que encontramos o caminho para a transcendência, através da leveza e do amor.

Reproduzo aqui no meu espaço um texto do Colunista Luiz Alca de Sant´Anna , do jornal “A Tribuna de Santos”.

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